Clipping

Acessório de máquina da DMB cria ambiente propicio para a brotação da gema, reduzindo o número de falhas e a quantidade de mudas

Um melhor perfilhamento da cana, o aprimoramento e o barateamento do preparo do solo estão entre os principais benefícios que deverão ser proporcionados pelo sulcador com dispositivo destorroador, novo acessório da Plantadora de Cana Picada - PCP 6000 Automatizada, conforme demonstrou o engenheiro agrônomo Auro Pereira Pardinho, gerente de marketing da DMB Máquinas e Implementos Agrícolas, durante palestra que fez parte da programação do 20º Seminário de Mecanização e Produção de Cana-de-Açúcar. O evento, que é uma realização do Grupo IDEA, aconteceu nos dias 21 e 22 de março em Ribeirão Preto, SP. 

Esse acessório da plantadora automatizada cria um ambiente propicio para a brotação da gema o que reduz o número de falhas e a quantidade de mudas utilizadas no plantio. O novo sulcador possibilita que um colchão de terra, de aproximadamente quinze centímetros, abaixo do tolete e a camada usada como cobertura fiquem totalmente destorroados – exemplifica Auro Pardinho. O local onde ocorre o preparo e o plantio da muda de cana mantém a umidade por mais tempo – ressalta. 

“Em volta dos toletes, dá para verificar que o solo está molhado. E a medida que vai se afastando desse local, o solo fica mais seco”, compara.

Em sua palestra “Plantio Mecanizado: um Projeto de Engenharia e Qualidade”, o gerente de marketing da DMB lembrou que o lançamento da Plantadora de Cana Picada - PCP 6000 Automatizada, em 2014, teve dois objetivos: reduzir o consumo de mudas por área plantada e diminuir a “influência” do fator homem na qualidade do plantio. Ambos foram totalmente alcançados. 

Segundo ele, alguns fatores podem, no entanto, melhorar ainda mais os resultados proporcionados pela plantadora automatizada, como preparo do solo bem feito; pessoas envolvidas no processo, bem treinadas e a utilização de mudas de qualidade, que exige, entre outras medidas, o uso de colhedoras adequadas para essa operação.

Em relação ao preparo do solo, o sulcador com dispositivo destorroador possibilita, além da obtenção de melhores resultados, a simplificação dessa operação com a redução do número de gradagens. “Acredito que vamos ter surpresas quanto ao barateamento do custo do preparo do solo”, enfatiza.

De acordo com ele, o preparo do solo é um item que tem custo elevado, com grade aradora pesada, que precisa de trator de alta potência e grade intermediária que requer também trator de uma certa potência. “Vamos ter condição no futuro, com este sulcador, de fazer um preparo de solo mais barato, simplesmente eliminando a soqueira e iniciando as operações da plantadora”, avalia.

Haverá possibilidade de até mesmo suprimir a subsolagem, porque a haste do sulcador tem uma profundidade relativamente grande – observa – que pode chegar até quarenta centímetros de profundidade. Para isto, é preciso soltar mais o sulcador e usar um trator com potência, entre 220 a 240 hp, para puxar a plantadora. “Em condições normais, a haste com ponteira alada atinge, tranquilamente, 35 centímetros de profundidade”, diz. 

O lançamento comercial do sulcador com dispositivo destorroador será realizado na Agrishow 2018, que acontecerá em Ribeirão Preto, de 30 de abril a 4 de maio. O novo sulcador poderá ser adquirido com a plantadora ou separado, caso o produtor ou a usina já possua a PCP 6000 Automatizada. 

Perfilhamento da cana – O uso do sulcador com dispositivo destorroador na plantadora automatizada da DMB tem proporcionado um melhor perfilhamento da cana-de-açúcar, conforme dados divulgados por Auro Pardinho no 20º Seminário de Mecanização e Produção de Cana-de-Açúcar.

Essas informações são baseadas em ensaios que estão sendo realizados pela Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” (FCAV/ Unesp), campus de Jaboticabal, SP. Os trabalhos estão sendo supervisionados pelo professor do Departamento de Produção Vegetal – Fitotecnia, Miguel Angelo Mutton.

Em uma área, houve o plantio com preparo de solo convencional, que consiste na eliminação da soqueira com herbicida e uso da grade pesada, além do emprego de grade intermediária e subsolagem. Em outro local, ocorreu o preparo mínimo do solo, ou seja, a eliminação da soqueira e a realização da subsolagem antes do plantio – detalha Auro Pardinho.

A avaliação, nas duas áreas, inclui faixas onde ocorreu a utilização de plantadora automatizada com o sulcador convencional e faixas que tiveram o uso de máquina automatizada com o novo sulcador.

Os resultados preliminares demonstraram que nos locais onde houve o uso do acessório com o dispositivo destorroador foi registrado um maior número de perfilhos. E na área, que teve o preparo mínimo, comparado com o preparo convencional, a quantidade foi maior ainda – ressalta.

“Com o passar do tempo, há uma tendência desses perfilhos se igualarem. Porém, no início da brotação da cana, do perfilhamento, é importante esse arranque inicial maior. A partir do momento que a geminha brota do tolete, emitindo a parte aérea e o sistema radicular, a cana já começa a viver por sua conta. Não depende mais das reservas do tolete. Fica livre de ataque de fungos, de podridões, de doenças de solo”, comenta.

Esse rápido desenvolvimento inicial é muito benéfico, porque a cana absorve mais o adubo aplicado, sombreia mais a entrelinha, evita também a proliferação de ervas daninhas – diz. Com isto, há a garantia de um canavial mais vigoroso, sem falha – enfatiza.

Os benefícios não param ai. Como há, nesse caso, uma folhagem e um sistema radicular mais desenvolvidos, existe uma condição propicia para a cana perfilhar de maneira mais rápida, suportar possíveis veranicos, que possam ocorrer na sequência – explica.

“Uma caninha raquítica, com um pequeno perfilho aqui e outro ali, em um período de seca, fica definhando. Alguns perfilhos podem até morrer. Em compensação, uma cana forte sobrevive mais facilmente. Consegue suportar melhor as intempéries”, comenta.

Nesta fase inicial, o ensaio está avaliando só o perfilhamento. Mais adiante, começarão a ser analisados a altura de colmo (por enquanto ainda não tem colmo formado), número de colmos por metro – que nada mais são do que perfilhos nesta fase inicial –, crescimento e desenvolvimento do sistema radicular, informa. “Será avaliada, no final do ensaio, a produção, incluindo a quantidade de cana e de ATR por hectare”, observa.

A realização dos ensaios, que estão sendo desenvolvidos em duas unidades sucroenergéticas paulistas, foi iniciativa da própria DMB. “É importante ter a validação de uma instituição conhecida e respeitada como a Unesp”, afirma Auro Pardinho.


Fonte: CanaOnline