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Armazenagem, o elo perdido do agronegócio - Renato Casali Pavan

05/11/2013

Comprovadamente competitivo, líder mundial na produção de várias commodities e com um aumento de 60 milhões de toneladas nos últimos dez anos, o agronegócio brasileiro passa a enfrentar sérios problemas a partir da colheita, principalmente de soja e milho, por falta, entre outras coisas, de infraestrutura de armazéns, que não acompanhou a evolução da produção. Nada menos que R$ 20 bilhões são perdidos por ano por causa desse grave problema, que se arrasta há mais de 30 anos.
Nessa questão, há uma falsa avaliação do déficit do sistema de armazenagem quando o cálculo é feito pela diferença entre a produção e a capacidade instalada de armazéns. Como o Brasil produz 180 milhões de toneladas de grãos e a capacidade de armazenagem é de 140 milhões de toneladas, o resultado apontado por vários especialistas é de 40 milhões de toneladas. Mas isso está errado, o déficit é muito maior, pois a armazenagem é dividida em níveis.
Os produtores dos Estados Unidos, nossos maiores concorrentes e considerados referência em eficiência, armazenam em suas fazendas uma safra e meia, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O produtor brasileiro armazena somente 15%, cerca de 30 milhões de toneladas, com um déficit de 150 milhões de toneladas para uma safra. A deficiência de armazenagem provoca enormes perdas, as quais ocorrem ao longo da cadeia produtiva.
A primeira perda se dá na colheita. A recomendação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) é que o grão seja colhido com umidade entre 15% e 18%. Nesse caso há necessidade de secar e armazenar na propriedade. Quando não há armazém, o grão é colhido mais seco para retardar o processo de fermentação, ocasionando uma perda de 5%.


A segunda perda ocorre após a colheita. Uma vez colhido, o produto é transportado por caminhão para a cooperativa ou para os armazéns coletores. O aumento na demanda encarece o frete, além do que o caminhão enfrenta uma enorme fila para levar o produto para ser limpo e seco. Como ele está úmido, fermenta, perde qualidade e, consequentemente, o preço pode cair até 5%.


A perda anual de 10% entre a colheita e o armazém coletor representa R$ 12,6 bilhões, que, somados aos R$ 8 bilhões estimados pela Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), implica uma perda total no ano da ordem de R$ 20 bilhões, diminuindo a renda do produtor.


A terceira perda é na exportação. Por falta de armazenagem na propriedade, todos querem levar os seus produtos para o porto ao mesmo tempo, congestionando as rodovias e ferrovias. De acordo com a Anec, por causa do congestionamento há mais um prejuízo de R$ 8 bilhões por ano. O Brasil movimenta pelos portos cerca de 32 milhões de toneladas de soja e 15 milhões de toneladas de milho, ou seja, 47 milhões de toneladas/ano. A necessidade é de 2,5 milhões de toneladas estáticas.
Como se nota, o grande gargalo de armazenagem se encontra na propriedade, o que provoca deficiência em cadeia e torna inviável a movimentação racional da safra. Com o programa de financiamento de armazéns nas propriedades rurais, recentemente anunciado pelo governo federal, será possível ao produtor recuperar o elo perdido na área de armazenagem, pois terá, finalmente, condições de acesso a linhas de crédito que lhe permitam fazer os investimentos elevados necessários à construção de silos. O custo médio de um armazém é de R$ 400 por tonelada, o que exige um investimento de R$ 60 bilhões em 12 anos.


O Banco do Brasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) puseram à disposição cerca de R$ 5 bilhões ao ano para financiar armazéns na propriedade rural, com 15 anos para pagar, três anos de carência e juros de 3,5% ao ano, com custo total de R$ 35 por tonelada/ano. Considerando que o preço médio dos grãos é de R$ 700 a tonelada na região de produção, o produtor terá um ganho de 10%, ou R$ 70 por tonelada. Além de pagar o financiamento, ainda tem uma receita adicional de R$ 35 por tonelada.


Essa notícia ganha ainda mais importância com a decisão da Caixa Econômica Federal de aderir ao esforço de financiamento para o armazenamento. O que está faltando é maior divulgação do programa, para que os produtores possam interessar-se e começar a desengavetar os seus projetos. Aqui há ainda um adicional positivo, que é recuperar o poder produtivo das indústrias de silos, gerando mais empregos e aquecendo um importante segmento da economia.


Paralelamente ao anúncio de investimentos na melhoria das condições de armazenagem, há também boas perspectivas em relação à malha ferroviária e rodoviária. No caso das estradas, está previsto para 2014 o tráfego na Rodovia BR-163 (entre Mato Grosso e Pará), com transbordo em Miritituba (Rio Tapajós, PA) para barcaças, com destino a Vila do Conde e Santarém, que movimentará inicialmente 10 milhões de toneladas por ano. Também no ano que vem entrará em operação no Porto de Itaqui, no Maranhão, o Terminal Tegram, com capacidade para movimentar cerca de 5 milhões de toneladas por ano. Com a ativação desses terminais haverá uma diminuição da pressão sobre os portos do Sul e do Sudeste.


De toda maneira, torna-se necessária a união de forças e uma forte divulgação, que motive principalmente os produtores a se tornarem independentes quanto à armazenagem dos seus produtos e aumentarem a sua renda. A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) estão engajadas nesse projeto. Com certeza, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e suas federações também darão uma enorme contribuição nesse sentido

 
Renato Casali Pavan é engenheiro e presidente da Macrologística


Fonte: O Estado de S. Paulo 04/11

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