Clipping

As usinas e o impacto do tabelamento dos fretes

O tabelamento do frete nas estradas está elevando os custos de transporte para as indústrias

*Marcos Françóia

Com as mudanças recentes feita pelo Governo Federal para atender as reinvindicações dos caminhoneiros, o foco na administração dos custos não pode ficar somente na quantidade de combustível utilizado no processo, ou seja, quem consome mais, gasta mais. O foco passa em administrar o impacto do transporte nos demais custos de produção e esse impacto será grande até para aqueles que já estão no limite dos esforços de economia, fazendo uma boa gestão sobre seus números e principalmente nas operações da área agrícola.

O impacto será indiferente para as empresas que não conseguem fazer a sua gestão focada em resultados, focada em soluções e não em problemas, já que mais de 60% do setor está com problemas de endividamento e em adquirir os insumos e produtos necessários para a operação que se tornou um desafio de que chamo de “desafio do conseguir comprar”, pois sem crédito e sem credibilidade, muitas empresas pagam uma taxa adicional de compra altíssima, sem olhar o quanto isso impacta nos seus resultados. Para essas empresas o importante é produzir com a esperança infundada de dias melhores, que não se vislumbram no curto prazo. De ações de esperanças infundadas, viram esperanças afundadas, que mergulham as empresas em problemas ainda maiores e insolúveis na maior parte dos casos.

Voltando as questões do impacto dos combustíveis nos custos, o tabelamento do frete nas estradas está elevando os custos de transporte para as indústrias, que inicialmente não aparecem no transporte da cana, já que de imediato até se constata uma redução no valor do diesel, porém os demais transportes já estão elevando os custos dos demais materiais e insumos, já estimados por algumas empresas em aumentos de 30% a 150% em alguns casos.

Essa é uma conta que não é fácil de compreender ou de mostrar, pois envolve uma diversidade de materiais e setores que atendem a agroindústria do agronegócio sucroenergético e que se diferenciam em seus modelos de distribuição e formatação da logística para atendê-lo. O que é fato é que os custos de produção estão aumentando em todo o processo produtivo e irão impactar na tabela de frete do transporte de cana.

Já há relatos de usinas com movimento dos terceiros frentistas reivindicando uma revisão na tabela de frete sob a alegação de que, apesar das “garantias” de preço menor no diesel, os demais custos, principalmente o de peças, já estão maiores.

Estratégia é um jogo de xadrez onde a mudança de cada peça impacta diretamente nas ações seguintes. Assim é na vida e nos negócios e somente pessoas com habilidades diferenciadas em liderança é que farão a diferença.

Em um ano já fragilizado pelo descompasso nos preços e diminuição de matéria-prima, a gestão de custos cada vez mais ganha importância para a sobrevivência, o que nunca deveria ser diferente. Você empresário, como está a sua gestão de custos?

*Marcos Françóia - GRANT THORNTON & MBF AGRIBUSINESS


Fonte: CanaOnline