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Açúcar tem forte baixa em NY, mas déficit global é fator de suporte

Postado em 11 de Março de 2020

A forte queda das cotações do petróleo, provocada pela decisão da Arábia Saudita de cancelar seus cortes de produção após divergências em reunião da Opep, entidade que reúne os países exportadores da commodity, contaminou os mercados agrícolas e tirou sustentação sobretudo do açúcar na bolsa de Nova York e do milho em Chicago.

Quem mais sentiu o golpe foi o açúcar, tendo em vista que a queda do petróleo poderá gerar baixa dos preços da gasolina no Brasil e tirar competitividade do etanol. Se isso de fato acontecer, dizem analistas, as usinas da região Centro-Sul do país poderão produzir ainda mais açúcar que o previsto na safra 2020/21, que terá início em abril.

Diante dessa possibilidade, os contratos futuros do açúcar de segunda posição de entrega (julho) caíram 3,4% ontem na bolsa de Nova York e fecharam a 12,58 centavos de dólar por libra-peso. No início da sessão, a queda superou 5%.

Apesar das incertezas geradas pela decisão saudita, Matheus Costa, analista da consultoria INTL FCStone, ponderou que o espaço para novas fortes quedas do açúcar está limitado pela expectativa de déficit no balanço global de oferta e demanda desta safra internacional 2019/20, determinado por menores ofertas de Tailândia e Índia.

Em Chicago, os futuros do milho, usado para a fabricação de etanol nos EUA e, de forma crescente, também no Brasil, abriram em queda superior a 2%, mas reverteram parte da perda durante o dia, porque a maior parte da produção mundial do grão é usada para alimentação humana e de animais - nesse caso, são mais preocupantes, no momento, os efeitos da proliferação do coronavírus sobre a economia global. Os papéis para maio caíram ontem 0,9%, a US$ 3,7275 por bushel.

Apesar do “fator alimento”, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Estado que lidera a produção de etanol do cereal, vê queda de preços do grão ante a baixa do petróleo.

 


Fonte: Valor Econômico