Clipping

Aumenta participação de mulheres com nível superior no agronegócio

Presença subiu 8,3% de 2004 para 2015, enquanto a dos homens caiu 11,3% na mesma comparação

Enquanto a força de trabalho no agronegócio como um todo cai, a das mulheres, especificamente, cresce.

Elas chegam ao mercado com carteira assinada e com um grau mais elevado de educação.

Além disso, a maioria delas se considera satisfeita com as funções desempenhadas, com a remuneração e com o aprendizado no serviço.

Mesmo com esses bons indicadores, são necessárias algumas melhorias, entre as quais a do nível hierárquico dos cargos usualmente ocupados por elas no agronegócio.

Essas constatações aparecem em uma pesquisa sobre a participação das mulheres no agronegócio, feita pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

O órgão, ligado à USP (Universidade de São Paulo), desenvolverá três pesquisas no setor. A primeira, que está sendo disponibilizada, é ligada à evolução da mulher no agronegócio.

A segunda tratará da participação das trabalhadoras na atividade, e a terceira mostrará questões relacionadas à desigualdade salarial.

O Cepea analisa a participação feminina em quatro segmentos: no da produção (dentro da porteira), no de insumos, no da agroindústria e no de agrosserviços.

A fase de comparação é a de 2004 a 2015. Nesse período, a força de trabalho caiu 6,6% no setor. Enquanto o número de homens na atividade recuou 11,6%, o de mulheres subiu 8,3%.

As mulheres, que participavam com 24% da força de trabalho no setor, em 2004, elevaram a participação para 28% em 2015.

A pesquisa do Cepea mostra que 20% das mulheres trabalhavam dentro da porteira em 2015. Os maiores contingentes estavam no setor de agrosserviços, com 45%, e no de agroindústria, com 34%.

Dentro da porteira, as principais atuações das mulheres são na horticultura e na avicultura. A participação na extração do leite também é importante, mostra a pesquisa.

A melhora da economia, principalmente no agronegócio, permitiu uma evolução de 5,3% ao ano nas contratações das mulheres com carteira assinada.

O setor avançou na contratação de trabalhadoras com idade superior a 30 anos, casadas e sem filhos.

No período de 2004 a 2015, a participação das mulheres com ensino superior dobrou, passando de 7,6% para 15%. Já a das que têm apenas o ensino fundamental caiu.

O levantamento do Cepea avaliou, ainda, o grau de satisfação das mulheres com o emprego, que foi de 68%. Quanto ao salário, 59% disseram estarem satisfeitas.

Ritmo recorde As vendas de etanol hidratado atingiram 2 bilhões de litros no mês passado no mercado interno. Esse volume supera em 34% o de setembro, quando as usinas da região centro-sul do país haviam colocado 1,5 bilhão de litros no mercado.

Paridade Os dados são da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), que atribui essa intensa venda do etanol aos preços mais favoráveis do derivado da cana do que os da gasolina.

Paridade 2 Dados da representante das usinas do centro-sul indicam que o etanol vale apenas 63% do valor da gasolina no Brasil. Há uma ano, a paridade era de 73%, o que tornava a gasolina, naquele mês de 2017, mais favorável do que o do etanol.

Ainda aquecido O ritmo de exportações de soja está forte. Dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços indicam que o país já embarcou 1,9 milhão de toneladas neste mês. O volume poderá superar 4 milhões de toneladas.

Efeito Rússia? As exportações de carne suína “in natura” superam em 26% as do mês passado. A Secex (Secretaria do Comércio Exterior) aponta 19 mil toneladas neste início de mês. Nesse ritmo, as exportações devem atingir 60 mil toneladas.

Receitas Os preços externos da carne suína devem garantir receitas melhores para o setor nas próximas semanas. A tonelada atingiu US$ 1.834 neste mês, acima dos US$ 1.792 do mês anterior.

Vaivém das Commodities
A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

 


Fonte: Folha de S. Paulo