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Apesar das compras recordes de agrícolas, China está distante da meta da fase um do acordo com os EUA

Postado em 27 de Novembro de 2020

A demanda intensa da China por produtos agrícolas no mercado dos EUA vem impressionando nos últimos meses. Os números apontam volumes muito maiores do que os registrados em 2017, quando recordes foram registrados e a sinalização é de que a demanda da China continua em uma curva de crescimento muito consistente.

Apesar disso, as importações chineses de produtos norte-americanos ainda estão distantes do alvo firmado na fase um do acordo comercial firmado entre os dois países em janeiro deste ano, segundo cálculos feitos pela equipe da agência internacional de notícias Bloomberg.

A China comprou, até o final de outubro, US$ 75,5 bilhões em produtos, ou seja, 43,9% do total esperado para o ano que é de US$ 172 bilhões.

Ainda de acordo com os especialistas, o ritmo um pouco mais lento observado nas últimas semanas se dá por uma baixa de 60% nas importações de petróleo. "As compras de produtos energéticos estão em apenas 25% do que precisariam estar até o final do ano, volume muito mais baixo se comparado a outras categorias, como agrícolas e manufaturados.

A soja é um dos principais destaques desse movimento contrário da lentidão em alguns setores. As importações da oleaginosa norte-americana pela nação asiática registraram, em outubro, seu maior volume desde julho de 2018.

Dados da Alfândega da China compilados pela Reuters Internacional dão conta de que as importações de soja em outubro foram de 8,69 milhões de toneladas, volume 41% maior se comparado ao mesmo mês de 2019. Em todo ano, as compras da nação asiática chegam a 83,214 milhões de toneladas e superam o ano passado em 18%.

Dos EUA, os chineses, ainda segundo os dados alfandegários, importaram 3,4 milhões de toneladas da commodity americana no último mês, quase o triplo do registrado no mesmo mês de 2019.

"A China está demandando soja, está importando soja americana depois de dois anos de guerra comercial em que eles importaram menos de 17 milhões de toneladas, e agora nossa perspectiva é de que eles voltem para um patamar 32 milhões de toneladas, o que seria um patamar pré-guerra comercial", explica o analista de grãos do Rabobank, Victor Ikeda, em entrevista ao Notícias Agrícolas.

Ainda como noticia a Bloomberg, embora essa expectativa sobre o alcance ou não dos números determinados na fase um do acordo comercial, há uma ansiedade muito maior do mercado para entender quais e como serão as relações comerciais entre China e Estados Unidos a partir do início do governo de Joe Biden.

"A vitória de Joe Biden nas eleições nos Estados Unidos encorajará a China a tentar renegociar o acordo comercial de Donald Trump, visto em Pequim como "distorcido" em favor de Washington, de acordo com assessores do governo chinês", noticiou o South China Morning Post no último dia 9, depois da apuração das eleições presidenciais norte-americanas.

Ainda assim, também como noticiou a Bloomberg, informações da mídia estatal chinesa seguem indicando que mesmo com o democrata à frente da Casa Branca, as relações entre Pequim e Washington poderão continuar tensas. Afinal, os sinais dão conta de que Biden não deverá retirar as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump à nação asiática.

Enquanto isso, quando se trata de agribusiness e alimentos, a demanda crescente da China fala mais altos e as compras continuam e os EUA são a única alternativa dos chineses neste momento, ao menos em alguns produtos, com a soja, por exemplo, onde não há mais produto disponível no Brasil até a chegada da oferta 2020/21.

"A China importou 83 milhões de toneladas de soja no ciclo 2018/19, depois já vieram para 97 milhões no 2019/20", complementa Ikeda, que afirma ainda que o Rabobank estima ainda que as compras do ano comercial 2020/21 cheguem a 100 milhões.

E essa 'grande demanda' não tem exigido compras maiores somente de soja, mas também de milho pela China, que importou em outubro 1,140 milhão de toneladas, 1,151% a mais do que no mesmo mês do ano anterior. Em todo acumulado do ano são 7,820 milhões, 97% a mais do que no mesmo intervalo de 2019.

Do mesmo modo, as importações de trigo da nação asiática, no acumulado do ano, superam em 164% o total de 2019; 13% no caso da cevada e 449% para o sorgo, do qual já foram importadas 4,020 milhões de toneladas em todo ano de 2020.

Por Carla Mendes
Com informações da Bloomberg, AgriCensus e South China Morning Post

 


Fonte: Notícias Agrícolas