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Avança a renegociação das dívidas da Biosev

Postado em 16 de Março de 2021

A francesa Louis Dreyfus Company (LDC) avançou nas últimas semanas nas negociações com os bancos credores da sucroalcooleira Biosev para rolar as dívidas e concluir a venda da empresa à Raízen (joint venture entre Cosan e Shell ).

Nas tratativas, a LDC ofereceu garantias para a parcela do endividamento que não será quitada pela compradora, conforme apurou o Valor com uma fonte a par do assunto. No início de fevereiro, a Raízen acertou a compra da Biosev por meio do pagamento de R$ 3,6 bilhões de sua dívida e a entrega de quase 5% de suas ações preferenciais aos acionistas da da Biosev. Ainda assim sobraram R$ 4,1 bilhões em dívidas.

Segundo a fonte, a LDC ofereceu como garantia aos bancos as ações que terá na Raízen via Hédera (seu veículo de investimentos, que também passará a contar com participação dos minoritários da Biosev) e as ações no Terminal Exportador de Açúcar do Guarujá (Teag), que hoje é controlado por Biosev e Cargill.

A LDC também deverá apresentar uma “comfort letter” (carta de conforto) aos bancos garantindo que aportará dinheiro em seu negócio no Brasil caso algum valor deixe de ser pago, segundo a mesma fonte.

As negociações ainda estão em andamento, mas a discussão caminha para postergar para daqui dez anos o prazo da dívida de R$ 4,1 bilhões da Biosev que será assumida pela Hédera. A princípio, a amortização da dívida deverá ocorrer apenas no vencimento (modalidade de empréstimo conhecida como “bullet”), mas com um compromisso de que a LDC direcionará os dividendos que receber de sua participação na Raízen para adiantar o fluxo. Procuradas, Biosev e LDC Brasil preferiram não comentar.

O negócio entre Raízen e Biosev já foi aprovado pela Superintendência Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Embora o processo tenha sido posteriormente questionado no órgão por uma associação de postos independentes, a AbriLivre, a presidência do Cade negou o pedido e a expectativa é que a aprovação final seja publicada nos próximos dias.

Mas a conclusão da transação também depende da reestruturação da dívida da Biosev e do fechamento de capital. Para essa última etapa, os minoritários da sucroalcooleira terão pela frente uma janela, ainda não definida, para aderirem ao plano de venda das ações pelo valor de US$ 2 (com ajuste), conforme informado pela própria Biosev na época do anúncio da transação.

As ações da Biosev fecharam ontem a R$ 8,54, ou US$ 1,51. Os acionistas minoritários que aderirem poderão trocar a participação que têm na Biosev por uma fatia equivalente na Hédera.

Quando a compra for concluída, Raízen e Hédera firmarão um acordo de acionistas que deverá determinar os direitos da Hédera com relação ao fluxo de dividendos. A Hédera também poderá ter liquidez com o exercício de opções de venda das ações da Raízen seis meses após o nono aniversário da conclusão da operação por 80% de seu valor de mercado.A Raízen poderá exercer opção de compra das ações em posse da Hédera seis meses após o sexto, sétimo, ºoitavo e nono aniversários do fechamento da transação, por 100% de seu valor de mercado.

 


Fonte: Valor Econômico