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Agtechs refletem maturidade do campo

Postado em 29 de Abril de 2019

A expansão das startups do agronegócio comprova o avanço da tecnologia no setor. Mapeamento da Associação Brasileira de Startups (ABstartups) em 2018 identificou 182 das chamadas agtechs em operação por aqui, 69% atuando "dentro da porteira", principalmente com softwares de gerenciamento de fazendas, drones e sensores na linha da internet das coisas (44%). Um grupo de 40 delas (22% do total) se dedica à comercialização. 

O levantamento indicou que quase metade das novatas já fatura mais de R$ 500 mil ao ano e uma em cada cinco superou a marca de R$ 1 milhão. Recentemente, duas startups brasileiras venceram o AgFunder Innovation Awards em duas das três categorias internacionais série A e além – a Solinftec, no segmento de tecnologia para fazendas, e a Cargo X, de logística.

O segmento atrai o interesse de fundos e líderes da cadeia de valor. Investimentos registrados no CrunchBase indicam cerca de 30 operações de venture capital realizadas entre 2016 e 2018 e empresas como Syngenta, Basf e Bayer (Monsanto) intensificaram iniciativas no segmento.

O percurso da Strider é exemplar. Fundada em 2013 com foco em monitoramento e controle de pragas e operações de propriedades rurais, oferece soluções para otimização do uso de defensivos agrícolas, análise histórica de safras e identificação de áreas com falha e equipamento para rastreamento e localização em tempo real de tratores. No ano seguinte recebeu R$ 5 milhões da Barn Investimentos, que participou de segunda rodada de US$ 3 milhões em 2016 da Qualcomm Ventures e Monashees.

Há um ano, a empresa foi comprada pela Syngenta. "A consolidação e integração ao longo da cadeia é uma tendência. O resultado de uma oferta depende da outra", diz o CEO da Strider, Luiz Tangari. Com 110 funcionários, 5 milhões de hectares cobertos e parceria com a John Deere para integrar dados de tratores, a Strider aposta em inteligência artificial e painel central de controle para o Tracker.

A Monsanto, que já investiu em uma dúzia de agtechs, aportou US$ 700 mil no ano passado com o Cannary e investidores individuais na plataforma de comercialização Grão Direto. Nascida em 2017 para conectar produtores e compradores de grãos, oferece informações como clima e preços médios nas diferentes praças e hoje reúne 13 mil usuários cadastrados, dos quais 4,5 mil produtores ativos.

Com cerca de 500 compradores e 800 corretores, o serviço é gratuito para o produtor e o comprador opta por taxa por volume negociado ou assinatura de pacote de transações e serviços, informa o CEO da Grão Direto, Alexandre Borges Silva.

Já a plataforma de geolocalização de máquinas e implementos Alluagro recebeu, em 2017, R$ 150 mil do programa Agrostart, criado pela aceleradora Ace para a Basf. O marketplace conecta produtores e fornecedores e atua em nove Estados, com R$ 3,8 milhões em transações e 4 mil máquinas cadastradas.

Por Martha Funke

 

 


Fonte: Valor Econômico