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Açúcar mantém preço mesmo com queda esperada do consumo

Postado em 22 de Junho de 2020

O açúcar fechou na bolsa de Nova Iorque ao equivalente a R$ 1,468 por tonelada, ou seja, quase R$ 90 por tonelada na semana

O mercado futuro de açúcar em Nova Iorque encerrou a sexta-feira, 19, com o vencimento julho/2020 negociando a 12.05 centavos de dólar por libra-peso, 17 pontos melhor do que o fechamento da semana anterior. “A volatilidade do real uma vez mais incentivou as usinas a prosseguirem – acertadamente, diga-se de passagem – na fixação de preços do açúcar de exportação para esta e para as safras seguintes”, salienta Arnaldo Corrêa, diretor da consultoria Archer Consulting.

Os preços obtidos nessas fixações, observa Corrêa, considerando para esse efeito a média simples dos fechamentos dos meses correspondentes de cada safra, ou seja peso igual para o maio/21, julho/21, outubro/21 e março/22, para a composição da média da safra 2021/2022 e assim sucessivamente, mostrou quase R$ 1,500 por tonelada para os três meses remanescentes da 20/21, R$ 1,478 por tonelada para a 21/22 e R$ 1,458 por tonelada para a 22/23.

Segundo o consultor, a aceleração na fixação de preços pelas usinas reafirma o alto grau de comprometimento na gestão de risco cada vez mais presente no dia-a-dia das empresas do setor. “A determinação, o profissionalismo e o foco que as empresas desenvolveram ao longo dos últimos anos trazem frutos no momento de abertura e renovação de linhas de crédito junto às instituições financeiras cada vez mais restritivas ao risco.”

Corrêa ressalta que, sejam por restrições creditícias, por dificuldades na administração do fluxo de caixa, normalmente apertado, ou ainda, por comodidade, muitas usinas fazem o hedge indiretamente (na conta da trading, ou via NDF, um contrato a termo de moeda com liquidação financeira, junto aos bancos, com provedores de OTC, etc). “Se pudessem usar opções com maior liberdade o valor agregado seria muito maior. No entanto, o ajuste diário é um fantasma que habita o imaginário de todo aquele gestor que já sentiu na própria pele a magnitude de destruição de uma chamada de margem. Nossa estimativa é que ao longo de uma safra, operações bem estruturadas usando calls (opções de compra) e puts (opções de venda) adicionam em média 6 dólares por tonelada.”

“Relatórios de diversos analistas conceituados ao redor do globo apontam que o consumo mundial de açúcar está caindo. A amplitude dos números é da mesma magnitude da incerteza que assola cada um de nós. Único fato é que o consumo de açúcar cai, bem como o de combustível. No entanto, os preços do físico seguem ora o caminho do mercado de petróleo, ora na trajetória oposta à da real. Esta semana foi bem isso. O real caiu 5.20% em relação ao dólar, mas o açúcar de curto prazo subiu, independentemente disso. O açúcar fechou ao equivalente a R$ 1,468 por tonelada, ou seja, quase R$ 90 por tonelada na semana”, informa o analista.

O Consultor observa que a Índia deve anunciar a nova política de exportação para a safra 2020/2021 que se inicia no próximo mês de outubro. A produção indiana é estimada em 31 milhões de toneladas de açúcar. A redução do consumo naquele país, em linha com o resto do mundo, somada ao acréscimo na produção de açúcar comparativamente à última safra, são componentes encorajadores para o aumento das exportações daquele país. Índia e Tailândia devem amargar uma retração na atividade econômica da ordem de 5.8 e 5.6%, respectivamente.


Fonte: CanaOnline com informações da Archer Consulting