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A resposta do agro paulista à Covid-19

Postado em 4 de Novembro de 2020

Prevenção, reinvenção, uso de ferramentas digitais, apoio social, maior produção, geração de emprego, novos negócios e até aumento de renda, esta é a resposta do agro paulista à Covid-19

Quando o governo paulista decretou, em 22 de março de 2020, a quarentena em decorrência da pandemia do novo Coronavírus (Covid-19), levando ao fechamento temporário de várias atividades econômicas, a agenda de reservas para eventos na área de recreação do sítio Felicidade, localizado em Rincão, SP, estava quase toda preenchida.

Como milhões de brasileiros, as irmãs Cris e Mary Paiva, proprietárias do sítio Felicidade, foram surpreendidas pelo desenrolar do novo Coronavírus, pelo isolamento social e por terem de paralisar o trabalho e, com isso, reduzir os ganhos.

O sítio Felicidade está entre as milhares de pequenas propriedades rurais que aderiram ao turismo para diversificar a renda. A área de lazer é alugada para a realização de confraternizações de famílias e amigos que desejam desfrutar a piscina e outros atrativos peculiares ao mundo da roça, como pomar, horta, galinhas, vacas...

Além do lazer, aos visitantes são oferecidos produtos orgânicos que saem da horta e do pomar conduzido por Wilton Paiva, o pai da Cris e da Mary. Elas, seguindo as receitas da mãe, a saudosa dona Meyre, transformam os produtos do sítio em deliciosos doces caseiros.

Sem o aluguel da área de recreação, Cris e Mary não perderam tempo e buscaram alternativas para recompor a renda. Enxergaram no delivery e na divulgação online meios para ampliar outra atividade que realizavam: duas vezes por semana, as irmãs seguiam para a cidade para vender seus produtos.

Cris conta que resolveram incrementar a divulgação nas mídias sociais dos produtos do Sítio Felicidade, destacando que seriam entregues no “aconchego do seu lar”. Os pedidos poderiam ser via WhatsApp. A resposta foi imediata, as vendas aumentaram e, para facilitar o pagamento, as irmãs adquiriram a maquininha de cartão.

Enquanto a Cris pilota o fogão, as entregas ficam por conta da Mary, que atenta às necessidades das clientes, detectou que elas queriam mais que doces, frutas, verduras e legumes. “Elas passaram a pedir pratos salgados também.”

O fechamento de restaurantes e bares levou as famílias a fazerem às refeições em seus lares, aumentando muito o trabalho das mulheres, no entanto, as donas de casa merecem uma folga. “Foi isso que passamos a oferecer: descansem do fogão, levamos até você produtos caseiros, com o delicioso sabor da roça”, conta Cris.

Assim, ao tradicional cardápio, somaram-se tortas salgadas, esfihas, bauru-caipira, sopas, cremes e muitos mais. Receitas de família, feitas com os produtos orgânicos do sítio Felicidade. O sucesso foi tanto que as entregas passaram a ser diárias e não só para Rincão, mas também para cidades vizinhas como Guatapará, Santa Lúcia, Américo Brasiliense e até para grandes centros urbanos, como Araraquara e Ribeirão Preto.

“Crescemos na pandemia. Nunca vendemos tanto. Não só o fogão à lenha, como o fogão e forno industriais passaram a ficar acessos o dia todo. Saem e entram fornadas com massas. Preparamos tachos e mais tachos de doces. E ampliamos a horta e o galinheiro, pois necessitamos de mais matéria-prima para atender a demanda”’, diz a Cris.

Segundo Mary, a procura pelas delícias do sítio Felicidade é tanta que foi necessário passar a atender em cima de reservas e até montar lista de espera. “A resposta que demos à Covid-19 foi mais trabalho, mais produção e mais renda. E isso é possível porque Deus nos dá saúde”, afirma.

DEMANDA POR LÁCTEOS AUMENTA NA PANDEMIA

Entre os doces mais solicitados do Sítio Felicidade estão o de leite em pasta e em pedaços. O que faz com que o leite seja uma das matérias-primas mais requisitadas. Mas isso não acontece só na cozinha do Sítio Felicidade. O leite e seus derivados, nesses oito meses de pandemia, tiveram um aumento médio de consumo de 10%.

A Agrindus S/A, uma das três maiores empresas produtoras de leite do Brasil, sediada em Descalvado, no interior paulista, é dona do maior rebanho holandês registrado no país. Atualmente, conta com 4000 cabeças, sendo 1740 vacas em lactação, que produzem 60.000 litros de leite ao dia – ou 1,8 milhão ao mês, ou 21,9 milhões de litros por ano. A produtividade por hectare/ano é de 40 mil litros, enquanto a média nacional é de 1600 litros por hectare/ano. A empresa coloca no mercado as marcas Agrindus - Leite tipo A - e Letti – leite e derivados provenientes de rebanho A2A2, que possibilita melhor digestão.

Segundo Roberto Jank Jr, diretor da Agrindus S/A, para se adequar à nova realidade imposta pela Covid-19, a empresa implementou um plano de ação envolvendo aspectos como: transporte dos funcionários, protocolo para entregas, frentistas, uso de máscaras e prevenção com a higienização. E os funcionários do grupo de risco foram afastados e visitas e aglomerações foram suprimidas.

Entre os principais desafios impostos pela pandemia, Jank destaca o treinamento de mão de obra temporária para substituir as baixas nas equipes de produção e a fiscalização e conscientização de todos para mitigar possíveis efeitos da Covid-19. “Incorporamos várias medidas preventivas que devem se perpetuar na empresa. Agora, estamos mais preparados para outros eventos como esse”, salienta.

O produtor ressalta que a pandemia impactou muito pouco o agro, e que houve aumento de consumo de alimentos e da produção de leite. Jank avalia que não houve dificuldades de abastecimento, exceto pelos canais de food-service, que ficaram fechados. Mas a alimentação nos domicílios compensou esses canais interrompidos.

Porém observa que, “sob a ótica do produtor de leite, é certo que a pandemia nos ‘brindou’ com os custos mais altos da história para os itens de alimentação animal, fruto do efeito dominó causado pelos atuais valores do milho e da soja, mas que também referenciam preços de outros itens da ração animal. Quem paga a conta desse desequilíbrio nos custos desses insumos é o consumidor das proteínas animais, cujos custos de produção estão na estratosfera. Essa realidade poderá trazer efeitos negativos para o consumo de lácteos no médio prazo.” A elevação do preço do leite e de seus derivados neste período de pandemia é de 32%, segundo o CEPEA/USP.

De acordo com Jank, o agro paulista, de forma geral, está dando uma ótima resposta à Covid-19, com poucos ou nenhum efeito impactando as expectativas de produção. E os problemas pontuais que surgiram durante a pandemia foram rapidamente resolvidos. “O Brasil se comportou bem no setor agro e teve menos problemas que outros países mais desenvolvidos.”

OPORTUNIDADE DE NOVOS NEGÓCIOS COM O CAFÉ

Para acompanhar os doces, que tal um cafezinho? Essa dobradinha vai bem, assim como a lavoura cafeeira paulista no ano de 2020, mesmo com a pandemia da Covid-19. No estado de São Paulo, a estimativa preliminar da safra cafeeira 2019/20 evidencia produção de 370 mil toneladas (6,17 milhões de sacas de 60 kg), volume 39,7% superior ao obtido na safra anterior. Tal resultado é reflexo do aumento de 39,4% na produtividade – em decorrência da acentuada bienalidade da lavoura típica da região de Franca, informa a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Instituto de Economia Agrícola (IEA).

No Escritório de Desenvolvimento Rural (EDR) de Franca, estimou-se colheita de 2,86 milhões de sacas de 60 kg, o que será um recorde histórico de produção nessa regional para um ciclo de alta. O parque produtivo soma 68.624 hectares, confirmando a liderança na produção cafeeira paulista. Ademais, verificou-se incremento da média de produtividade nesse EDR, que atingiu 41,9 sc. 60 kg/ha, tal patamar posiciona a regional entre as mais eficientes do mundo.

É nesta região que se encontra o sítio Capoeira, localizado na pequena Jeriquara e que destina 140 hectares para a produção de café. Uma de suas proprietárias, Bruna Malta Fernandes, conta que, quando iniciaram as medidas de isolamento em decorrência da Covid-19, estavam na fase dos preparativos para a colheita, cuja largada acontece em maio. Por se tratar de um trabalho a céu aberto e praticamente todo mecanizado, a pandemia não impactou a operacionalidade da colheita.

No entanto, o mesmo não ocorreu com outra atividade da família, a Olinto Cafeteria, instalada na cidade de Franca. “Passamos a atender por delivery e isso derrubou muito nosso faturamento. No começo foi um choque, mas aí, resolvemos colocar em prática um outro projeto que estava no forno, e que não concretizávamos por falta de tempo, que era trabalhar o mercado de café especiais”, diz Bruna.

Cerca de 10% da produção do sítio Capoeira é de cafés especiais, produto selecionado, com maior valor agregado destinado a um público mais exigente e disposto a pagar mais para obter melhor qualidade. “Passamos a oferecer nosso produto ao mercado e apresentar seus diferenciais utilizando os canais online. Com mais tempo, pudemos nos dedicar à essa tarefa e tem dado muito certo, conquistamos clientes até mesmo no exterior. Posso afirmar que a pandemia nos abriu novos negócios. Nos reinventamos.”

AMENDOIM VAI BEM MESMO SEM FESTA JUNINA

São Paulo é o maior produtor nacional de amendoim, respondendo por aproximadamente 90% da safra. Lá em março, quando foi decretado o isolamento social, a colheita do amendoim estava em plena atividade. E por ser uma lavoura altamente mecanizada, a pandemia não impactou as operações e nem reduziu o ânimo dos produtores em relação à produção.

As condições climáticas foram favoráveis na maioria do período vegetativo importante para a leguminosa, o que gerou expectativa de boa safra. De acordo com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, na safra agrícola 2019/20 foram colhidas 24,99 milhões de sacas de 25 kg de amendoim em grão, equivalente a 624,8 mil toneladas. Este resultado reflete um aumento de 33,2% em relação à safra passada, por conta do acréscimo de 22,1% na produtividade agrícola.

Normalmente, quando a produção é maior, o preço cai, mas não foi o que ocorreu com o amendoim neste ano. O valor do produto no mercado externo e interno foi bem remunerador. Os preços recebidos pelos produtores foram 31,2% superiores em relação ao ano anterior. “Foi a combinação perfeita, mais produto para comercializar e bons preços”, afirma José Antonio de Souza Rossato Júnior, presidente da Coplana – Cooperativa Agroindustrial – maior produtora de comercializadora de amendoim do Brasil.

Em decorrência da pandemia, a realização das festas juninas e julinas foi proibida, o que inicialmente causou temor no mercado de amendoim, já que é a época do ano com maior consumo do produto. Mas Rossato informa que não houve redução, pois as pessoas ficaram em casa e passaram a consumir muito mais Snacks, substituindo as vendas de amendoim proporcionadas pelas festas. Esse binômio - maior produção e preços remuneradores na safra de amendoim 2019/20 -, resultou em uma receita gerada nas fazendas de aproximadamente R$1,01 bilhão, 16,1% acima dos valores obtidos na safra anterior.

SETOR SUCROENERGÉTICO SE REINVENTA, PRESERVA EMPREGOS E SALVA ECONOMIA DE REGIÕES CANAVIEIR

Cerca de 90% da produção de amendoim acontece em áreas de rotação de cultura com cana-de-açúcar, prática que agrega ganhos agronômicos ao solo, reduz o custo de implantação do canavial e ainda gera renda ao produtor, que levou um susto enorme com o cenário canavieiro sombrio desenhado no início da pandemia.

O isolamento social derrubou o consumo de combustíveis. Apenas no mês de abril, a demanda por etanol registrou uma retração de quase 34% quando comparado ao mesmo período de 2019. Esse fato levou distribuidoras a cancelarem seus contratos de compra, o que afetou o fluxo de caixa das usinas, uma vez que elas dependem do escoamento quase que diário do biocombustível para manter um bom balanço financeiro ao longo da safra.

O diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Antônio de Padua Rodrigues, diz que o segmento entrou nessa pandemia já bastante debilitado, e as condições só não pioraram ainda mais pelo fato de as usinas demonstrarem uma notável capacidade de readequação. “Mesmo com o estresse financeiro dos primeiros meses, havia uma safra para ser colhida e a cana não poderia ficar no campo. Além disso, precisávamos abastecer a população e os países que demandam nossos produtos.”

São Paulo responde por 60% da cana produzida no Brasil, a lavoura canavieira tem grande peso na economia paulista e seu declínio impacta diretamente mais de 300 municípios. Motivo suficiente para a tomada de decisões rápidas para não agravar a crise. O primeiro passo foi refazer a estratégia para que a safra se viabilizasse, como corte de custos, renegociação de contratos e revisão de mix.

Uma das principais vantagens do setor sucroenergético é a possibilidade de “virar a chave” de produção para o produto que estiver remunerando melhor. Nesta safra, o que salvou a queda na demanda de etanol foi a melhor remuneração do açúcar.

Padua conta que, antes mesmo do início do ciclo, já era esperado um incremento na oferta da commodity por conta de safras menores em outros países, como na Tailândia. Com a pandemia, esse intento não somente foi confirmado, mas estimulado. “A maior produção do adoçante foi uma excelente alternativa para as usinas que, após o susto dos preços abaixo dos patamares de custo nos primeiros meses da crise, conseguiram colocar seus produtos no mercado em valores dentro da normalidade.”

Com um mix mais açucareiro do que o normal, a produção brasileira de açúcar na safra atual totalizou 31,95 milhões de toneladas até 1 de outubro, um aumento de 46,23% em comparação com o mesmo período do ciclo anterior. O diretor técnico da UNICA salienta que, do aumento total de 10,10 milhões de toneladas na produção de açúcar observada até o momento, cerca de 7,40 milhões derivam da mudança do mix de produção e os outros 2,70 milhões resultam do avanço da moagem e da melhor qualidade da matéria-prima colhida.

Outro mercado que chamou a atenção este ano foi o de etanol para fins não carburantes, demandado para desinfecção e assepsia. No acumulado da safra até 1º de outubro, a comercialização desse tipo de produto foi 38,51% superior ao registrado em igual período de 2019. Esse montante representou 6% da comercialização total das usinas do Centro-Sul. Embora baixo, esse volume ajudou a compensar parte das quedas das vendas de etanol combustível.

Tereos fica ainda mais açucareira para salvar operação e preservar seu quadro de funcionários

Com sete unidades de processamento localizadas no noroeste do Estado de São Paulo, a Tereos Açúcar & Energia Brasil sempre foi mais açucareira do que alcooleira. Mas o direcionamento do mix para a produção da commodity este ano foi ainda maior. Atualmente, 63,1% da cana colhida é destinada para a fabricação de açúcar e 36,9%, para etanol.

Membro do Comitê Executivo do Grupo Tereos, Jacyr Costa Filho ressalta que a companhia adotou uma série de outras medidas a fim de evitar ao máximo os prejuízos decorrentes da pandemia, como flexibilização do portfólio de produtos e gerenciamento na área comercial a fim de aproveitar as oportunidades que se apresentaram neste período, incluindo aumento das exportações. “Em etanol, o fato de a Tereos possuir capacidade para estocar até 70% da produção nos permitiu aguardar a retomada do consumo, que tem acontecido gradualmente desde maio.”

Em relação à gestão, o empresário afirma que a liderança em todos os níveis mostrou agilidade e resiliência nas mudanças necessárias para dar continuidade aos negócios, tanto para garantir a segurança dos colaboradores e parceiros, quanto para fazer as alterações necessárias na produção. “Com isso, teremos uma safra muita boa e com alta produtividade.”

Mais do que manter um ciclo positivo no ponto de vista de produção e produtividade, a Tereos foi capaz ainda de preservar praticamente intacto seu quadro de funcionários durante a crise. Segundo Costa Filho, não houve demissões ligadas à Covid nas sete unidades industriais da Tereos Açúcar & Energia Brasil, que trabalhou para implantar diversas medidas no sentido de adaptar suas operações à nova realidade. “Adotamos o sistema de home office para colaboradores cujas atividades podem ser realizadas à distância e afastamos temporariamente os trabalhadores que se enquadram no grupo de vulneráveis, orientando-os a permanecerem em suas residências.”

Raízen aumenta quadro de funcionários durante a pandemia, inaugura planta de biogás e mantém projetos sociais

A pandemia, como esperado, mudou a rotina da Raízen, maior grupo sucroenergético do mundo, detentora de 21 unidades produtivas apenas no Estado de São Paulo. “Esse novo contexto demandou uma série de ações para garantir a continuidade do negócio, incluindo a implementação de protocolos de saúde para a segurança de todos os funcionários de nossa operação, bem como o afastamento daqueles inseridos no grupo de risco”, diz Francis Vernon Queen, vice-presidente de Etanol, Açúcar e Bioenergia da companhia.

O gestor relata que o início da safra foi muito impactado pela pandemia, principalmente pelo recuo na demanda de comercialização de etanol e diesel. “Mas, por conta da solidez financeira da companhia e por possuirmos uma boa capacidade de armazenagem, fizemos a estocagem de nosso produto no início de safra, momento em que observamos preços mais baixos. Com o passar das semanas, vimos o mercado se recuperando muito bem e hoje já estamos com patamares de preço superiores ao mesmo período do ano passado.”

Graças a essas atitudes, a companhia conseguiu evitar demissões. Ao todo, a Raízen emprega mais de 29 mil funcionários, além de contar com cerca de 15 mil parceiros, entre produtores de cana, transportadoras e revendedores. Vernon Queen ressalta que, na realidade, surgiu a necessidade de contratações adicionais (terceiros e próprios) durante esse período a fim de substituir parte dos funcionários que foram afastados temporariamente por pertencerem ao grupo de risco. “Somando aos safristas contratados para atuar na safra 2020/21, empregamos mais de 2.870 profissionais até o momento em 2020.”

Mesmo impactante, a pandemia não alterou os planos da Raízen de inaugurar, em 2020, a maior planta de biogás do mundo. Construída no município paulista de Guariba, junto à usina Bonfim, a planta, inaugurada em outubro, utiliza a vinhaça e a torta de filtro disponíveis para a produção de biogás em escala comercial. A capacidade instalada é de 21MW e o potencial de produção de 138 mil MWh por ano, suficiente para iluminar uma cidade de 240 mil habitantes

O plano de ação de adaptação à pandemia colocado em prática pela Raízen também abrange o trabalho social que desenvolve nas comunidades localizadas no entorno de suas unidades. A empresa optou por suspender as atividades presenciais em coordenação com as determinações das Secretarias de Educação e adaptar a metodologia para o modelo remoto do Plano de Sustentação do Engajamento do Jovem (PSEJ), que envolve o trabalho remoto do time da Fundação para o acionamento dos jovens via grupos de WhatsApp e que são enviadas atividades informativas e interativas. Mesmo distantes fisicamente, os números são positivos, com 80% de engajamento nas atividades desenvolvidas pela Instituição.

“No Núcleo Jaú, no interior de São Paulo, onde são atendidas crianças, o nosso maior objetivo está sendo oferecer conforto emocional para as famílias e segurança alimentar para as crianças que realizavam refeições diárias no Núcleo antes do distanciamento social. Estão sendo doadas, mensalmente, cestas básicas para mais de 200 famílias enquanto durar o afastamento”, conta o vice-presidente de Etanol, Açúcar e Bioenergia da Raízen.

Setor sucroenergético contribui para manter o novo Coronavírus longe do brasileiro

Não é exagero afirmar que, durante a pandemia, o setor sucroenergético paulista ajudou não somente a preservar empregos e a economia de centenas de municípios, mas também a salvar vidas. Desde o início da pandemia, autoridades nacionais e internacionais de Saúde recomendam a utilização de álcool 70% para desinfecção das mãos e objetos. Com matéria-prima e estrutura disponível, as usinas se mobilizaram para realizar grandes doações do produto para hospitais e comunidades.

A Raízen, por exemplo, adequou sua operação industrial para produzir álcool 70% exclusivamente para doação. Até o momento, foram doados mais de 1,5 milhão litros de álcool 70% para 98 hospitais, contemplando 119 cidades em 9 estados, como São Paulo, Goiás, Paraná e Minas Gerais. Foram contemplados também prefeituras paulistas e a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, além de uma penitenciária e as forças policiais do Rio de Janeiro.

Mas não foi só a Raízen que abraçou a causa, a UNICA orquestrou um movimento junto à suas associadas e mais de 1 milhão de litros de álcool 70% foram distribuídos à rede pública de saúde. Entre as participantes está a Tereos que desenvolveu várias ações, como a doação de 52 mil litros de álcool 70º para ser utilizado na assepsia de hospitais e postos de atendimento do SUS (Sistema Único de Saúde). O produto foi entregue para hospitais e postos de saúde de cerca de 30 municípios paulistas do entorno das instalações industriais do Grupo. Os hospitais também receberam doação de açúcar.  E em parceria com a VLI, a Tereos disponibilizou, ainda, álcool 70% e duas mil cestas básicas para caminhoneiros que descarregam no terminal de Guará, no interior de São Paulo.  

São Martinho, Nardini, Cocal, Santa Adélia, São João, Estiva, Lins, Biosev, Atvos e Copersucar são outras usinas paulistas que também fizeram parte da mobilização. “O Brasil foi um dos poucos países no mundo que não sofreu com o desabastecimento de produtos essenciais durante a pandemia devido aos produtores agrícolas e à agroindústria nacional. Durante os últimos meses, continuamos oferecendo à população açúcar, etanol, bioeletricidade e álcool para assepsia graças a protocolos rígidos de segurança e sanidade que possibilitaram a continuidade das nossas operações”, explica Evandro Gussi, presidente da UNICA.

O AGRO PAULISTA DEVE SAIR MAIS FORTALECIDO DESSA PANDEMIA

De acordo com Padua, no decorrer da pandemia, os efeitos negativos registrados pelo setor sucroenergético foram amenizados com a valorização do dólar frente ao real, com os repasses da Petrobras das altas na cotação do petróleo no mercado internacional e com o maior direcionamento da produção para o açúcar.  Com isso, em cerca de três meses, o mercado conseguiu se reequilibrar.

Em sua visão, o segmento deve sair ainda mais forte dessa crise, uma vez que a pandemia acentuou a preocupação da população em relação a como as empresas lidam com questões ambientais, sociais e de governança. “Nesse sentido, o setor sucroenergético brasileiro está extremamente bem posicionado, seja por oferecer produtos sustentáveis, com baixa pegada de carbono, ou adotar as melhores práticas corporativas possíveis.” 

Mas não será só o setor de cana que sairá mais forte dessa pandemia. Essa parece ser a realidade do agro paulista. Um dos pontos que mostram seu ótimo desempenho durante esta pandemia é a geração de emprego. O relatório de Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) informa que agropecuária é o destaque na geração de novas vagas de emprego em 2020, com 98.320 postos de janeiro a agosto.

E São Paulo foi o estado com melhor resultado, responsável pela criação de 66.235 postos de trabalho no agro, seguido por Minas Gerais (+8.585 vagas). As atividades que mais abriram vagas neste ano foram: cultivo do café (17.741); atividades de apoio à agricultura (17.227); cana-de-açúcar (12.219); e soja (11.136; bovinos (8.481).

Para o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Gustavo Junqueira, os dados comprovam mais uma vez que o agro paulista segue firme e forte. "Mostramos que o agro não para nunca, trabalhamos sempre com resiliência e somos o farol que guia os outros setores da economia", afirma.

Essa é a resposta do agro paulista à Covid-19!

Por Luciana Paiva e Leonardo Ruiz

 


Fonte: CanaOnline