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Açúcar e café testam novas mínimas em NY

A valorização do dólar em relação ao real em meio a quadros globais confortáveis de oferta e demanda derrubou as médias mensais dos contratos futuros de açúcar e café, que já estavam em baixos patamares, a mínimas que não se viam na bolsa de Nova York desde dezembro de 2007 e julho de 2006, respectivamente.

Cálculos do Valor Data baseados nas cotações dos papéis de segunda posição de entrega mostram que os dois produtos encerrarão agosto (o balanço foi fechado no dia 30) com quedas da ordem de 5% na comparação com a média de julho e de 22% em relação a agosto do ano passado (ver infográfico abaixo).

O Brasil lidera as exportações globais das duas commodities, e por isso a disparada do dólar em relação ao real pesa negativamente sobre os preços. Teoricamente, o fortalecimento da moeda americana é um estímulo para que o país amplie seus embarques e, com isso, infle a oferta mundial. De acordo com o Valor Data, a cotação média do dólar fechará agosto em alta de 2,4% em relação à média de julho.

Outro ponto em comum entre açúcar e café que aprofundou as baixas das médias mensais – o açúcar subiu ontem – é que nos dois mercados a oferta atualmente é abundante. No primeiro caso, graças a aumentos expressivos observados na Tailândia e, principalmente, na Índia – e apesar do recuo da produção no Brasil, onde as usinas estão privilegiando o etanol; no segundo, em boa medida em decorrência da safra brasileira recorde.

Suco de laranja e algodão, outras "soft commodities" muito exportadas pelo Brasil e referenciadas na bolsa de Nova York, também sentem o peso da valorização do dólar e recuam em agosto, mas se mantêm com ganhos expressivos em relação às médias observadas no mesmo mês de 2017. Particularmente no caso do algodão, a crise na Turquia, grande país importador, é o principal fator baixista da vez.

Os contratos futuros de segunda posição de entrega do suco encerrarão o mês com valor médio também quase 5% menor que o de julho, mas ainda quase 20% superior ao de agosto de 2017; no mercado de algodão, a queda mensal será da ordem de 3%, e os ganhos anuais superam os 20%.

O estímulo conferido às exportações brasileiras pela disparada do dólar em relação ao real também tem influência negativa sobre as cotações de soja e milho em Chicago, mas nesses casos a força das notícias que indicaram um arrefecimento nas disputas comerciais entre EUA e China falou mais alto.

Entre os principais grãos negociados em Chicago, o que mais tem acusado os reflexos dessas rusgas é a soja, já que a China lidera as importações globais da oleaginosa e os EUA só perdem nas exportações para o Brasil. Ainda está em vigor uma taxa de 25% imposta por Pequim sobre a soja americana, mas conversas recentes sinalizaram que a guerra pode estar se encaminhando para o fim.

Caso as cotoveladas comerciais perdurem, entretanto, a pressão baixista sobre os grãos vai continuar, até porque, nesse cenário, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) renovou suas estimativas de que haverá diminuição significativa nas exportações agropecuárias americanas ao país asiático.

De acordo com os cálculos do Valor Data, os contratos futuros de segunda posição de entrega da soja chegarão ao fim de agosto com valor médio mais de 2% superior ao de julho, mas ainda pelo menos 7% abaixo do resultado de agosto do ano passado. No mercado de milho, que tem o Brasil como segundo maior exportador, atrás dos EUA, a alta em relação a julho supera 3,5% e, assim, há valorização também na comparação com agosto de 2017, ainda que tímida.

Por Fernando Lopes, Cleyton Vilarino e Fernanda Pressinott


Fonte: Valor Econômico