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Agrotechs estão em crescimento acelerado mas ainda precisam de investimentos

Postado em 2 de Outubro de 2019

O principal estudo sobre o tamanho da inovação no agronegócio brasileiro, o Radar AgTech 2019, mapeou 1.125 empresas que investem em melhorias e tecnologia para o campo. As startups foram divididas em três categorias: antes da fazenda, com 197 empresas classificadas, dentro da fazenda, somando 398, e depois da fazenda, grupo com 530 empresas.

Segundo os dados, essas startups estão bem estruturadas, com empreendedores capacitados, ideias disruptivas e potencial impacto econômico. Por estes motivos, são empresas consideradas altamente promissoras para investidores que procuram grandes retornos. Mas, por enquanto, o número de aportes de capital de risco ainda é menor do que outros setores e categorias de startups, como soluções financeiras e mobilidade. Enquanto o setor agropecuário corresponde a 21,1% do Produto Interno Bruto (PIB), apenas uma pequena fração dos investimentos em startups no país é direcionada para as agrotechs, cerca de 6%.

Para Bernardo de Castro, presidente da divisão de agricultura da Hexagon, o cenário deve melhorar.

— Acredito que exista capital de risco chegando, talvez seja questão de tempo e de maturidade. Esse boom de agrotechs é recente e as empresas ainda estão verdes — avalia o presidente.

Com mais de 25 mil equipamentos em operação em 36 países, a empresa comandada por Bernandro está envolvida atualmente nos processos de planejamento de 46% da produção global de cana-de-açúcar. No setor de silvicultura, já monitorou mais de 2,5 milhões de hectares de florestas plantadas com suas soluções digitais.

A empresa ainda não fechou nenhum novo contrato com empresas de tecnologia agro no país, mas, ao invés de fazer aportes de capital de risco, deve propor aquisições de empresas do mercado nacional para compor a sua vertical, como estratégia de crescimento. Este modelo de negócios segue a ação realizada pela multinacional sueca quando incorporou a Arvus, criada por Bernando em Florianópolis com os sócios Gustavo Raposo e Adriano Naspolini. A divisão de Agricultura da multinacional, sediada em Florianópolis, foi criada em 2014, a partir da junção de outras duas empresas que já tinham mais de 20 anos de experiência no mercado.

Impacto econômico e meio ambiente

Dentro deste ecossistema de inovação, a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio (Fundepag) disponibilizou, somente em 2018, mais de 30 novas tecnologias para o agronegócio. Para o diretor executivo da Fundepag, Sergio Tutui, as empresas do setor estão em crescimento acelerado, e as que se destacam estão instaladas em pólos de inovação, aceleradoras, incubadora ou parques tecnológicos, o que reduz os riscos da operação e favorecem novos investimentos.

Na avaliação da Fundepag, o impacto econômico da aplicação de novas tecnologias no agronegócio está relacionado com oportunidades para redução de uso de insumos, aumento de produção e qualidade de produtos. Estudos realizados tanto pela Embrapa quanto pela Agência Paulista do Agronegócio indicam que para cada R$ 1 investido em pesquisa agropecuária retornam R$ 13 em redução de custos, aumento de produtividade e agregação de valor.

— Esse é o cenário macro do impacto econômico da inovação no agronegócio. Obviamente que essa proporção varia entre as cadeias produtivas. Além disso, há tecnologias desenvolvidas que são transversais, impactando diversas cadeias produtivas ou diversos segmentos dentro da mesma cadeia, como recuperação de solos, cuja contabilização torna-se muito difícil", aponta Tutui.

Outro ponto destacado pelo diretor da Fundepag é o uso de novas tecnologias, que pode resultar não só em lucro, mas também na redução do impacto ambiental.

— Acredito que agro e meio ambiente podem e devem andar juntos. Nesse sentido, podemos citar algumas iniciativas apoiadas pela Fundepag no sentido de redução de desperdício, utilização de biofertilizantes, controle biológico de pragas e recuperação do solo, como os projetos de recuperação de pastagens utilizando a integração de lavoura e pecuária, o estudo de desempenho germinativo de sementes submetidas a óleos essenciais e o desenvolvimento de novos ingredientes e produtos a partir do processamento de frutas e café — explica Sergio Tutui.

Tecnologia também para o setor da pesca

Em 2018, a Fundepag apoiou o desenvolvimento de um relatório de pesquisa que aborda o estado da pesca fantasma no Brasil, bem como seus problemas e soluções.

— Esse pode ser um ponto de partida para que empresas reflitam sobre a manufatura reversa das redes de pesca, que podem ser transformadas em produtos com alto valor ambiental agregado. O relatório compõe a campanha Sea Change, da World Animal Protection — comenta o diretor.

A fundação também atuou na área da pesca ao executar o monitoramento da produção pesqueira nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná, em projeto com a Petrobrás, além do monitoramento de impacto nas espécies após implantação de estruturas de logística portuária em Santos-São Paulo, em projeto com a VLI Logística. O projeto desenvolveu de técnicas de aquicultura marinha para redução da pesca de espécies ameaçadas. 

 


Fonte: Por Agro 4.0