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Após susto, Copersucar vislumbra retomada

Postado em 25 de Junho de 2020

Se a crise do coronavírus pouco arranhou o resultado da Copersucar na safra passada (2019/20), nesta temporada (2020/21), que começou em abril, a companhia, principal comercializadora de açúcar e etanol do mundo, sentiu de forma mais forte os efeitos da pandemia. Porém, a empresa já vislumbra um cenário positivo, apostando no comércio de açúcar, em sua plataforma logística e em uma retomada do mercado de etanol.

Em abril, pico da crise até o momento, a demanda por etanol nos Estados Unidos, onde a companhia atua através da Eco-Energy, registrava retração de 60%. Passados dois meses, a redução da demanda está "com menos de dois dígitos", próximo dos 9%, afirmou João Teixeira, presidente da Copersucar, em coletiva ontem. O dado é relevante, já que, em 2019/20, a Eco-Energy representou 58% do faturamento de R$ 30,1 bilhões do grupo, um recorde.

No Brasil, onde a Copersucar comercializa o etanol de suas usinas associadas, o comportamento do mercado é semelhante. Após o consumo chegar a registrar quedas de até 60% em algumas localidades, agora as reduções estão em torno de 20% a 30%, disse.

Inclusive, se a retomada da demanda por etanol for mais firme até o fim da safra, a companhia não descarta a possibilidade de o Brasil importar etanol dos Estados Unidos. "A arbitragem nos dois mercados está bastante restrita. Mas não significa que, com volatilidades, não possa haver janela de produtos de importação e exportação", afirmou Tomas Manzano, diretor financeiro.

Mas essa retomada, admitiu Teixeira, não deve ser linear, dadas as incertezas com as medidas de flexibilização e o comportamento do coronavírus. "Podem ter idas e vindas se tiver uma segunda onda, mas a tendência é de recuperação para essa demanda", apostou. Até agora, já dá para perceber algumas mudanças. "O consumidor mudou de postura. Passou a valorizar mais o carro particular do que o transporte público com medo de contaminações."

Teixeira não justificou o otimismo apenas ante uma possível recuperação do mercado de etanol. Por causa da crise, as usinas associadas à Copersucar logo migraram a produção do etanol para o açúcar, e a oferta do adoçante está a todo vapor.

De acordo com Manzano, a companhia tem batido recordes de exportação de açúcar todo mês. Na safra passada, com baixa produção do adoçante, as cooperadas exportaram 1,9 milhão de toneladas. Para a Alvean, trading que a Copersucar tem com a Cargill, o mercado global de açúcar deve apresentar uma demanda estável ante a safra passada.

As receitas em reais com exportação de açúcar são promissoras, já que as usinas da Copersucar aproveitaram o momento de alta da commodity no mercado internacional em fevereiro e o dólar valorizado na época para fixar boa parte das vendas desta safra. No momento, as associadas têm um nível de fixação próximo ao do Centro-Sul, entre 65% e 75% do volume a ser produzido. E, segundo Teixeira, se as usinas não tivessem migrado sua produção para o açúcar, o nível de fixação antecipada estaria em 90%.

Mesmo com o aumento do fluxo de exportação de açúcar, a companhia pretende manter o ritmo de exportação de grãos, sobretudo soja, em seu terminal no porto de Santos, que renderam resultados positivos para o Terminal Açucareiro Copersucar (TAC) na safra passada. "Vamos continuar os embarques de grãos sem abrir mão dos volumes de açúcar", disse Teixeira. No ano passado, a companhia fez investimentos "pontuais" no TAC, acrescentou.

Quando a pandemia estourou, a empresa decidiu reforçar sua liquidez com a contratação de novos financiamentos. O momento, porém, era de aperto de crédito e insegurança no sistema financeiro, o que a levou a contratar uma dívida com custo mais alto e com prazo mais curto do que seu perfil de crédito, na avaliação de Teixeira.

No fim da safra 2019/20, a Copersucar tinha R$ 2,7 bilhões em caixa, R$ 800 milhões acima do registrado um ano antes. A dívida de curto prazo havia duplicado, para R$ 1,2 bilhão, embora a dívida líquida, descontados os estoques, tenha caído 6%, a R$ 1,6 bilhão. Agora, o executivo disse que trabalha para trazer esse perfil "mais próximo ao seu risco de crédito".


Fonte: Valor Econômico