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Adotar novas estratégias de colheita em tempos de crise pode reduzir custos e salvar usinas

Postado em 29 de Abril de 2020

Redimensionar frentes, reduzir raio médio e bisar canaviais de baixa produtividade foram algumas das técnicas recomendadas durante webinar realizado pelo Grupo IDEA

Em meio a uma das piores crises do setor canavieiro nacional, o Grupo IDEA realizou na última quarta-feira (22) um webinar que discutiu estratégias de colheita passiveis de serem adotadas em tempos de crise. Mediado pelo presidente da consultoria, Dib Nunes Jr., o encontro reuniu importantes nomes do segmento, que forneceram dicas valiosas para que a indústria possa receber uma matéria-prima de qualidade e colhida com o menor custo possível.

Para Dib, o setor sucroenergético vive uma das maiores crises de sua história. Segundo ele, muitas usinas não sabem se chegarão “vivas” até o final da safra. “Quando achávamos que tínhamos atingido o fundo do poço, somos surpreendidos com dois novos fatos muito prejudiciais: a pandemia do novo Coronavírus (Covid-19), que diminuiu a circulação de pessoas e, consequentemente, o consumo de etanol combustível; e a queda abrupta do preço do petróleo no mercado mundial.”

O presidente do Grupo IDEA explica que a grande dificuldade enfrentada no momento ocorre pela falta de caixa, ocasionada pela queda na demanda de etanol. “Muitas vezes, o álcool não fica nem três dias estocado nos tanques das unidades e já é vendido, o que ajuda o fluxo de caixa. Fato que já não se repete mais.” Neste momento de grande dificuldade, Dib recomenda que os profissionais do setor “saiam da caixa”. “O momento pede mudança radical nos procedimentos e adoção de estratégias que permitam diminuir ao máximo nossos custos.”

A primeira dica do consultor é trabalhar com distância mais curtas, chegando até mesmo a descartar a colheita em canaviais mais distantes da unidade agroindustrial. A alternativa deverá resultar em mesma produção, porém, com menor uso da frota. “A matéria-prima também deve ser colhida no melhor momento e não sacrificando sua idade pensando em melhorar os níveis de TCH (Toneladas de Cana por Hectare) da safra seguinte.”

O sócio da AGROABDO Consultoria, Fabiano Pimenta, frisou a importância do planejamento durante o webinar. De acordo com ele, dada as atuais circunstâncias, a única alternativa é colher com o menor custo possível. Para alcançar esse objetivo, ele recomenda rodar o mínimo possível com os equipamentos, manter raio médio e ter visão tática. “Posso, por exemplo, analisar a possibilidade de reduzir ou juntar frentes de colheita. Ou ainda colocar uma máquina para colher duas linhas em áreas que vão para reforma.”

Outra alternativa para as usinas, na visão de Pimenta, é a de se juntar com outros players para trocar ou vender cana-de-açúcar. “Como está todo mundo no mesmo barco, temos que remar para o mesmo lugar. Se deixarmos o orgulho de lado e sentarmos para trocar e vender matéria-prima todos sairão ganhando.”

Para o engenheiro agrônomo Guilherme Guiné, gerente de produtos da Solinftec, regionalizar as frentes de colheita permitirá reduzir o tempo ocioso das máquinas, que não precisarão ficar se deslocando grandes distâncias ao terminar a colheita em determinada fazenda. Postergar a colheita de canaviais que podem ser bisados, trabalhar com turno estendido – a fim de reduzir o contingente de colaboradores - e replantar áreas de baixa produtividade – desde que não estejam com problemas de pragas, doenças e plantas daninhas - são outras estratégias recomendadas pelo profissional.

Por Leonardo Ruiz


Fonte: CanaOnline