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Arnaldo Jardim aponta o agronegócio como prioridade

O político do PPS, ligado ao setor sucroenergético, planeja ficar mais quatro anos na Câmara ajudando a implantar o RenovaBio

A CIDADE: Deputado, durante o atual mandato, o senhor passou mais tempo como Secretário Estadual da Agricultura do que na Câmara Federal. Caso reeleito, quais são os planos para os próximos quatro anos?
Primeiro do ponto de vista da Câmara Federal, quero me dedicar ao setor agropecuário. Com especial foco na questão de implementar o RenovaBio. E há uma relevância muito grande disso para Ribeirão Preto e região. Porque a cana-de-açúcar é responsável por toda uma cadeia de produção e logística na região e no Estado. O RenovaBio vai dar um alento para essa cadeia. Deputado, do que trata exatamente o Renovabio?
O RenovaBio é uma política para o fomento aos biocombustíveis. Etanol, biodiesel, bioquerosene e o biometano. Essa política foi formulada pelo setor e eu acompanhei como secretário da Agricultura. Durante dois anos presidi o conselho nacional de secretários da agricultura e isso me fez tratar de temas nacionais da questão agro. O RenovaBio já foi aprovado na Câmara e no Senado e se transformou em lei. Já foi feita a regulamentação e as metas já foram estabelecidas. Agora, em Brasília, eu coordeno a frente parlamentar do setor sucroenergético. E eu estou acompanhando para que tudo seja concretizado.

Nos últimos quatro anos, o que o senhor fez que o credencie a receber o voto do eleitor mais uma vez?
São algumas diretrizes que nós implantamos na Secretaria Estadual da Agricultura. A primeira, foi substituir a disputa agricultura versus meio ambiente. Abrimos um caminho para estabelecer isso em harmonia. Nós fizemos programas como o uso de biotecnologia, como o programa Nascentes, programas que fizemos para a padronização de procedimentos, como o uso de agroquímicos, que são necessários, mas é preciso fazer isso de forma mais harmônica com a questão ambiental, de forma sustentável. Fizemos uma experiência que chamamos de Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF). Um novo conceito de como produzir. O segundo aspecto foi reconhecer que temos em São Paulo uma grande diversidade de culturas e que nós temos que conviver com o grande, o médio e o pequeno agricultor. Nós desenvolvemos um programa chamado Microbacias II, que nos permitiu fortalecer e fomentar 267 cooperativas e associações. Em Guatapará, ajudamos a associação dos produtores de ovos, em Batatais, ajudamos a associação batataense de agricultura familiar, em Brodósqui, ajudamos pequenos cafeicultores, que eles puderam ter uma sala de prova e ter critérios ambientais para a produção, que agregou muito valor lá. O terceiro aspecto, a secretaria tem um acervo técnico muito grande, com seis institutos de pesquisa. O IAC (Instituto Agronômico), que tem 132 anos, o Instituto de Zootecnia, que tem uma grande unidade em Sertãozinho, o Instituto de Pesca, o Instituto de Pesca, o Instituto de Tecnologia de Alimentos, Instituto Biológico, que tem um grande laboratório em Descalvado, e o Instituto de Economia Agrícola. O que nós fizemos? Nós modificamos isso para que essa parte do conhecimento ficasse mais próxima da produção agrícola. Mudamos o perfil dos institutos. Quando eu entrei (como secretário da Agricultura), 5% dos recursos dos institutos vinham de parcerias com o setor privado. Nós saltamos para 28%. O nosso pesquisador agora pode participar do registro e rendimento monetário que gera a pesquisa. É uma fórmula de motivar o pesquisador.

É possível incrementar a Agrishow?
Em Ribeirão Preto, temos o espaço que recebe a Agrishow. Os estudos estão bem adiantados para, além da Agrishow, quando o espaço é usado uma vez ao ano, nós tenhamos uma feira no segundo semestre. Está sendo preparado um edital de chamamento para ter outra grande feira. A Agrishow é um grande momento para Ribeirão e Região, por causa da movimentação financeira e a geração de emprego. Queremos, pelo menos, uma outra atividade como essa.

Deputado, quando o senhor deixou a pasta da Agricultura, como ficou a questão do Museu da Agricultura, promessa feita pelo governo paulista em 2013?
Está parado. Precisamos pensar em uma forma de parceria. Nós temos uma parceria bem desenvolvida que é o Museu da Cana em Pontal. Eu penso que o Museu da Agricultura pode ser a ampliação do Museu da Cana. Mas tem que ser através de parceria. Nesse momento de crise, o governo tem outras prioridades.

O senhor votou a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). A atuação do presidente Michel Temer (MDB) decepcionou o senhor?
Decepcionou. Eu gostaria que ele tivesse uma ênfase maior do ponto de vista do governo. Ele acabou em determinado momento em ter projetos políticos próprios. Ele deveria logo no começo ter feito uma convocação para entrar em um processo de reconstrução. Não deu conta de fazer isso, se envolveu em alguns escândalos. O PPS votou a favor do processo em relação ao Temer. No entanto, o impeachment se deveu a uma questão objetiva do ponto de vista jurídico e foi correta para manter o equilíbrio fiscal.

Arnaldo Calil Pereira Antunes
Nome da urna: Arnaldo Jardim
Partido: PPS
Idade: 63 anos
Profissão: Engenheiro
Carreira: Deputado estadual durante três mandatos (1987 2006) e desde 2007 é deputado federal. Busca o quarto mandato. Foi Secretário Estadual de Agricultura entre 2015 e 2018.


Fonte: Jornal A Cidade de Ribeirão Preto