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Açúcar e etanol: para onde vão os preços na segunda metade da safra atual? - Por Julio Maria M. Borges

Postado em 11 de Setembro de 2020

Esta safra está se mostrando positiva para o resultado econômico-financeiro das usinas. As taxas de juros são relativamente baixas e os preços relativamente altos

No período Abril/20 – Setembro/20, o etanol hidratado apresenta no Brasil canavieiro (CSUL e NNE) preços entre 8,0% e 11,5% abaixo da safra passada; no caso do açúcar, os preços são superiores, em torno de 15,5%-18,5%. Como consequência, o faturamento do setor em São Paulo, com aumento do mix açucareiro na safra, é 13,0% superior àquele do mesmo período da safra passada e os custos da safra devem ser menores.

Sob este aspecto, a Covid 19 não afetou negativamente o faturamento do setor. Aliás, esta é uma das consequências do Covid-19: afetará os setores de maneira desigual.

Mercado internacional/Economia global:

A consciência de uma recuperação lenta da atividade econômica começa a ganhar corpo. Prudência e cautela nas decisões de investimento ainda ocorrem. As eleições americanas podem trazer volatilidade ao “mercado” nos próximos meses. A vacina para  a Covid-19, ao invés de criar solidariedade na solução do problema, está se transformando numa “guerra fria” envolvendo Rússia, China e EUA. O pagamento da conta do Covid 19 para os governos e sociedade é uma questão em aberto.

Este é o momento atual da economia global, juntamente com a esperança de dias melhores. Tudo dependerá das lideranças políticas de cada País, que têm tido comportamento muito variado.

Câmbio:

A taxa de câmbio no Brasil nos últimos quatro meses oscilou entre 5,00 – 6,00 R$/US$. O ambiente político interno permanece de incertezas e esperança de dias melhores. Um “otimismo” cauteloso sobre algum compromisso fiscal por parte do Governo Federal e o andamento das reformas existe. Em contrapartida, há uma desconfiança da permanência do ministro Paulo Guedes no Governo Bolsonaro.

 Para onde vai o câmbio daqui para frente? Neste ambiente interno atual o intervalo acima referido é um cenário provável. 

Petróleo WTI:

Seguimos sem argumentos relevantes para sustentar o crescimento de preços no curto prazo em busca de US$ 50/barril. A esperança de dias melhores contrapõe-se a notícias negativas apoiadas no mundo real. A demanda de combustíveis do ciclo Otto dificilmente retoma níveis pré-Covid19 neste ano de 2020. O excesso de oferta global é fator baixista para preços. Preços de petróleo americano WTI em torno de US$ 40/barril é um cenário possível para os próximos seis meses.

Açúcar-NY:  

 Nos próximos dois meses o açúcar  pode ficar oscilando na faixa de 11,50-13,00 cents/libra peso. Após este período a faixa inferior deste intervalo pode ser rompida pois existe previsão de excesso da oferta global de açúcar. E este excesso pode ser grande : da ordem de 10 mi t.

Mercado interno/Região Centro-Sul:

Açúcar: a oferta de açúcar para o mercado interno está sendo restrita devido a exportações recordes previstas para esta safra. Isto dá suporte para preços que estão atipicamente altos no período Abril/20- Setembro/20 e remuneram adequadamente o produtor. No Estado de São Paulo, o preço médio do açúcar neste período alcançou R$ 70,60,00/saca 50 kg. Na safra passada foi R$ 59,60/saca no mesmo período.

Daqui para frente esperamos que os preços de mercado interno fiquem arbitrados com o mercado externo e incorporem algum prêmio de logística de exportação.  Dificilmente os preços serão menores que R$ 70/saca até o final da safra Março/2021.

Etanol: os preços no início da pandemia da Covid-19 caíram com muita força. Passaram de 2,15 R$/litro, sem imposto, para 1,25 R$/litro no início de Abril/20. Isto ficou em linha com o que aconteceu nos mercados de combustíveis líquidos pelo mundo afora. Por outro lado, a recuperação de preços também foi rápida: passaram de 1,25 R$/litro para 1,65 R$/litro no período Abril-Junho.

E daqui para frente? O que deve acontecer com os preços do etanol?

Tudo vai depender da recuperação da demanda de combustíveis no Brasil e no mundo. A oferta de etanol das usinas será menor nesta safra, o que ajuda a fechar o balanço de oferta-demanda. Contudo, é uma situação de incerteza, dado que o equilíbrio do mercado depende do tamanho da redução da demanda e da oferta. Por enquanto, este balanço sugere equilíbrio e viés de alta para preços.

No próximo dia 23 deste mês, vamos fazer a nossa segunda vídeo conferência para discutirmos o que esperar dos preços de açúcar e etanol. A discussão entre os participantes é muito rico para ajudar a pensar. Vamos em frente.

Julio Maria M. Borges é Sócio-Diretor da JOB Economia e Planejamento.   Conselheiro de Administração.


Fonte: Canal Rural