Clipping

Analistas projetam moagem de cana até 3% maior e ascensão do açúcar na safra 2020/2021

Postado em 12 de Março de 2020

Em Ribeirão Preto (SP), consultores estimaram até 604,5 milhões de toneladas a serem processadas no Centro-Sul. Incremento na produção de etanol de milho e de importações deve compensar menor mix do álcool da cana.

Projeções do setor sucroenergético apresentadas nesta quarta-feira (11) em Ribeirão Preto (SP) apontam para uma alta de até 3% na moagem da cana e uma maior participação do açúcar na produção das usinas a partir da safra 2020/2021.

As indústrias da região Centro-Sul, que concentra mais de 90% da produção nacional, devem processar entre 596 e 604,5 milhões de toneladas da matéria-prima, diante de 588,6 milhões de toneladas esperadas para o término do atual ciclo de produção, disseram representantes da Datagro e da trading SCA Etanol do Brasil durante uma conferência sobre agronegócio realizado no interior de São Paulo.

Até 1º de março, a safra 2019/2020 acumula uma moagem total de 579,9 milhões de toneladas, com incremento de 2,74% na comparação com 2018/2019, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). Na região de Ribeirão Preto, há usinas que anteciparam a colheita em março, mas o saldo mensal ainda deve ser contabilizado para o atual ciclo.

As projeções apresentadas também são mais otimistas em relação às apresentadas no ano passado, quando foram projetados 583 milhões de toneladas.

A possibilidade de ocorrência do fenômeno La Niña, com resfriamento das águas do Oceano Pacífico e consequências meteorológicas, além do índice de chuvas abaixo do esperado para o início de março, são questões que podem afetar os números, avaliou Plinio Nastari, presidente da Datagro.

Depois de um fevereiro chuvoso, as precipitações registradas até o dia 9 de março no Centro-Sul representam somente 13,8% do esperado para todo o mês.

"Estamos um pouco preocupados com a falta de chuva em março e a perspectiva de que o clima deve continuar seco nos próximos 15 dias. O armazenamento hídrico ainda permite que o desenvolvimento fisiológico das canas continue, mas é preciso que as chuvas voltem até o final deste mês, e mais importante, que voltem em abril", disse.

Próximo do fechamento da safra 2019/2020, o atual saldo é de 26,4 milhões de toneladas.

"A quebra de produção na Índia, na Tailândia e no México faz com que o mundo esteja com déficit no fluxo de comércio e que o mundo esteja precisando do açúcar do Brasil. Nos últimos dois anos, o Brasil retirou do mercado 20 milhões de toneladas. Agora, o Brasil devolve um pouco desses 20 milhões este ano", afirmou.

Com isso, a participação do etanol produzido a partir da cana, hoje na faixa de 65,54%, deve baixar para até 59,2%, segundo os analistas. Nastari, no entanto, nega que isso represente um problema para a oferta de álcool para o mercado interno, compensada pelas importações e pela produção cada vez maior do etanol de milho.

Com altas anuais de 81%, a produção desse combustível na região Centro-Sul deve saltar de 1,6 bilhão - total esperado para o fim da safra 2019/2020 - para 2,3 bilhões de litros no ciclo entre 2020/2021, segundo a SCA. Para a Datagro, esse volume pode chegar 2,5 bilhões.

"É uma complementação muito virtuosa, porque existe milho disponível em volume e em preços bastante competitivos em algumas regiões do país, o que permite que essa matéria-prima seja convertida em etanol, em DGS, que é utilizada para ração animal, em óleo, aumentando o valor agregado da produção do milho", explicou Nastari.

O presidente da Datagro também ressaltou que, apesar da recuperação do açúcar e de incertezas de mercado associadas à crise do petróleo e à epidemia do coronavírus, a produção de etanol ainda se mostra vantajosa em termos financeiros.

"O setor de açúcar e álcool está bastante competitivo, especialmente considerando a nova realidade de taxa de câmbio do Brasil. O Real desvalorizado torna ainda mais competitiva a produção tanto de etanol quanto de açúcar", disse.

 


Fonte: Portal G1 Ribeirão Preto e Franca