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Aumentos sucessivos nos combustíveis são reflexos do mercado internacional

Postado em 10 de Março de 2021

Delegado do Sindipetroleo afirma que os reajustes afetam a vida de consumidores e dos próprios revendedores de combustíveis

Os consumidores brasileiros foram surpreendidos neste início de ano com uma série de aumentos nos preços dos combustíveis. No caso da gasolina, foram seis reajustes em 2021, acumulando alta de 53%. No caso do diesel, foram cinco reajustes no ano, com uma variação de 40% desde janeiro. Já o etanol teve cerca de 30% de acumulo neste período.

Em entrevista exclusiva a CenárioMT, o delegado do Sindipetroleo-MT em Lucas do Rio Verde, empresário Vilson Kirst, diz que os reajustes têm impactado nas próprias revendedoras que passaram a comercializar menos combustíveis neste período. “Quem abastecia R$ 50 por semana antes dos reajustes, continua abastecendo os mesmos R$ 50, porque não teve aumento em seus rendimentos, o que significa que os revendedores diminuíram o volume de venda aos consumidores”, observa.

Kirst assinala que os aumentos nos combustíveis impactam diretamente nos custos da cesta básica e em outros itens. Como o país depende da logística para abastecer os municípios, o aumento no óleo diesel tem reflexo imediato na vida dos brasileiros. “Não é bom para ninguém. E nós que revendemos estes produtos, com aumentos de 40% a 50%, imagina o capital de giro que temos que dispor? Não é fácil. É preferível que esses combustíveis tivessem a metade do preço que tem hoje. Seria melhor para todo mundo”, pontua.

Como a Petrobras é uma empresa com capital aberto, tendo em sua diretoria representantes da iniciativa privada, ela segue a tendência do mercado internacional. Como o dólar ‘alto’, os preços praticados acompanham essa tendência, sem a possibilidade de interferência do Governo Federal. “Não temos muito o que fazer, nem o governo federal consegue interferir. Então, imagine nós, postos revendedores. E na maioria das vezes, nós levamos a culpa, somos taxados que somos culpados devido a esses aumentos”, destacou Kirst. “A nossa margem de lucro não aumenta: se tivesse R$ 3 o litro de combustível, estaríamos ganhando a mesma coisa. É muito difícil para nós”, acrescenta.

Custo de manutenção
Para manter a estrutura funcionando, um posto de combustíveis mantém um grupo de funcionários que se revezam em turnos, além das despesas fixas. Além das vendas à vista, cada revendedor tem sua carteira de clientes que permite vendas a prazo, outro fator que impacta negativamente com os aumentos sucessivos e em pouco tempo.

PIS/Cofins
Por meio de decreto, o Governo Federal zerou o valor do PIS/Cofins incidente sobre o óleo diesel A. O delegado do Sindipetroleo-MT observou que este decreto provocou confusão junto à opinião pública, deixando os revendedores de saia justa. Ele explica que o óleo diesel A tem 13% de biodiesel em sua composição e esse percentual tem tributação. “Então ainda temos imposto no óleo diesel, que é devido ao biodiesel e isso confunde o consumidor”, explicou, ressaltando que até os revendedores sofrem ao fazer esses cálculos.

O impacto da decisão do governo no preço do óleo diesel não deverá ser sentido pelo consumidor. Quando tomou a decisão, a redução seria na casa de 30 centavos por litro. Porém, como ocorreram reajustes nesse período, o preço acabou subindo cerca de 30 centavos. “Esses 30 centavos do imposto federal ‘evaporou’. O valor foi absorvido pelos reajustes”, citou.

A partir do próximo dia 22, os postos de combustíveis deverão ter um painel detalhando os tributos e percentuais que incidem em cada tipo de combustível comercializado no estabelecimento. “É mais um custo. Imagina quando tem variações semanais nos preços dos combustíveis e estar atualizando essas informações. Com certeza é muito difícil para os revendedores de combustíveis”, assinala.

Kirst observa que os combustíveis são os únicos produtos que têm obrigação legal de terem seus preços expostos na entrada dos estabelecimentos. “É lei. Se não tem o revendedor é punido, é multado. É só no setor combustível”, destaca, lembrando que o posto de combustíveis é o tipo de comercio que recebe o maior impacto quando o assunto é fiscalização. São seis tipos de fiscalização: município, Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Corpo de Bombeiros, Inmetro, Ibama e Agência Nacional de Petróleo. “Veja o que temos que atender. E tudo gera custos, mas não estou reclamando, devido a fiscalização, porque é tudo questão de segurança para nós, empresa, e também ao consumidor”, esclarece.

Etanol
Por conta da entressafra da cana de açúcar na região sudeste, o preço do etanol está elevado. O milho, outro produto usado na produção do combustível, está com preço em alta, impactando no preço do etanol ao consumidor. “Bom para o agricultor, para a agricultura, mas para o consumidor o preço aumenta”, observa.

Além disso, outro fator ajuda a impactar no preço praticado na bomba: o transporte da distribuidora aos revendedores. Um projeto de lei está em tramitação no Congresso para permitir que o etanol possa ser adquirido direto das usinas produtoras. “Poderia dar uma diminuída no custo. Imagina na nossa bandeira, BR, nós vamos buscar em Cuiabá, Sinop, Rondonópolis, Porto Velho (RO), produto que as vezes saiu aqui de Lucas, vamos buscar em Cuiabá de novo”, adianta.

Lucros
E meio a pandemia, a BR Distribuidora teve lucro de R$ 3,1 bilhões, anunciados esta semana. Em 2019, a empresa anunciou lucro de aproximadamente R$ 100 milhões. Já Petrobrás teve lucro de R$ 59 bilhões no último trimestre. Como no restante do ano houve prejuízo, no final do ano a empresa acabou tendo lucro de R$ 7 bilhões. “Enquanto algumas empresas estão fechando as portas, não tendo resultado positivo, outras empresas parecem estar vivendo um momento bom na economia pra ter tantos lucros”, constatou o delegado do Sindipetroleo-MT.

 


Fonte: Cenário MT