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Aquecimento nas vendas de combustíveis favorece o RenovaBio

Postado em 2 de Junho de 2020

Queda drástica da demanda leva a avaliar novas metas para a aquisição dos CBios e gerou dúvidas sobre a implantação do programa, mas a retomada do consumo fortalece o RenovaBio

A redução às restrições de isolamento social [em decorrência da pandemia do Coronavírus] adotadas pelos estados brasileiros, promove o aumento da procura por gasolina e etanol. No momento mais sensível da crise, o volume médio diário chegou a cair 65%, mas, em 24 de maio, as empresas de combustíveis conseguiram reduzir o percentual para - 49,8%. O aumento é gradual, porém, a expectativa é que a demanda doméstica por combustível deva se intensificar nos próximos dois meses.

As refinarias da Petrobras (PETR4) também estão praticamente de volta aos níveis pré-covid. Na semana passada, a utilização média das operações no Brasil chegou a 73,6%.

 A retomada do abastecimento favorece o RenovaBio – Política Nacional de Biocombustíveis –, o programa estimula à produção e o consumo de combustíveis provenientes de energia limpa, como o etanol de cana-de-açúcar.  A Renda para os produtores de biocombustíveis virá com a venda de créditos de descarbonização (CBios) para distribuidoras de combustíveis.

O programa estabeleceu uma meta de vendas anuais de CBios, o objetivo era que fossem adquiridos 28,7 milhões de CBios neste ano. Mas a queda drástica da demanda exigiu avaliação para estabelecer novas metas para a aquisição dos CBios [ainda em estudo]. E chegou até mesmo a gerar dúvidas se realmente o programa seria implementado. O aumento do abastecimento de combustíveis, pode amenizar o corte da meta de vendas de CBios e, inclusive, aquecer o desenvolvimento do RenovaBio.

Mas quem está apto a comprar CBios? De imediato, a distribuidora. “A que vendeu mais combustível fóssil, vai ter que comprar mais CBios. O produtor vai certificar a sua produção e daí estará apto a emitir esse título. A certificadora usa a RenovaCalc, que é uma ferramenta para o cálculo de emissão”, detalha Luciano Rodrigues, gerente de economia e análise setorial da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

O mercado de CBios pode ter outros agentes no futuro. Uma empresa que quiser lançar um produto conforme o programa “Carbon Free”, ao invés de contratar uma ONG para plantar árvore, ela compra o CBio e neutraliza a emissão do processo produtivo dela – explica. 

O CBio vai ser comercializado no mercado organizado, inicialmente em mercado de balcão e muito provavelmente em algumas plataformas de corretoras. Quem produz biometano de biogás ou biodiesel de sebo precisa de 300 a 400 litros para emitir um CBio, uma usina de etanol de cana em torno de 700 litros – observa.

É fundamental que o RenovaBio comece a operar com a obrigatoriedade de compra do CBio pela distribuidora de acordo com a quantidade vendida de gasolina ou diesel – afirma Luiz Carlos Corrêa Carvalho (Caio Carvalho), diretor da Canaplan, consultoria com sede em Piracicaba, SP.

“Gostaríamos que outros agentes, na própria cadeia produtiva, participem ativamente disso. Vamos ter vários players para que o mecanismo não fique amarrado só na distribuidora. Se ficar amarrado somente num grupo, em um determinado período pode ter algum problema de preço e de mercado”, avalia.

Segundo ele, o RenovaBio é muito importante para o setor. “Agora depende de nós. Precisamos viabilizar o programa de uma forma proativa”, ressalta.


Fonte: CanaOnline