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AFCP renova acordo para agricultores usar cana melhorada sem pagar royalties

Postado em 12 de Agosto de 2020

Entidade canavieira renova acordo com rede de pesquisa desenvolvedora de variedades de cana melhoradas geneticamente e mais utilizadas pelos agricultores do NE. A parceria com a Ridesa permite o uso das variedades pelos canavieiros sócios da AFCP por mais cinco anos, sem o pagamento de royalties

Ao invés do pagamento de royalties de até R$ 300 por hectare pelo uso da cana melhorada geneticamente, como cobrado no centro-sul do Brasil, os produtores vinculados à Associação dos Fornecedores de Cana de PE (AFCP) continuarão usando as melhores variedades de cana para região sem essa cobrança por mais cinco anos. O acordo acaba de ser renovado entre a AFCP e a Rede Interuniversitária para Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa), através da Estação Experimental de Cana-de-Açúcar do Carpina, que pertence à Universidade Federal Rural (UFRPE).

“Assim como acontece em todo Brasil, como no centro-sul onde outros centros de pesquisa cobram royalties de R$ 100 a R$ 300 por hectare pela nova variedade de cana criada e usada pela maioria dos produtores daquela região, a Ridesa, rede responsável pela melhoramento genético e propriedade intelectual da maioria das variedades de cana usadas no Nordeste, também cobra os royalties dos canavieiros locais, com base na mesma Lei Federal de Cultivares (9.456/1997). A renovação da nossa parceria técnico-econômica com a Ridesa isenta nosso associado dessa cobrança até 2025”, conta Alexandre Andrade Lima, presidente da AFCP.

Para Djalma Euzébio, coordenador da Ridesa em PE, a implantação dos convênios com as unidades agroindustriais e associações canavieiras ajuda no financiamento dessas pesquisas para o desenvolvimento de novas variedades da cana, as quais são indispensáveis para o aumento da produtividade e do ATR (indicador importante para a definição do preço da cana). “Nossas estações de cruzamento de variedades da cana, esta que são usadas pelo país, estão aqui no NE, especificamente em Pernambuco e em Alagoas”, fala o pesquisador, que também lidera a Estação Experimental de Cana-de-Açúcar do Carpina, da UFRPE.

A parceria com a Ridesa permite a utilização das variedades da série RB, as quais estão mais adaptadas às questões hídricas, doenças e às pragas dos canaviais do Nordeste. A propriedade intelectual da RB é da Ridesa, como as séries RB 92579 e 041443, as mais utilizadas na região. “Estas duas variedades são as mais populares entre os nossos fornecedores associados porque geram alta produtividade, tem resistência a algumas doenças, tem fácil manejo e produzem um alto teor de ATR”, esclarece Andrade Lima.

De todas as variedades usadas nos canaviais pernambucanos na última safra, um relatório recente da Ridesa/UFRPE monstra que a RB 041443 atingiu 29% da prioridade no plantio de verão e 17% no plantio de inverno. O percentual é ainda maior quando contabilizada todas as variedades RB utilizadas na safra passada, alcançando 54% no verão e 44% no inverno. Em relação à colheita, o quantitativo também foi amplo. Cravou em 50%. A perspectiva para a nova safra é de aumento. O indicador chega a 60%.

 


Fonte: ALEXANDRE ANDRADE LIMA - PRES AFCP