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Anfavea ensaia aproximação com governo

Postado em 5 de Fevereiro de 2021

Os dirigentes da indústria automobilística iniciaram discussões internas sobre o futuro da matriz energética para veículos no Brasil e chances de avançar na eletrificação. Agora, a Anfavea, a associação que representa o setor, pretende levar a discussão ao governo, com a expectativa de que, como já fizeram outros países, as autoridades definam quais formas de abastecer veículos o país vai estimular.

Essa não será a única investida das montadoras para estreitar relações com Brasília. Com a definição das lideranças no Congresso, a Anfavea quer aproveitar a agenda semanal que Arthur Lira, presidente da Câmara, prometeu divulgar para participar das discussões que interessem ao setor e suprir os parlamentares com informações.

A aproximação entre indústria e governo na questão da matriz energética das próximas gerações de veículos é inevitável. Na China e nos maiores mercados europeus, a forma como os veículos devem funcionar é definida pelos governos a partir, sobretudo, da necessidade de reduzir emissões.

“Estamos mapeando as matrizes energéticas do Brasil para identificar gargalos”, diz o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes. No caso dos carros que dependem de postos de recarga de baterias para funcionar, os 100% elétricos, o grande gargalo do país é a falta de infraestrutura.

O dirigente lembra os casos de países que já definiram prazos para encerrar a produção de veículos movidos a combustíveis fósseis. Há poucas semanas, no Reino Unido, o primeiro-ministro Boris Johnson sancionou uma lei que proíbe a venda de carros com motores a combustão a partir de 2030.

“No Brasil, não temos uma visão de Estado sobre a questão”, afirma Moraes. O dirigente sugere uma discussão para também “não perdermos um grande ativo do país, que é o etanol”. Há poucos dias, em “Live” do Valor, o presidente da Volkswagen na América Latina, Pablo Di Si, defendeu aprofundar pesquisas em torno da possibilidade de extrair energia do etanol para abastecer carros elétricos.

Com a evolução da tecnologia para que, cada vez mais, os veículos sejam montados sobre plataformas mundiais, seria mais fácil para a indústria vender veículos que usassem o mesmo tipo de energia, ou semelhante, em todo o planeta. No caso do Brasil, que está entre os dez maiores produtores de veículos do mundo, adiciona-se a necessidade de fabricar carros que possam ser exportados.

Em relação à expectativa em torno da agenda do Congresso Nacional, Moraes diz que o setor espera poder colaborar para melhorar a competitivdade da indústria de transformação. Ao divulgar, ontem, os dados do setor referentes a janeiro, o presidente da Anfavea criticou recentes declarações de Carlos von Doellinger, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que defendeu a desindustrialização em favor de maior foco em segmentos nos quais o Brasil seria mais competitivo, como agricultura e mineração. “É um crime se cogitar a desindustrialização do nosso país, é relegar à condição de colônia fornecedora de produtos primários”, disse.

Moraes exibiu uma série de dados para rebater acusações de que as montadoras recebem incentivos demais. Segundo ele, de 2013 a 2017, período do programa automotivo Inovar-Auto, o setor investiu em pesquisa e desenvolvimento, em média, por ano, R$ 5,1 bilhões, dos quais 0,8% foram obtidos por meio de incentivos fiscais. Disse, ainda, que entre 2011 e 2017, as montadoras arrecadaram R$ 268 bilhões e receberam R$ 24 bilhões em desonerações.

As vendas de veículos foram fracas no Brasil nesse início de ano, com queda de 11,5% no licenciamento (171,1 mil unidades) em janeiro na comparação com o mesmo mês de 2020. Mas os resultados de produção e exportação foram melhores. Em relação ao mesmo mês de 2020, em janeiro houve aumento de 4,2%, no volume de produção, com 199,7 mil unidades. Moraes, considera um bom resultado, principalmente porque o setor ainda enfrenta falta de peças.

Foram exportados 25 mil veículos, elevação de 21,9% em relação a janeiro de 2020. O resultado surpreendeu os dirigentes do setor, que ainda avaliam os motivos. A receita com exportação somou US$ 457,2 milhões, alta de 24,2% em relação a um ano atrás.

Na comparação com dezembro, houve melhora também no emprego, com a abertura de 2,2 mil novos postos. As vagas foram abertas, na maioria, em fábricas de caminhões para atender ao aumento da demanda, que continua aquecida no agronegócio. Mas não só. Ontem, a Caoa Chery anunciou a abertura de 150 vagas na fábrica de carros em Anápolis (GO).

Muitas dessas novas vagas referem-se a contratos temporários, com duração média de seis a 12 meses. Podem ser ou não renovados. “Estamos atentos à queda das vendas e preocupados com fatores como pandemia, possível alta dos juros e controle do déficit fiscal do país”, diz Moraes. Com 103,3 mil pessoas, o qu

 


Fonte: Valor Econômico