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À espera de futura gestão, caminhoneiro 'esfria' nova greve

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, deve herdar mais uma pendência da gestão Michel Temer: o impasse entre caminhoneiros e empresas transportadoras em torno do tabelamento do frete. A categoria, que ameaça fazer nova greve desde quinta-feira - quando o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu multas por descumprimento da tabela -, organizou bloqueios na manhã de ontem, na rodovia Presidente Dutra (BR-116) e no Porto de Santos, mas se desmobilizou confiando na mediação do futuro ministro da Cidadania, deputado Osmar Terra (MDB-RS).

Segundo José Cícero Rodrigues, diretor do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam), tudo indica que a categoria aguardará a posse e, portanto, a condução que o novo governo dará ao imbróglio. "A verdade é que a população não nos apoiaria neste momento. A maioria escolheu ele. Vamos ver como fica."

No Porto de Santos, segundo Rodrigues, a categoria não teve engajamento ontem do pessoal do "vira" - caminhoneiros que trabalham no transporte intermunicipal, sem fazer grandes viagens, portanto sem depender do frete tabelado. "Aqui boa parte dos embarques é corrigida pelo IGP-M. Em maio, houve adesão da maioria por causa do diesel."

Ao nomear Terra, Bolsonaro acabou "contratando" alguém que pode ajudá-lo a gerir possíveis crises. O deputado atuou na interlocução quando ocupava o Ministério do Desenvolvimento Social no governo Temer.

Ao deixar o Executivo, relatou a medida provisória para atender à categoria. Ele tratou do preço mínimo do frete, de mecanismos de compensação em caso de alta do diesel e até de anistia a multas. Ajudou a costurar o acordo para o fim da greve em maio.

Presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas de Volta Redonda e Região Sul Fluminense (Sinditac-VR), Francisco Wild confirma a ideia de que o desembaraço ficará nas mãos do novo governo. "O Terra está do nosso lado, nos ligou pedindo voto de confiança."

Os caminhoneiros, de acordo com Wild, estão na expectativa de reunião que estaria marcada entre o ministro Fux e a advogada-geral da União, Grace Mendonça. "Já estava tudo certo para a ministra Grace entrar com ação contra a liminar", afirmou.

Na sexta-feira, o líder sindical chegou a afirmar ao Valor que o presidente eleito precisaria se pronunciar logo sobre os interesses dos caminhoneiros, "para evitar de segurar uma bomba."

Cerca de 3 mil caminhoneiros pararam no sul do Rio de Janeiro ontem. Os bloqueios foram encerrados à tarde, segundo a Polícia Rodoviária Federal.


Fonte: Valor Econômico