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Adama projeta faturar 20% a mais no mercado brasileiro neste ano

A subsidiária brasileira da Adama, empresa de agroquímicos de origem israelense e controlada pela ChemChina, deverá faturar US$ 700 milhões em 2019, um crescimento ao redor de 20% em relação aos US$ 582 milhões de 2018.

"Meu grande desafio é continuar crescendo no mercado. Temos a expectativa de romper neste ano a barreira dos US$ 700 milhões de faturamento", disse Romeu Stanguerlin, que assumiu as operações da Adama Brasil ontem, ao Valor. O executivo ocupava o cargo de diretor de marketing da empresa desde 2014. Antes disso, trabalhou por 22 anos na Syngenta – múlti suíça também controlada pela Chem China.

O crescimento esperado para o ano é significativo, mas é inferior ao observado em 2018. "Tivemos um crescimento ao redor de 30% em relação a 2017. Bem acima do mercado, que a gente estima que tenha crescido cerca de 20%", disse Rodrigo Gutierrez, que era o presidente da Adama Brasil até sexta-feira e que, desde ontem, é o novo vice-presidente da companhia na América do Norte. Gutierrez ficará sediado em Miami, nos Estados Unidos.

Considerando também os negócios que a matriz da Adama fez diretamente para o Brasil, as vendas da empresa no país superaram US$ 647 milhões em 2018. A receita global da companhia somou US$ 3,9 bilhões no ano passado, 10,2% mais que em 2017.

Neste ano, os resultados tendem a ser beneficiados pelo fato de a Adama ter incorporado fábricas da Chem China a suas operações. "E, no ano passado, a gente conseguiu aprovações regulatórias no Brasil, o que beneficiou os resultados", afirmou Gutierrez. Essas aprovações dizem respeito à origem de ingredientes ativos presentes nas formulações de agroquímicos. A fábrica que fornece a matéria-prima ativa tem de estar listada no registro do produto, e mudanças nesse quesito não são automáticas.

Num contexto mundial de restrição de matérias-primas na China, em decorrência do fechamento de fábricas que não seguiam normas ambientais, ter unidades próprias no gigante asiático traz benefícios estratégicos. "A gente está começando a colher resultados da integração com a China", disse Gutierrez.

Nos Estados Unidos, contou Gutierrez, a missão dele será estabelecer parcerias com distribuidores num mercado extremamente concentrado e que difere muito do mercado brasileiro. "A Adama ainda tem dificuldade para ter acessos aos agricultores nos Estados Unidos. É um mercado no qual as empresas de pesquisa têm participação muito forte", disse. "Mas uma facilidade grande é não lidar com a volatilidade cambial. Lá, um dólar é sempre um dólar", brincou.

O executivo também destacou que a velocidade de obtenção de novos registros de produtos na América do Norte é muito maior que no Brasil, o que deve facilitar seu trabalho. "Mas terei de encontrar maneiras para o agricultor perceber o valor desses produtos, apesar de rede de distribuição ser altamente concentrada", ponderou.

No Brasil, a Adama está entre as cinco maiores empresas do segmento de agrotóxicos e, atualmente, o país responde por cerca de um quinto da receita global.

Por Kauanna Navarro

 


Fonte: Valor Econômico