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Acordo com Índia sobre açúcar não terá efeito imediato

Postado em 30 de Janeiro de 2020

Apesar de o presidente Jair Bolsonaro ter afirmado que o Brasil poderá retirar a ação que move contra a Índia na Organização Mundial do Comércio por conta dos subsídios à produção e exportação de açúcar, o setor sucroalcooleiro não espera mudanças na política indiana para o produto num futuro próximo. Para representantes do setor, a visita de Bolsonaro àquele país serviu para marcar um início de uma nova postura da Índia, que com seus subsídios vem desregulando o mercado de açúcar e prejudicando outros países que são grandes produtores, como o Brasil, Austrália e Guatemala.

"Não será uma mudança imediata, mas é uma semente lançada. Pelas informações que eu tenho é que eles foram receptivos. Acho que o Brasil e a Índia podem trabalhar juntos e se conhecer mais", comentou o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha. Na capital indiana, Bolsonaro disse que o Brasil não vai exigir nada em contrapartida, caso atenda à solicitação do primeiro-ministros Narendra Modi de retirar a ação na OMC, mas o presidente ressaltou que seria importante que a Índia aumentasse sua produção de etanol.

Segundo Cunha, ao estimular a produção de etanol, a Índia deixaria de desestabilizar o mercado de açúcar, hoje com um preço 25,5% menor que há quatro anos, quando o país iniciou sua política de subsídios ao setor. "Menos açúcar (no mercado internacional) iria reequilibrar os preços internacionais. E eles passando a equilibrar a produção com etanol para mistura com o petróleo também ajudaria o país que é um importador de petróleo refinado sob a forma de combustíveis", disse Cunha, salientando que o reequilíbrio do preço do açúcar seria positivo para a criação de empregos na cadeia do produto.

O executivo defende, inclusive, que a mudança de foco para o etanol na produção de cana da Índia, poderia beneficiar bastante os produtores do Nordeste. "A nossa região tem um perfil consolidado muito açucareiro. Enquanto no Brasil 35% da cana produz açúcar e 65% etanol, no Nordeste 43% vai para açúcar e o restante para o combustível. Precisamos de preços mais estáveis", disse, descartando sobrepreço do produto, já que, segundo Cunha, os preços estão depreciados pela atuação da Índia. No geral, em 2019, o intercâmbio comercial entre Brasil e Índia foi de US$ 7,5 bilhões.

 


Fonte: Uol