Clipping

Após mecanização, indústria de colhedora de cana se ajusta ao mercado

O fim das queimadas da cana-de-açúcar na região centro-sul do país deu um impulso às indústrias de colhedoras de cana no país. As vendas, que chegaram a 1.500 unidades por ano, recuaram, porém, para 721 unidades em 2017.

Atualmente, 97% das lavouras de cana já são mecanizadas na região centro-sul, o que faz com que as indústrias reestruturem a produção com base nas novas necessidades de mercado.

Na avaliação de Roberto Biasotto, gerente de marketing de produto da Case IH, um dos focos do mercado agora será o de reposição de máquinas. A operação contínua durante a safra traz um desgaste grande para esses equipamentos.

As apostas se voltam também para as regiões do Norte do Nordeste, onde a mecanização ainda está em 25%. Devido à topografia e à área restrita dos canaviais nessas regiões, a demanda será pequena, em reação ao que foi no centro-sul.

Biasotto afirma que a adoção de novas tecnologias vai gerar demanda. As máquinas ganham eficiência a cada ano e suprem cada vez mais a necessidade das usinas no uso contínuo dos equipamentos.

Mario Ortiz Gandini, diretor agrícola e de tecnologia da usina São Martinho, de Pradópolis (SP), e pioneiro na mecanização dos canaviais, afirma que a tecnologia e a automação trazem economia.

As novas máquinas com duas linhas de colheita, por exemplo, compactam menos e, no médio prazo, vão ser vitais para aumento de longevidade, produtividade e sustentabilidade dos canaviais, segundo ele.

O Renovabio, que apresenta uma nova política para os biocombustíveis e gera créditos de carbono, também será um fator de demanda para a indústria de colhedoras, na avaliação do executivo da Case.

A troca de uma máquina na São Martinho pode ser feita em até dez anos, mas uma vida tão longa do equipamento exige uma manutenção bem-feita, segundo Gandini. Na média, o mercado faz a reposição das colhedoras com cinco anos de utilização.

O diretor agrícola da usina afirma, contudo, que são feitos cálculos contínuos de quanto as novas tecnologias nas máquinas podem trazer de vantagem. A empresa toma a decisão com base nessas comparações.

O mercado exportador também tem trazido alívio para as indústrias. Neste ano, 27% das 610 unidades produzidas foram exportadas. Os principais mercados são Tailândia, China, Índia, Colômbia, Guatemala, Cuba e Argentina, segundo Biasotto.

Uma parceria que busca inovações

O clima é incerto, a produtividade cai e o volume colhido recua. Essa vem sendo a dinâmica das lavouras de cana-de-açúcar nos últimos anos. Diante de tantas incertezas, entra em campo a necessidade da busca de inovações tecnológicas que evitem perdas e amenizem custos.

A São Martinho, maior usina de processamento do mundo, com capacidade de moagem de 10 milhões de toneladas de cana por safra, passou a ser um campo de experimentação para a busca de inovações nesse setor.

O perfil da empresa mostra qualificação para isso. Diariamente, as colhedoras de cana da usina percorrem 3.500 quilômetros e os tratores, 6.300. A ação é contínua e dura próximo de 250 dias por ano.

Essa intensa movimentação faz com que a cada dois minutos um caminhão abasteça as moendas da usina. Mario Ortiz Gandini diz que a mecanização da colheita, que já atinge 97% na região centro-sul, trouxe desafios e necessidades de inovações.

Para Roberto Biasotto, gerente da Case IH, há uma evolução contínua na mecanização do setor. E a multinacional, produtora de equipamentos para o setor, encontrou condições ideais para o aprimoramento das inovações na São Martinho.

“Nada melhor do que uma usina com essa movimentação para testar e aperfeiçoar as máquinas”, diz ele. Na safra 2014/15, as colhedoras colhiam 772 toneladas de cana por dia. Nesta safra, o volume médio do grupo, que tem quatro usinas, é de 970 toneladas. Em algumas áreas chega a 1.250 toneladas. A média da região centro-sul é de 500 toneladas por dia.

O consumo de diesel, que era de 47,7 litros por hora, caiu para 42,9. Uma nova geração de máquinas da Case, que amplia o espaçamento de colheita e está em prova na São Martinho, pode reduzir o consumo para 38 litros, segundo o gerente da indústria.

 


Por Mauro Zafalon

formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.


Fonte: Folha de S. Paulo