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Análise do Itaú-BBA sobre o mercado de açúcar

Postado em 12 de Novembro de 2020

O mês de novembro se desenha para o término da colheita da safra 2020/21 na região Centro-Sul do Brasil

No primeiro mês da safra global 20/21, o açúcar apresentou forte apreciação em NY em função das incertezas da oferta da commodity no curto prazo. Esse aperto do balanço fundamentou a valorização das cotações do demerara em 14,1% até a primeira semana de novembro frente ao fim de setembro, que apesar da volatidade, permaneceram acima dos cUSD14/lp ao longo do período. Nos portos locais, os preços também acompanharam a valorização da Bolsa americana e a cotação em Reais subiu 12,5% no mesmo período, para patamares acima de R$1.850/t.

Do ponto de vista dos países produtores, a Índia, um dos principais exportadores do adoçante, mantém o mercado atento em relação ao que acontecerá com o subsídio após dezembro. O gasto público indiano elevado pela pandemia e o mercado de açúcar com a tendência de alta não pareceu apressar o governo do país asiático em divulgar o subsídio a partir do ano que virá. Atualmente, sem subsídios a cotação necessária para viabilizar a exportação do açúcar indiano é de cUSD19/lp.

Outro alicerce para a manutenção dos preços foi a ampliação da posição comprada dos fundos especulativos. Ao longo de outubro, o saldo comprado foi ampliado em 21,6%. Na última divulgação (3/11), a posição comprada líquida foi de 246 mil contratos, a maior desde 2016 quando o demerara foi cotado próximo aos cUSD19/lp.

No Brasil, as precipitações abaixo da média no mês de outubro possibilitaram o adiantamento da colheita, que estava próxima dos 90% da safra projetada até a primeira quinzena de outubro. Adicionalmente, o ATR da cana se mantém crescente, sendo o mais alto dentre as últimas 5 safras.

O mês de novembro se desenha para o término da colheita da safra 2020/21 na região Centro-Sul do Brasil, e a atenção ficará voltada para as chuvas que abastecerão os canaviais para a próxima temporada e também aos atuais estoques do adoçante.

Enquanto o fluxo de exportação bate recordes mensais, as cotações do açúcar branco no mercado interno vêm ganhando força, devido ao balanço local mais apertado. No mês de outubro os preços aumentaram 16,7%, com a saca se ndo cotada acima de R$100. Esse cenário tomou forma a partir da pandemia, devido à postergação e falta de contratos do adoçante por parte da indústria nacional, fazendo com que as usinas direcionassem o açúcar para o mercado externo. A safra se encerrando e os estoques passando a serem consumidos podem continuar dando suporte à alta dos preços do branco no mercado local. As usinas que ainda possuírem tal produto disponível, poderão realizar vendas em patamares superiores aos praticados no cristal nos portos.

Sob o ponto de vista internacional, a definição do subsídio indiano é esperado para ocorrer após as eleições internas de novembro. Contudo, já vem sendo ventilado pelo mercado que o suporte ao setor pode ser menor, o que, se ocorrer, tende a abri r espaço para mais altas do demerara na bolsa de NY.

Entretanto, do lado da demanda, o cenário ficou mais incerto e pode minimizar as altas em NY. A medida em que a Europa restringe o trânsito de pessoas, o consumo de açúcar poderá sofrer impactos devido às quarentenas. Adicionalmente, incertezas também sopram da manutenção do ritmo das compras chinesas em função dos elevados estoques locais. Além disso, tramita um pedido entre os produtores de açúcar para o governo chinês diminuir a compra do adoçante externo.

 


Fonte: CanaOnline com informações do dos especialistas Agro do Itaú-BBA