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Lone Star tenta tomar posse da cana e do caixa da Atvos, da Odebrecht

O Lone Star Funds e o Castlelake, credores da unidade de etanol da Odebrecht, pediram à Justiça a penhora de 30% da sua produção de cana-de-açúcar, dada como garantia em um empréstimo que esses fundos fizeram à empresa, segundo pessoas com conhecimento do assunto.

Na última quarta-feira, os fundos também pediram a um tribunal para tomar posse do caixa da subsidiária Atvos, disseram as pessoas, pedindo para não serem identificadas porque o assunto é privado. Lone Star e Castlelake detêm cerca de US$ 300 milhões em créditos da Atvos.

A Atvos está reestruturando seus R$ 10 bilhões em dívidas e considerando oferecer aos credores ações em troca de dívida, disse o presidente Luiz de Mendonça (Foto) em 15 de janeiro. "Todas as possibilidades estão sendo consideradas, mas nada foi decidido ainda", disse Mendonça na ocasião. Os principais credores da empresa são os bancos locais, que poderiam tomar o controle da Atvos se a troca da dívida por ações acontecer dado o montante da dívida que eles detêm, disse uma pessoa.

A Atvos, que administra a maior plantação de cana-de-açúcar do Brasil, disse que suas operações "estão preservadas e continuam normalmente", acrescentando que está em negociações "estruturantes" com seus credores financeiros. A empresa disse que "a execução promovida por um desses credores faz parte de um processo mais amplo, sendo certo que todos estão imbuídos para concluir a reestruturação satisfatoriamente e com celeridade". A Lone Star preferiu não comentar e o Castlelake não respondeu imediatamente a um e-mail.

Tentativa anterior Esta é a segunda vez que os dois fundos tentam tomar a produção de cana-de-açúcar e o caixa da Atvos. Um pedido anterior foi negado por um juiz de São Paulo em 10 de janeiro, de acordo com informações publicadas no site do tribunal.

A Lone Star, empresa de investimento sediada em Dallas, fundada pelo bilionário John Grayken, e a Castlelake emprestaram US$ 250 milhões à Atvos no final de 2017 para serem usados ??como capital de giro e para investimentos, segundo as fontes. Mas a empresa em dificuldades parou de pagar juros em dezembro do ano passado, disseram as pessoas. Cerca de R$ 40 milhões não foram pagos, disse uma das pessoas, acrescentando que as taxas de juros para os empréstimos são de até 19% ao ano em dólares.

A Atvos, anteriormente conhecida como Odebrecht Agroindustrial, concluiu uma reestruturação de dívida de R$ 11 bilhões em 2016, que alongou seus vencimentos para 13 anos. A controladora, que também está reestruturando dívidas enquanto luta para se recuperar dos laços com a investigação da Lava Jato sobre corrupção, forneceu uma injeção de R$ 4 bilhões à Atvos em 2016 e deu parte de suas ações na Braskem como garantia para um empréstimo a banqueiros, disse uma pessoa na época. Outros R$ 2 bilhões em ativos de energia foram dados como garantia aos bancos brasileiros, disse a pessoa

 

 

 


Fonte: Bloomberg