Clipping

Abandono de tratos culturais aumenta prejuízos gerados pelo momento de crise

Postado em 5 de Maio de 2020

Mesmo com as dificuldades financeiras decorrentes da Covid-19 e da queda do preço de petróleo, unidades produtoras de cana não podem deixar de adubar, controlar pragas e plantas daninhas

Unidades sucroenergéticas e produtores de cana não devem abandonar os tratos culturais dos canaviais, mesmo com a situação financeira desfavorável decorrente da queda do preço do petróleo e da pandemia do coronavírus, que tem diminuído o consumo de combustível de maneira significativa.

Quando a unidade produtora deixa de adubar, o canavial demora quatro anos para recuperar a sua produtividade – alerta o engenheiro agrônomo Auro Pereira Pardinho, gerente de marketing da DMB Máquinas e Implementos Agrícolas.

“Apesar do período difícil, é necessário continuar cuidando bem do canavial. Redução de trato cultural é preocupante”, enfatiza. Além da realização da adubação adequada, os cuidados devem estar voltados também ao controle eficiente de plantas daninhas e de pragas.

“Se o canavial tiver Sphenophorus levis e não houver controle, o produtor ou a usina não terá cana suficiente para atender a demanda da indústria no ano seguinte”, exemplifica. A diminuição do trato cultural pode ser um fator muito limitante para a produção da lavoura – avalia Auro Pardinho.

No próximo ano, com a provável recuperação do preço do petróleo, o término da pandemia e o aumento do consumo de etanol, a situação deverá estar melhor – prevê o gerente de marketing da DMB.  “A usina vai precisar de cana para fabricar os seus produtos e aproveitar os bons preços no mercado”, observa. 

Caso não tenham matéria-prima disponível, unidades produtoras de açúcar e etanol poderão estender, para o próximo ano, os eventuais prejuízos financeiros dessa safra. Por isso, todo esforço deve ser feito para que não ocorra a redução dos tratos culturais.

O momento é bastante complicado, principalmente para o fornecedor de cana e as unidades produtoras de etanol – admite. Para a usina que fabrica açúcar, a situação deve ser menos problemática. “Diversas unidades fecharam anteriormente contratos em dólar, que está subindo. Antes da pandemia, mais de 70% da produção de açúcar já estava contratada. A unidade que só faz etanol, se não tiver dinheiro para se manter e estocar o produto fabricado, vai ter maiores dificuldades”, constata.

Se a redução de gastos no processo de produção de cana-de-açúcar for inevitável, o mais recomendado é deixar de fazer alguma operação que não esteja diretamente relacionada aos tratos culturais. “O adiamento da renovação de um canavial, que já não tenha uma boa produção, para o ano seguinte pode ser uma alternativa”, exemplifica o gerente de marketing da DMB.

Outra medida importante para diminuir custos é a utilização de implementos eficientes, como adubadores e aplicadores de agroquímicos, que possibilitem um melhor aproveitamento dos insumos. É preciso também otimizar as atividades agrícolas, usando equipamentos que apresentem maior flexibilidade e realizem diversas tarefas em uma mesma operação, ou seja, equipamentos multifuncionais.


Fonte: CanaOnline