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Amostras, armadilhas, análise e até software são ferramentas para identificar o invisível nematoide

Postado em 28 de Abril de 2020

Em casos de variedades de cana muito suscetíveis e níveis populacionais muito altos, as perdas com o nematoide podem chegar a até 50% da produtividade

Independentemente de onde se planta cana-de-açúcar no Brasil, haverá nematoides no solo. Essa praga já tomou proporções alarmantes, estando presente em mais de 70% dos canaviais. Ao parasitarem o sistema radicular, bulbos e tubérculos, os nematoides podem causar grandes danos à cana-de-açúcar, que se torna deficiente e pouco produtiva. Em casos de variedades muito suscetíveis e níveis populacionais muito altos, as perdas podem chegar a até 50% da produtividade.

Apesar de seus danos, os nematoides ainda são extremamente negligenciados pela maioria dos produtores rurais. Isso ocorre porque são invisíveis a olho nu. E as ações para o seu controle só acontecem quando o canavial já está tomado pela praga, quando o correto é adotar técnicas de manejo que não favoreçam os nematoides, que, cedo ou tarde, irão surgir.

Os indicativos da presença de nematoides incluem canaviais irregulares e pouco produtivos, especialmente em áreas que, supostamente, deveriam estar produzindo bem mais. Entretanto, para um diagnóstico correto e detalhado, é necessária a realização de uma amostragem de solo, enviando o material colhido para um laboratório qualificado a fim de ser analisado por um nematologista.

Nesse sentido, o setor conta com os serviços do ANNA Laboratório de Nematologia, localizado em Piracicaba, SP, e criado pelo por Wilson Novaretti, um dos maiores nematologistas que o Brasil conheceu. Ao longo de seus quase 26 anos de existência, o ANNA já processou mais de 170 mil amostras de mais de 150 unidades agroindustriais.

Além de as análises, a equipe do Laboratório ANNA atua junto às usinas e produtores auxiliando, se necessário, no processo de retirada das amostras. Realiza, também, palestras e treinamentos com as equipes de campo. “Uma das maiores contribuições de meu pai foi o desenvolvimento de uma metodologia conhecida como Iscas de Embalagem (saquinhos), que revolucionou o combate aos fitonematoides na cultura da cana-de-açúcar, por ser mais econômica, prática e eficiente que o método convencional de análise”, diz Tânia Novaretti, gerente administrativo financeiro na ANNA Laboratório de Nematologia.

A técnica idealizada pelo Prof. Dr. Newton Macedo e aprimorada por Novaretti, que calibrou os níveis populacionais para a cana-de-açúcar, consiste em simular condições para que os parasitas se desenvolvam dentro de saquinhos de plantio de muda, a partir do solo coletado na rizosfera das plantas, no campo. Plantam-se “iscas” que são cultivadas por alguns dias. Nestas condições, os nematoides manifestam todo seu potencial de infestação das raízes emitidas pelas gemas dos toletes. A grande vantagem desta metodologia é poder fazer levantamento populacional de fitonematóides, em qualquer época do ano.

Outra importante inovação do laboratório é o ANNAlab, o primeiro software de gestão de análise nematológica do Brasil. Desenvolvido após intensa pesquisa, ele possibilita que os clientes preencham as fichas de análise de campo pelo site do laboratório e, mediante utilização de login e senha, compartilhem os resultados das amostras com quem desejarem. Dessa forma, o ANNALab, além de fornecer os laudos, alimenta um banco de dados com o histórico dos resultados das análises do cliente, convertendo-o em gráficos, em que são apresentados vários itens de interesse para a gestão do controle de fitonematoides. São informações preciosas para o agricultor em qualquer tomada de decisão.


Fonte: CanaOnline