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Anfavea prevê que não faltará crédito nesta safra 2019/20

Postado em 9 de Março de 2020

Os recursos adicionais para o financiamento de máquinas agrícolas liberados pelo governo para esta safra 2019/20, que terminará em junho, foram considerados suficientes pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). “Temos recursos para todo o Plano Safra e vai dar pra chegar ao fim do período tranquilamente”, afirmou o vice-presidente da entidade, Alfredo Miguel Neto.

Estão disponíveis desde o começo do mês R$ 1,5 bilhão adicionais para o financiamento de máquinas agrícolas por meio do Finame Rural do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e está previsto mais R$ 1 bilhão para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). “Se o setor precisar, tenho certeza que o BNDES entrará com mais recursos”, disse Miguel Neto na sexta-feira.

Para ele, os valores resolveram os problemas de falta de crédito para o financiamento de máquinas que vinham sendo enfrentados pelo segmento desde o ano passado. “Temos linhas do Banco do Brasil e do BNDES com taxas de juros bastante atrativas - em média de 8,5% e 9%, respectivamente - e condições muito favoráveis e parecidas com Moderfrota”.

Principal linha para financiamento de máquinas agrícolas como tratores e colheitadeiras, o Moderfrota tem juros de 8,5% a 10,5% e R$ 9,7 milhões previstos para 2019/20. “Claro, se a Selic continuar caindo, as taxas [dos financiamentos a juros livres] precisarão ser revistas. Mas há crédito, financiamento e condições atrativas”, destacou Miguel Neto.

A visão da Anfavea contrasta com a da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Como informou o Valor, para a Abimaq, os juros de 9% ao ano da nova linha do BNDES, bem como as taxas de 8,5% a 10,5% do Moderfrota, ainda são considerados elevadas.

Segundo Miguel Neto, o crescimento de 13% das vendas de máquinas no país em fevereiro ante janeiro já é uma sinalização de recuperação e de que, para o segmento, “o que importa é a disponibilidade de crédito, não crédito equalizado”.

Em relação a fevereiro de 2019, entretanto, as vendas do mês passado, que somaram 2,8 mil unidades, apresentaram uma redução de 1,7%. “Estamos recuperando as vendas de forma devagar e já no próximo mês vamos ver o reflexo desses recursos adicionais”, disse o vice-presidente da associação.

Segundo a Anfavea, a produção de máquinas agrícolas cresceu 4,1% em fevereiro deste ano ante o mesmo mês de 2019, para 3,6 mil unidades. Em relação a janeiro, houve aumento de 44%. No bimestre, no entanto, a queda foi de 4,3% ante igual período de 2019.

Miguel Neto afirmou, ainda, que a Anfavea está monitorando a situação na China em termos de produção e fornecimento de peças para a indústria. “A China está voltando à normalidade. Nesse momento, não há perspectiva de problemas nesse momento. Estamos voltando a nossa atenção para o fornecimento de itens de países da Europa, como a Itália, mas ainda é muito pouco neste momento”, ressaltou. 


Fonte: Valor Econômico