Artigos

Andamento da safra 2019/20

O Brasil produziu e industrializou 615 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2018/19. Apesar das dificuldades do setor, além dos períodos de estiagem e o envelhecimento dos canaviais, os números até que surpreenderam. Na atual safra da cana 2019/20, estima-se que a moagem da cana ultrapasse os 635 milhões de toneladas.

De acordo com a revista O Petróleo, os contratos futuros do açúcar bruto iniciaram a semana em queda na bolsa de Nova York. O lote para maio/19 foi firmado em 12.57 centavos de dólar por libra-peso, queda de 19 pontos. O vencimento para julho/19 fechou em 12.68 centavos de dólar por libra-peso, recuo também de 19 pontos. Os demais contratos desvalorizaram entre 15 e 20 pontos cada. Em Londres os contratos do açúcar branco para maio/19 fecharam em US$ 326,20 a tonelada, queda de 4,10 dólares. Os contratos para agosto/19 encerraram o dia em US$ 336,10 a tonelada, recuo de 3,30 a tonelada. Os outros contratos desvalorizaram entre 3,50 e 4,50 dólares.

É impressionante, os preços não estão reagindo nem com as secas da Índia e da Austrália, e nem mesmo com a menor oferta brasileira, devido a última safra predominantemente alcooleira. Já para o etanol, é esperado que haja uma certa desvalorização, apesar de estar atualmente valorizado (de acordo com a Cepea/Esalq), já que a safra já se iniciou e a oferta deve aumentar.

Sobre a produção geral de cana, em números, diferentes empresas do setor sucroenergético já fizeram suas avaliações. Espera-se uma moagem entre 2,5% e 3% superior a safra anterior.

O presidente do Grupo IDEA, Dib Nunes Jr., afirmou que algumas usinas iniciaram a moagem deste ano em março sobrepondo datas de encerramento de safra. A UNICA apura a safra entre 1º de abril até 31 de março do ano seguinte, portanto a cana que foi moída no mês de março (ainda safra 2018/19) entende-se que pertenceriam a esta safra de 2019/20.

Estas previsões contabilizaram esta cana de março.

Na opinião do consultor, há uma tendência de boa estabilidade com pequenas oscilações de preços para o etanol, tendo em vista os preços internacionais do petróleo e dos combustíveis controlados pela Petrobrás. Os ajustes serão realizados de acordo com as variações do barril do petróleo, e o etanol pode pegar carona nisso, além de se tornar mais competitivo frente a gasolina, haverá motivação para aumento de consumo. A diferença de preços em relação a gasolina pode ser vantajosa, como aconteceu no ano passado.

“As importações de etanol é que podem desequilibrar a oferta e contribuir para segurar os preços em patamares mais comportados, caso contrário, o aumento da demanda e a melhoria na pode forçar alta de preços”, afirma Dib.

Segundo previsões do Grupo IDEA, o açúcar terá queda nos estoques mundiais com provável quebra na índia de até 5% da produção de cana. Por isso, espera-se que os preços cheguem a 14 cents de dólar por libra peso, hoje está em 12,70.

A estimativa é que tudo pode melhorar no segundo semestre, mesmo com aumento da quantidade de cana em até 3% em relação a safra ano passada, que registrou 562 Milhões de toneladas no Centro-Sul do Brasil.

PREVISÕES

A análise mensal da atual safra, de acordo com o texto do Prof. Marcos Fava Neves, “Consumo de Etanol anima nova Safra 2019/20”, que aborda o etanol com uma boa perspectiva de consumo para a safra 2019/20, a Sucden estima que a safra deverá ter 564,55 milhões de toneladas de cana e serão produzidas 27,16 milhões de toneladas de açúcar e 28,55 bilhões de litros de etanol. Já a Agroconsult estima a moagem de 2019/20 em 575 milhões de toneladas de cana (0,8% a mais), com 63% destinados a etanol com isto produziremos 28,7 bilhões de litros (6% a menos) e 28,8 milhões de toneladas de açúcar (9% a mais).

Para a Datagro serão moídas 583 milhões de toneladas no Centro-Sul na safra 2019/20, e afirma que apenas 2,3% a mais de cana. A produtividade deve crescer 2% e 38,8% desta cana será destinada ao açúcar, produzindo 29,7 milhões de toneladas (3 milhões acima da atual). No etanol estimam 30,2 bilhões de litros (1,15 bilhão vindos do milho). Com isto perderíamos 2,7 bilhões de litros em relação à safra atual.

Pela Copersucar, serão entre 580 a 590 milhões de toneladas, a um mix entre 36 a 3% para açúcar, gerando produção entre 26 a 28 milhões de toneladas. A produção de etanol ficará entre 30 a 31 bilhões de litros.  Finalmente, para o Rabobank a safra 2019/20 deve ficar entre 560 e 570 milhões de toneladas de cana produzindo ao redor de 28 milhões a 29 milhões de t de açúcar.

O Grupo IDEA produziu pesquisa em uma amostragem de 49 empresas que projetou uma safra de 586 (+/-3%) milhões de toneladas de cana na safra 2018/19, cerca de 20 milhões acima da safra anterior no Centro-Sul.


Fonte: Comunicação Grupo IDEA