Clipping

Apesar da grande perda provocada pela broca-da-cana, apenas um terço do mercado adota algum método de controle

Postado em 24 de Junho de 2019

A broca-da-cana (Diatraea saccharalis) é considerada a maior praga dos canaviais, apresenta ampla distribuição pelo país e seu ataque ocasiona perda de peso, morte da gema apical, enraizamento aéreo, germinação das gemas laterais e tombamento. Também gera impactos negativos no rendimento industrial e sobre a qualidade do produto final.

Mesmo com todos esses danos, parece que o setor ainda negligência o controle da broca. Segundo o engenheiro agrônomo José Francisco Garcia, diretor da Global Cana – Soluções Entomológicas, embora os danos causados pela praga sejam expressivos, apenas um terço do mercado adota algum método de controle contra ela. “Os campos que temos encontrado pelo Centro-Sul geram desconforto, tamanho os níveis de infestação. É um parâmetro fundamental para confirmar que estamos perdendo essa luta. Nosso principal desafio para os próximos anos é mudar esse cenário. Provar para o produtor que o controle, além de extremamente necessário, é sim economicamente viável.”

Garcia salienta que o primeiro passo para um manejo eficiente da broca-da-cana é conhecer seus índices populacionais no campo. Desenvolvida na década de 1970 e bastante utilizada pelo setor desde então, a metodologia de levantamento conhecida como broca/hora/homem se tornou obsoleta, reflexo de um segmento com cada vez menos mão de obra disponível.

Criada inicialmente para tomada de decisão para liberação de Trichogramma galloi, a armadilha é a bola da vez, já sendo amplamente utilizada para direcionar as aplicações de moléculas químicas e liberação de Cotesia flavipes. “Tudo isso em apenas uma ferramenta amostral, cujo objetivo é identificar o pico de adultos e a presença de ovos na área. Seu principal benefício é a simplicidade e alto rendimento. Uma equipe de duas pessoas e um veículo consegue cobrir 1.000 hectares por dia”, destaca Garcia.

Uma vez amostradas as áreas, é hora de entrar com os métodos de controle, que devem começar com os químicos e terminar com os biológicos (Cotesia flavipes e/ou Trichogramma galloi). Para o consultor, os químicos consistem na principal ferramenta de manejo, porque “blindam" os colmos da cana, reduzindo sensivelmente a penetração das lagartas. “A blindagem dos colmos pelo manejo químico atinge nível de controle por volta de 80% quando ocorre a utilização do produto correto – sistêmico e com alto residual - em primeira aplicação”, ressalta.

Após essa etapa, haverá ainda a penetração de algumas lagartas, que serão posteriormente parasitadas pela Cotesia flavipes. Onível de parasitismo varia de 30% a 40%. Apesar do resultado satisfatório, é preciso considerar que ocorre algum dano para a planta. “A Cotesia flavipes deverá ser utilizada o ano todo, havendo melhores resultados na época seca e fria, pois possibilita melhores voos dos adultos desse parasitoide devido à falta de umidade na lavoura e temperaturas amenas”, comenta.

Já o Trichogramma galloi - um parasitóide de ovos - deverá ser usado apenas no período úmido, ou seja, no final e começo do ano, isso em anos normais – recomenda. “Na época seca, há forte redução da viabilidade dos ovos devido à forte desidratação destes, bem como intensa ação de predação realizada por formigas carnívoras e outros predadores”, esclarece Garcia.

O combate as pragas na Cana é extremamente importante, por isso o manejo deve ser feito de maneira eficiente, para ter um canavial limpo e saudavel. Se você se interessa pelo assunto e quer saber como combater as pragas da sua produção de cana-de-açúcar, participe do 15º InsectShow - Seminário sobre o Controle de Pragas na Cana.

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Fonte: CanaOnline