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Adiada a decisão sobre cota de etanol

Postado em 27 de Agosto de 2020

Depois da pressão do setor produtivo e da articulação liderada pelo Ministério da Agricultura, a discussão sobre a renovação da cota de importação de etanol dos Estados Unidos sem tarifa foi retirada da pauta da reunião desta quinta-feira do Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex), segundo fontes do setor. A permissão para a compra de até 750 milhões de litros do biocombustível americano sem incidência do imposto de 20% vence no fim do mês.

Representantes da indústria e dos produtores de cana mantêm a atenção para “evitar surpresas” na pauta, apesar da disposição do ministro da Economia, Paulo Guedes, de apoiar o pleito nacional, segundo uma fonte familiarizada com o assunto.

O deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) coleta assinaturas de parlamentares para subscrever um ofício, que deve ser encaminhado ao presidente Jair Bolsonaro, para reforçar o pedido para aplicação da Tarifa Externa Comum (TEC) sobre todo o etanol importado.

A discussão sobre o tema tem envolvido diversos ministros e chegou até o Palácio do Planalto, devido ao alinhamento do governo Bolsonaro com os Estados Unidos. A opção do presidente americano, Donald Trump, de não sobretaxar o aço brasileiro também reforça o alerta dos produtores brasileiros. O temor é que o Brasil queira responder com nova concessão ao etanol.

O setor produtivo brasileiro não aceita a renovação da cota e quer a taxação de todo etanol americano importado. Uma proposta levantada como contrapartida pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina, foi a retirada das tarifas pelos Estados Unidos para importação do açúcar brasileiro.

As negociações, no entanto, não evoluíram. O tema é sensível, ainda mais em período pré-eleitoral nos Estados Unidos. “Livre comércio pressupõe uma via de mão dupla. Em não havendo, não faz o menor sentido fazermos concessão nesse momento. O Brasil tem que olhar para a produção brasileira, que já está super fragilizada neste momento de pandemia”, disse uma fonte da indústria sucroalcooleira. ”Há riscos, mas estamos confiantes. Os EUA estão jogando pesado”, acrescentou.

O peso político do Estado de Iowa, grande produtor de etanol de milho, sustenta a pressão para que Washington insista no pleito.


Fonte: Valor Econômico