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Aplicação em taxa variável no canavial pode resultar em uma grande economia de insumos

Outros benefícios decorrentes da adoção da prática incluem aumento do potencial produtivo do solo, maior produtividade além de mais qualidade
 
A Agricultura de Precisão (AP) envolve um pacote de tecnologias que a cada dia mais estão presentes nas lavouras. No entanto, a aplicabilidade deste pacote tecnológico muitas vezes carece de resultados nas lavouras de cana-de-açúcar.
 
Pensando nisso, o especialista em produção de biomassa - divisão agrícola do CTBE (Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol), Guilherme Martinelli Sanches, foi até Ribeirão Preto, SP, para falar no 19° Seminário de Mecanização e Produção de Cana-de-Açúcar, realizado pelo Grupo IDEA, nos dias 29 e 30 de março, em Ribeirão Preto, SP, sobre a realidade da AP e suas aplicações práticas na cultura de cana-de-açúcar, setor que, segundo ele, ainda não adota estas técnicas em larga escala, ao contrário do que acontece em outros setores, como em grãos, por exemplo.
 
O primeiro tema abordado foi relacionado à amostragem de solo e a aplicação de insumos a taxas variáveis. Sanches explicou que os solos de uma propriedade agrícola nem sempre apresentam uma composição uniforme, sendo que os mesmos podem apresentar áreas de diferentes características físico-químicas e necessitar de quantidades diferenciadas de corretivos agrícolas. Assim, com o avanço das técnicas de AP já é possível criar, através da amostragem de solo em grade, mapas de fertilidade, que irão indicar a necessidade de calcário, gesso, potássio e fósforo da propriedade subdividida em pequenas áreas. Com essas informações em mãos, o produtor consegue aplicar os insumos a taxas variáveis, levando em conta cada particularidade do terreno. A tecnologia consiste, basicamente, em colocar mais onde precisa de mais e menos onde precisa de menos.
 
Entre os benefícios da tecnologia, está o uso mais racional de insumos, que pode chegar a uma economia média de 30%. Além disso, há um aumento do potencial produtivo do solo e uma produção maior e de mais qualidade. “Por tonelada produzida, chegamos a economizar, apenas com aplicação em taxa variável, R$ 1,77. Esse valor em uma usina que moe de quatro a cinco milhões por safra representa uma economia de R$ 7 milhões.”
 
O pesquisador falou, também, sobre a aplicação de nitrogênio a taxas variáveis, adubo que, segundo ele, é o mais utilizado na cana-de-açúcar, além de ser o mais caro. “Nosso modelo inclui fatores que tornam possível definir a melhor taxa de aplicação de nitrogênio, atendendo as reais necessidades da cultura de acordo com sua variabilidade espacial nutricional.”

Foto Guilherme Sanches (Foto: Micaela Marques)
Guilherme Martinelli Sanches: “O setor de cana inda não adota as técnicas de AP em larga escala, ao contrário do que acontece em outros setores, como em grãos, por exemplo”


Fonte: CanaOnline