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Açúcar mostra força e faz a festa das usinas

Postado em 16 de Dezembro de 2020

A produção e a exportação de açúcar caminham para bater recordes históricos nesta safra 2020/21. Os avanços refletem a decisão das usinas de aproveitarem a boa remuneração da commodity, assegurada principalmente pelo câmbio, e o empurrão do clima seco, que garantiu a evolução da colheita e uma qualidade da cana que não se via desde há sete temporadas. O cenário, entretanto, deverá mudar, já que o mesmo clima seco deverá provocar uma redução da moagem de cana na temporada 2021/21.

Segundo estimativas divulgadas nesta terça-feira pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), que representa as usinas do Centro-Sul, a produção de açúcar desta safra, que terminará em março, deverá alcançar 38,4 milhões de toneladas, um aumento de mais de 11,5 milhões de toneladas ante 2019/20, ou 43,5%.

Nova projeção da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), também divulgada nesta terça-feira, indicou 38,6 milhões de toneladas para o Centro-Sul, enquanto para todo o país a perspectiva é de uma produção de 41,8 milhões de toneladas --- um aumento de 40,4%.

Houve uma importante contribuição da melhora da qualidade da cana para o salto. O teor de sacarose --- o índice de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) --- deverá encerrar a safra no Centro-Sul em 144,70 quilos por tonelada de cana, o mais elevado pelo menos desde o ciclo 2013/14. Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da Unica, observou, porém, que naquela época a concentração de sacarose era favorecida pela prática da queima da palha, o que praticamente não ocorre mais na região Centro-Sul.

Segundo o diretor, 2,5 milhões de toneladas de produção adicional de açúcar decorreu desse aumento do teor de sacarose.

Também contribuiu para o incremento da produção o avanço da moagem de cana, que deverá fechar a temporada no Centro-Sul em 605 milhões de toneladas. Para a Conab, o processamento alcançará 610 milhões de toneladas na região e 665,1 milhões em todo o país.

A alta flexibilidade das usinas também foi um fator determinante para a proporção do crescimento de produção. De toda a cana moída no Centro-Sul, 46,04% deverá ser destinada à produção de açúcar (ante 34,33% na safra passada).

Com isso, a produção de etanol tende a encerrar a safra com queda de 8,4% no Centro-Sul, para 30,4 bilhões de litros, na estimativa da Unica. A Conab previu volume semelhante para a região e 32,8 bilhões de litros para o Brasil.

Com a maior oferta de açúcar, o Brasil também deverá embarcar um volume recorde. Para o ano civil de 2020, a Unica estima que serão exportados 31 milhões de toneladas, o pico da década.

Até novembro, os embarques da commodity renderam US$ 8 bilhões, uma alta de 67%. O volume exportado aumentou 70% no mesmo período, para 27,98 milhões de toneladas. A China, que retirou as salvaguardas às importações do produto brasileiro em maio, voltou a ser o principal destino.

Segundo Eduardo Leão, diretor da Unica, esse crescimento fez o Brasil ocupar 50% das exportações mundiais de açúcar --- "o que conseguimos poucas vezes nos últimos anos", disse.

Para a temporada 2020/21, a Conab estimou que os embarques vão superar o recorde alcançado ao longo da safra 2016/17, de 28,3 milhões de toneladas.

Mais robustas, as exportações de açúcar ajudaram o segmento a registrar, do início do ano até o momento, um superávit comercial de US$ 9,42 bilhões. "Isso sem considerar o que evitamos em importações de gasolina com o etanol anidro e o hidratado", afirmou Padua.

Os embarques de etanol também cresceram e garantiram uma receita cambial até novembro de US$ 1,081 bilhão, um incremento de 17%. Em volume, foram embarcados 2,43 bilhões de litros, um aumento de 36%.

Metade das exportações de etanol foi destinada para uso não carburante, estima Padua, o que indica um aumento da demanda pelo álcool para fins sanitários para conter os contágios com coronavírus.


Fonte: Valor Econômico