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Após quatro altas seguidas, indústria recua 0,8% em agosto

Queda está relacionada à mudança de produção de açúcar: cana foi mais destinada à produção de etanol

A indústria brasileira encolheu 0,8% em agosto, na comparação com julho, de acordo com dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgados nesta terça-feira pelo IBGE. O resultado interrompe uma sequência de quatro altas seguidas no setor. A expectativa de analistas era que o setor ficasse estável, segundo sondagem da Bloomberg. No ano, porém, o cenário é de crescimento. Em relação ao mesmo mês do ano passado, o setor cresceu 4%.

Apesar da queda em agosto, a indústria ainda está no positivo no acumulado do ano. Nesse tipo de cálculo, a alta é de 1,5%. Já no acumulado em 12 meses, o setor registra leve queda de 0,1%.

A queda de agosto, na comparação com julho, é explicada principalmente pelo desempenho do segmento de produtos alimentícios, em que a produção encolheu 5,5%, interrompendo três meses consecutivos de expansão.

AÇÚCAR EXPLICA RESULTADO DOS ALIMENTOS
Segundo André Macedo, gerente da coordenação da indústria do IBGE, a queda na produção de alimentos está relacionada a uma mudança no perfil da cadeia de produção de açúcar. Em agosto, a cana foi mais destinada à produção de etanol e menos para o açúcar, o que influenciou o resultado.

— Tinha para a região Centro-Sul do país um clima mais seco e mais favorável à moagem da cana de açúcar que tinha destino principal o açúcar do que álcool. Em agosto, há uma mudança de mix, seja por causa do fim da necessidade de cumprir contratos de açúcar, mas também pela diminuição da importação de álcool. Isso ajuda a explicar a maior destinação da moagem da cana de açúcar para o álcool e menor para o açúcar — avalia Macedo.
Também pesaram sobre o resultado do mês as quedas das indústrias de máquinas e equipamentos (-3,8%), derivados do petróleo (-1,6%) e indústrias extrativas (-1,1%).

Na contramão do resultado geral, o destaque positivo ficou por conta do setor de veículos, que cresceu 6,2% frente a julho, eliminando uma queda de 3,7% acumulada entre junho e julho.

A produção na área de perfumaria e produtos de limpeza e higiene pessoal também avançou: alta de 5,5%, na comparação com julho.

O saldo total do mês é de oito resultados negativos e 16 positivos, entre os 24 ramos pesquisados pelo IBGE. A queda é explicada porque os segmentos que registraram recuo respondem por aproximadamente 40% da indústria. Só a produção de alimentos representa algo em torno de 14%.

— Permamece a leitura do mês anterior, de mais segmentos com resultado positivo — apontou André Macedo, gerente da coordenação de indústria do IBGE.

O IBGE também analisa o desempenho do setor de acordo com quatro grandes categorias econômicas. Nesse tipo de comparação, os destaques negativos foram os bens intermediários (-1,1%), que respondem pelos insumos, e bens de consumo semi e não-duráveis (-0,6%), que engloba a produção de alimentos. Já os bens de consumo duráveis, onde os automóveis se incluem, registraram alta de 4,1%, enquanto os bens de capital, como máquinas e equipamentos, tiveram alta de 0,5% frente a julho.

Apesar de, inicialmente, na passagem entre junho e julho, a produção industrial ter avançado 0,8%, o número de julho foi revisado para baixo, com um crescimento de 0,7%. Tal resultado foi puxado pela melhora no segmento de alimentos e bebidas.

O setor foi o primeiro a sentir os efeitos da recessão de mais de dois anos. Mas, neste ano, com recuperação tímida, deve voltar a crescer. Segundo o mais recente Boletim Focus, divulgado segunda-feira pelo Banco Central, analistas do mercado financeiro esperam alta de 1,05% para este ano. Para o ano que vem, a projeção é de crescimento de 2,4%.


Fonte: O Globo