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Agronegócio é o propulsor socioeconômico de Mato Grosso do Sul

Postado em 14 de Outubro de 2019

Mato Grosso do Sul tem na agropecuária uma de suas maiores forças econômicas. De acordo com levantamento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o estado tem 12 cidades entre os 100 principais municípios agropecuários do país. O ministério baseou seu trabalho na variação do Produto Interno Bruto (PIB) municipal apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entre 2014 e 2016.

Colocando em números o tamanho da produção agrícola, segundo a Federação Agricultura e Pecuária Mato Grosso do Sul (Famasul), a área de soja na safra 2018/2019 em Mato Grosso do Sul alcançou a marca de 2,900 milhões de hectares, o que equivale, aproximadamente, à extensão territorial da Bélgica, que é de 3 milhões de hectares.

Força que também é traduzida em geração de renda e desenvolvimento. O G1 conversou com alguns dos principais municípios agropecuários de Mato Grosso do Sul e mostra a importância do agro para essas cidades.

Maracaju é o primeiro lugar do estado na lista do MAPA e 15° no Brasil. "A economia do município é impossível de desvincular do agronegócio, a interferência é direta em vários setores. Maracaju só é o que é hoje pelo agro", diz Frederico Felini, secretário de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente da cidade. Ainda segundo o secretário, em época de colheita, a injeção de recursos na economia de Maracaju chega a R$ 1 bilhão.

O município tem aproximadamente 283 mil hectares de soja plantada, 250 mil hectares de milho e 60 mil hectares de cana-de-açúcar. De acordo com o sindicato rural de Maracaju, a cidade é a maior produtora de milho do estado na safra deste ano e foi a maior produtora de grãos no ano passado. Foram mais de 817 mil toneladas de soja e 1,5 milhão de toneladas de milho colhidos na safra 2018/2019, ainda segundo dados do sindicato rural e da Famasul.

Números que refletem também na geração de empregos de Maracaju. Conforme o secretário de Desenvolvimento Econômico, o município tem um saldo positivo de 463 vagas abertas em 2019, o quinto melhor resultado de Mato Grosso do Sul no ano.

Em 27° lugar na lista dos principais municípios produtores agropecuários do país e em 4º no estado , está Sidrolândia. De acordo com o sindicato rural, o município é o segundo maior produtor de grãos no estado, com 195 mil hectares de área plantada de milho safrinha (produção de 75 a 85 sacas por hectare) e 215 mil hectares de soja (produção de 48 a 50 sacas por hectare).

A cidade ainda se destaca na produção de aves, com 8 milhões de cabeças - líder do ranking estadual - e na produção de ovos, com 6 milhões de dúzias, a segunda maior de Mato Grosso do Sul. Os números elevados também fazem Sidrolândia ter, no agro, o grande aliado para geração de empregos.

Conforme o sindicato rural do município, 22% dos empregos gerados na cidade vêm diretamente do campo. Colocando as agroindústrias na balança, o número deve mais que dobrar, já que, ainda segundo a entidade, 30% dos postos de trabalho - cerca de 2.600 - vêm das indústrias. Aproximadamente 2.000 deles são da Seara, empresa do setor agropecuário. Com isso, o número de empregos gerados direta e indiretamente pelo agro em Sidrolândia pode chegar a pouco mais de 4 mil.

Progresso do município que foi acompanhado pelo seu Ari Basso. Vindo do Rio Grande do Sul, o senhor de 72 anos chegou à cidade em 1973. Mesmo com a experiência em lavouras no Sul do país, a primeira colheita na propriedade não cresceu e Ari teve 400 hectares de produção perdidos. Foi quando ele percebeu que teria de fazer correção de solo.

"No ano seguinte já começamos a colher, e, desde então, foi só melhorando. Quando cheguei, Sidrolândia era um campo nativo, com cinco ou seis lavouras começando e hoje é uma potência em Mato Grosso do Sul", conta, em entrevista por telefone.

Seu Ari ainda diz que a produção mudou totalmente. "Na época quando se colhia bem era 30 sacas, hoje colhe entre 70 e 80 sacas. Mas também o custo da lavoura hoje é mais alto, nem se compara. Acho legal que sempre convivemos com secas, chuvas, veranicos, mas felizmente nunca tivemos problemas para tirar o sustento do agro", comenta.

O homem de 72 anos acompanhou também todo o desenvolvimento do município. "Quando comecei a cidade tinha só seis mil habitantes, hoje tem quase 60 mil e só crescendo. Em todas as ruas vejo casas reformando ou construindo e o município continua crescendo, muito por conta do agronegócio".

Outra cidade que também respira o agronegócio é Chapadão do Sul. De acordo com o sindicato rural do município, 70% da população de cerca de 32 mil habitantes vive da agricultura, ou seja, aproximadamente 22 mil pessoas.

O município ocupa a 77ª colocação no ranking das principais cidades com produção agropecuária do Brasil e a 8ª no estado. A agricultura empresarial é destaque, com as principais culturas sendo soja, que tem 60% da área plantada do município, e o milho, com 20%. Destaque também para indústrias de algodão e ração para confinamento de gado.

O município possui, ainda, grandes empresas instaladas, como SLC Agrícola, Grupo Schlatter, Fazenda Indaiá e Grupo Duch, além da Usina IACO Agrícola, de açúcar e álcool. Isso faz com que a arrecadação de impostos da cidade seja, em grande parte, vinda do agro.

Segundo Itamar Mariani, secretário de Finanças e Planejamento (SEFIP) de Chapadão do Sul, o município arrecada pouco mais de 70% de Imposto Sobre Serviços (ISS) vindos do agro, cerca de R$1,1 milhão. Ainda recebe do agronegócio entre 45 a 55% de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), valor que chega a aproximadamente R$ 2,7 milhões para a prefeitura.

A arrecadação com Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) também tem importante participação do agro em Chapadão do Sul, com aproximadamente R$ 31 milhões - cerca de 70% - dos R$ 45 milhões recebidos pela prefeitura. No total, apenas de impostos vindos do agro, o secretário diz arrecadar mais de R$ 40 milhões em 2019, que devem ser aplicados em melhorias do município.

Confira os 12 municípios do estado que fazem parte do grupo dos 100 maiores produtores agropecuários do país e sua classificação neste ranking do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA):

15º lugar – Maracaju
23º lugar – Ponta Porã
24º lugar – Rio Brilhante
27º lugar – Sidrolândia
28º lugar – Dourados
49º lugar – Costa Rica
69º lugar – São Gabriel do Oeste
77º lugar – Chapadão do Sul
82º lugar – Nova Alvorada do Sul
90ºlugar – Caarapó
95º lugar – Aral Moreira
96º lugar – Laguna Carapã

 


Fonte: Portal G1