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Aposta futura: Unica vai à China promover etanol com Pequim adiando mistura maior

Postado em 10 de Janeiro de 2020

O staff da principal associação de usinas do Centro-Sul ainda arrematava os preparativos para mais uma missão à Ásia para promover o etanol, com a cobiçada China no meio, quando Pequim anunciou ontem (8) a suspensão de seu programa de aumento da mistura do biocombustível à gasolina. Deixou um pouco mais longe as chances de o Brasil pegar um pedaço do déficit de 12 bilhões de litros que a elevação a 10% de anidro acarretaria.

A viagem, a partir da última semana de fevereiro, não está morta, contudo. Mesmo porque ainda se entende que seja uma “frustação comedida”, já que a China enfrenta desafios ambientais e deverá retomar a política no mínimo a partir de 2021, na expressão de Eduardo Leão Souza, diretor-executivo da União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica).

O governo abortou o programa temendo pelos estoques de milho e a tendência de explosão de preços globais em 2020.

O hiato que o país dará ao seu processo de mitigar o efeito estufa – hoje o maior emissor global – e diminuir a poluição das cidades, sendo 60 delas entre as mais poluídas do mundo (de acordo com a Organização Mundial de Saúde), também pode ser visto pelo lado positivo.

Na medida em que o Brasil tem pouca capacidade de incrementar volumes maiores de exportações de etanol, diante de um cenário interno desafiador na balança oferta-demanda, ao menos a missão ajudará a entender o que os chineses pensam para o futuro.

“Esperamos que a China sinalize claramente o que pretende para que os países fornecedores dimensionem volumes e timing”, explica. Uma questão, portanto, de planejamento futuro.

Entra nessa história o que Pequim pensa também sobre a taxa de importação, que hoje é salgada, de 30%.

O giro da diretoria e técnicos da Unica passará por Tailândia, Paquistão e Índia também. Mas nestes por razões diferentes. Canavieiros e açucareiros – e que adoram subsídios que deprimem a commodity no mercado internacional, especialmente os indianos –, esses países poderiam usar mais cana para etanol, encurtando a oferta de açúcar. Igual a melhores preços.

Daí que os produtores brasileiros insistem em manter um diálogo constante com governos e empresários (como vem ocorrendo com a Índia), a fim de eles conhecerem e entenderem melhor as vantagens e a importância do etanol, a partir da experiência brasileira de mais de 40 anos.

Mais do que ensinar a fazer, o que não é bem o caso, vale o destaque que o executivo da Unica defende: levar o conhecimento técnico do aumento da mescla na gasolina, que no Brasil já está em 27%.

Potencial dos EUA
A China, por exemplo, tem empresas com grande potencial para produção de etanol, sendo que dos 4 bilhões de litros atuais, em torno de 20% é de mandioca e o restante de milho. O país tem uma relativa produção de cana, mas parece a Eduardo Leão que não fabrica o biocombustível dessa matriz.

Mas o gap entre o que fabrica e o que precisaria para chegar aos 10% de mistura, algo como 16 bilhões de litros, certamente demandaria uma janela aberta para o mundo. “O primeiro passo seria aumentar o acesso aos produtos importados”, avalia ele.

 


Fonte: Money Times