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AgroNegócio criado em 1957 versus Nova Forma atual e futura - Por Antonio Iafelice

Postado em 24 de Agosto de 2020

AgroNegocio termo criado em 1957 versus Nova Forma atual a condicionar o Futuro: somos +de 40% do PIB

Fazendo uma analogia entre os fundamentos e definições na criação do "AgroNegócio" em Harvard pelos Professores John Davis e Ray Alan Goldberg em 1957, primeiramente para os USA , e dali ganhou mundo, o sistema ali descrito, formas de operar, cadeia de valor e fluxo de produtos, foram evoluindo paulatina e lentamente, e, se esgotou em si mesmo, utilizado até meados do ano 2002, e seguindo até os dias de hoje pois a maioria não se apercebeu das mudanças que ja vinham ocorrendo, e, estas numa velocidade de nova era, e muitos acomodados e por desconhecimento, seguindo no modelo antigo, quebraram, saíram do negocio, e, outros quebrarão. Mais de 450 empresas e uma miriade de produtores mundo afora, e, o sistema financeiro internacional perderam bilhões de dólares, estão ora tendo que sair do negocio e o sistema financeiro esta agora se afastando de financiar "commodities" pois não tendo como avaliar o risco envolvido e nem saberem quem sobrevivera ou não pois ha ainda teimosos ou vesgos que perecerão uma vez que desde 2009 , logo após o debacle de 2008, deu-se inicio da "Nova Forma" atual, de origem chinesa-européia, a condicionar o futuro e todas as operações.

O Brasil aderiu não por moto próprio, mas sempre por consequência, como disse Caio Prado Júnior depreende-se da sua obra História Contemporânea do Brasil: uma vez colônia, sempre colônia: sempre servidores e nunca servidos, assim apresentamos a debate, a comparação preliminar do "AgroNegocio" de 1957 com a Nova Forma, mundo atual .Se a criação do modelo foi americana em 1957, a Nova Forma teve forte inspiração chinesa, com precedentes europeus de suas cooperativas e indústrias líderes de agroquímicos e outros: como comparar analiticamente e elencando , europeus e japoneses trazendo ja no bojo da Nova Forma , a conscientização dos mercados e consumidores para os conceitos de salvar o planeta, não poluir, rastreabilidade, sustentabilidade, flexibilidade, interconecção total, colocando um fim nos intermediários no processo, dantes chamados de Tradings, que perderam seus papeis.

Nesse modelo, assumindo as boas que se anteciparam entendendo bem o movimento, assumiram o papel de bons prestadores de serviços integrados, viraram bancos, empresas de logística, enfim fazem a ponte da produção entre chamados agroruralistas, ou seja fazendeiros que tem a função de apenas produzir na agricultura, com os demais serviços como descreve Ray Goldberg e John Davis na definição correta de AgroNegocio.

Estudei com o Prof Goldberg, fiz e fizemos juntos alguns trabalhos muito interessantes neste setor e que ajudaram muito a entender um pouco melhor o contexto geral e global.. E Estudei em trabalhos que poderiam ser chamados de pós doutorado pela profundidade e abrangência, com o Phil Rosenzweig do IMD Suíça , e com Teng, Amin, Jennifer na CKGSB China em 2016/17 esse modelo atual ora super evidenciando a tendência e nova onda criada e aqui não percebida quanto a profundidade, até que "criaram" o "agente Covid 19" e toda esta pandemia e pandemônio.

Quanto as finanças mundiais , não acredito estejamos vivendo um mundo novo apenas nos últimos três anos apenas, e , sim e também como consequência do debacle de 2008, acentuado nestes últimos três anos.As toneladas de dinheiro que as nações colocaram no mundo nos últimos 12 anos, reverbera até hoje e com mais intensidade chegou na nossa realidade, juros negativos. Não existe na historia de finanças no mundo, pelo menos nos últimos 5.000 anos, nada sequer próximo do que estamos vivenciando. O cidadão ter que pagar para emprestar dinheiro para o banco, este ultimo, que recebe por tomar emprestado. Total "non sense".

O que demonstra que o modelo financeiro mundial apresenta fortes sinais de exaustão e indicativo de colapso, só não sei precisar quando isso ira acontecer, mas constitui-se num processo dinâmico e ja esta também ocorrendo na era da NOVA FORMA, a busca de ativos e de investimentos seguros pois na base, como temos no AgroNegocio aqueles que tiverem visão e ousadia para darem o passo, pois somos senhores desses ativos e destas oportunidades do capital perdido investirem melhor e mais, seguindo o modelo prudente e bem feito. Como disse Alan Greespan quando perguntado: " Nesse mundo de intensa volatilidade e de politicas insanas dos bancos centrais do mundo todo, o que você (Alan) faria se ainda fosse o presidente do FED ? Ao que Greenspan respondeu: " eu pediria demissão ! ". Ele foi presidente do FED Americano de 1987 a 2007, e, para mim é uma das pessoas mais iluminadas e experiente vivas na atualidade, para tentar esclarecer essa confusão que o mundo ora vivencia, no intuito de lançar uma luz sobre o futuro da economia mundial.

Compartilho o ótimo estudo que faz com perfeição a ponte entre a historia, passando pelo Ray Goldberg e John Davis, até os dias de hoje, da pós doutorada e brilhante Prof Dra Maria Luisa Mendonça da UERJ publicado em 2015 sob o titulo "O Papel da Agricultura nas Relações Internacionais e a Construção do Conceito de Agronegócio", que recomendo lerem caso tenham curiosidade de conhecendo a história poder chegar melhor ao entendimento do presente e o que se pode esperar do futuro. O artigo analisa o papel da agricultura nas relações internacionais, particularmente a partir da disseminação mundial do modo de produção denominado agronegócio. O conceito de agronegócio está relacionado a um conjunto de medidas impulsionadas por governos e instituições privadas que intensificaram a industrialização e a padronização da agricultura em nível internacional. No período posterior à Segunda Guerra Mundial, verifica-se um processo de expansão do comércio agrícola impulsionado pelos Estados Unidos, que é acompanhado pela aceleração da industrialização da agricultura. O aumento da produtividade de grãos gera uma demanda crescente por investimentos para cobrir custos com mecanização, o que resulta na criação de diversas políticas governamentais de subsídios internos e também para exportação.

A mecanização e o uso de insumos petroquímicos aumentam os custos da produção agrícola baseada em monocultivos e geram endividamento do setor. O apoio estatal para o agronegócio resultou no aumento da concentração de capitais, que se verifica através do papel que empresas multinacionais exercem, principalmente no mercado de insumos agrícolas e na comercialização internacional de commodities.Tanto historicamente quanto na atualidade, a agricultura tem exercido papel central nas relações internacionais. Principalmente a partir do período posterior à Segunda Guerra Mundial, verifica-se um processo de expansão do comércio agrícola mundial impulsionado pelos Estados Unidos, que é acompanhado pela aceleração da industrialização da agricultura e pela disseminação internacional do sistema de produção denominado agronegócio.

A publicação traz como premissa central a ideia de que o campo estaria passando por grandes transformações a partir de uma "revolução tecnológica", tendo como base o "progresso" científico utilizado na agricultura. Sob essa perspectiva, seria necessário formular políticas públicas de apoio à grande exploração agrícola diante do aumento dos custos de produção, transporte, processamento e distribuição de alimentos e fibras.

Os autores argumentam que o conceito de agricultura como parte integrante da indústria já teria existido há 150 anos quando, além de alimentos, os camponeses produziam seus próprios equipamentos, insumos, combustível, moradia, roupas e utensílios domésticos. A principal mudança observada nas "fazendas modernas" é que deixaram de ser autossustentáveis e passaram a ter função comercial, com sua produção baseada em monocultivos.

Atividades como armazenamento, processamento e distribuição foram transferidas para outras empresas, que também passaram a produzir produtos industriais utilizados neste modelo agrícola, como tratores, caminhões, combustível, fertilizantes, ração, pesticidas, entre outros. Surge então a proposta de se utilizar o termo "agronegócio", pois, segundo os autores, "nosso vocabulário não acompanhou o ritmo do progresso". Este "progresso", descrito no livro, significaria que "nossas fazendas não poderiam operar nem por uma semana se estes serviços fossem cortados" (DAVIS; GOLDBERG, 1957, p. 2).

O "ímpeto da mecanização agrícola" (DAVIS; GOLDBERG, 1957, p. 7) significava uma dependência crescente de produtos produzidos por segmentos da indústria, com destaque para máquinas, tratores e fertilizantes químicos, para compensar o esgotamento da fertilidade do solo. Este processo demandava grande quantidade de energia e estimulou a expansão da produção de petróleo. Ao mesmo tempo, a indústria genética e farmacêutica desenvolvia sementes transgênicas e métodos de inseminação artificial, o que aprofundava, por um lado, a segmentação da produção agropecuária e, por outro, a construção de grandes monopólios industriais que se apropriavam da renda da terra.

Como parte do que formaria o chamado agronegócio, os autores incluem proprietários de terra e indústrias, associações de empresa, rios, instituições de pesquisa, universidades, grupos de lobby, além do governo, que assumiria função de apoiar estudos e políticas de regulamentação e comércio.O agronegócio representaria entre 35% e 50% da economia estadunidense, em 1957 nos ensinou Ray Goldberg e John Davis, e essa é a tese que sustentamos e defendemos até hoje, e, ,não apenas os 22% que o nosso governo ansioso por nos taxar, e, não incentivar a nossa agroindustrialização deveria fazer. Os USA migraram e evoluíram para serem o que são para uma Sociedade de Serviços na escala Econômica, enquanto que a Agricultura pura e simplesmente ou a mineração por exemplo, são setores primários na Economia, como a maioria do nosso caso, salvo algumas brilhantes exceções. O restante do mundo caminhou, e, nos temos um bom caminho para irmos evoluindo e ficando cada vez mais seguros e melhores.

A China mexeu no tabuleiro de comando e controle, e, isso foi o que assustou aos americanos que evoluíram de tal forma a serem uma sociedade de serviços se descuidando quanto a produção sob a égide do superado e modificado modelo de globalização promovido por eles, na sequência do Plano Marshall, sempre no tom ''ajuda do Tio Sam" para o progresso, em planos que sempre tinham por objetivo ajudar a eles próprios. Nada errado americanos, chineses, e outros, cuidarem dos seus países e dos seus interesses, liberdade de ação e dever para com seus cidadões.

O Brasil apenas tem que aprender com urgência a fazer o mesmo, senão perderemos mais uma década, como temos insistido e escrito. Até que não deu mais certo, o Império do Meio apareceu, porém apareceu o Trump também, a tentar ganhar tempo, uma sobrevida.A Onda Amarela disse Nostradamus ! Meio tarde para derrotar e ou tentar impedi-los, o modelo ja esta estabelecido, e, até vacinas são chinesas ...são um sucesso, e, tudo obtido na inteligência e com muito trabalho, lembrando que riquezas não se criam por decreto, mas por competência e disciplina e muito planejamento bem executado, mais do que America First, antes a 5.000 anos ja havia o "China First", questão de competência e inteligência, diligencia e resiliência, e, assim o mundo terá que compor e se organizar dentro das novas regras, tendencias e possibilidades.

Estamos prontos para virar e jogar esse bom jogo, temos todas as condições para termos um novo Brasil, como temos insistido.

Antonio Iafelice

 


Fonte: Antônio Iafelice