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Aumenta a inflação na capital mineira, puxada pelos preços da gasolina

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou em agosto o segundo mês consecutivo de alta em Belo Horizonte. A inflação no último mês já havia sido prevista pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e acabou se confirmando após o indicador encerrar o período com variação positiva de 0,13%.

O resultado era esperado principalmente por causa do aumento da tributação sobre os combustíveis, ocorrido no fim de julho.

Em agosto, o preço dos produtos administrados em Belo Horizonte subiu 1,53%, de acordo com pesquisa da fundação divulgada ontem. Entre as principais influências para a alta estiveram as elevações no custo da gasolina comum (6,50%), da tarifa de água (8,70%) e da energia elétrica residencial (2,39%).

Os três produtos do grupo, aliás, ficaram entre as cinco maiores contribuições para o aumento da inflação na região. Vale lembrar que, no último mês, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) acionou a bandeira tarifária vermelha, patamar 1, que gerou um custo adicional de R$ 3,00 a cada 100 kWh (quilowatts-hora) consumidos na conta de luz.

“Após o anúncio (de elevação nos preços dos combustíveis) no fim de julho, a gente já esperava que agosto viria com inflação maior do que a revelada nos últimos meses, mas tivemos o contraponto com a queda de 12,15% nas excursões - que é um item sazonal -, na passagem aérea (-21,03%), e os alimentos in natura, de forma geral, vêm caindo, com recuo acumulado de 10,38% no ano”, explica a coordenadora de pesquisa e desenvolvimento da Fundação Ipead, Thaize Vieira Martins Moreira.

Entre os 11 itens agregados que compõem o IPCA da Capital, as maiores retrações no último mês se deram no grupo vestuário e complementos (-4,59%) e alimentos in natura (-2,48%).

No acumulado do ano, a inflação em Belo Horizonte segue aparentemente sob controle, com um crescimento de 2,61%. Nos últimos 12 meses, o indicador aponta uma variação positiva de 3,63%, abaixo da meta do Banco Central para 2017, que é de 4,5%.

Thaize Moreira explica que o IPCA no município tende a fechar o ano dentro do percentual estabelecido pelo governo federal, mesmo com os últimos dois meses tendo acumulado inflação. A especialista destaca que para que não haja nenhuma surpresa, no entanto, os preços dos produtos administrados devem apresentar relativa estabilidade até lá.

“Se não fossem os produtos administrados, talvez em agosto tivéssemos uma deflação. Então, se for seguir a linha de não ter novas alterações (nesse grupo), a gente vai manter o ritmo de inflação mais controlada em 2017, o que é possível perceber nos números do acumulado do ano e dos últimos 12 meses”, pondera.


Fonte: Diário do Comércio