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Avança negociação entre Raízen e Biosev

Postado em 28 de Janeiro de 2021

Negociações dependem de uma solução para a dívida da controlada pela Louis Dreyfus Company

A Raízen, joint venture entre o grupo Cosan e a Shell, está próxima de fechar um acordo para a compra da Biosev, empresa sucroalcooleira da trading francesa Louis Dreyfus, apurou o Valor.

As negociações avançaram nos últimos dias, mas ainda dependem de uma solução para a dívida da Biosev, que era de R$ 7,6 bilhões no fim do 2º trimestre da safra 2020/21, e do destino do Terminal Exportador de Açúcar do Guarujá (Teag) - que a subsidiária da trading Louis Dreyfus opera atualmente com a Cargill -, segundo uma fonte a par do assunto.

A expectativa é de que a compra da Biosev pela Raízen seja feita por troca de ações. No entanto, o grupo que pertence ao empresário Rubens Ometto não estaria disposto a assumir as pesadas dívidas da companhia, que tem nove usinas no Brasil - uma delas paralisada. Cerca de R$ 3 bilhões vencem já na próxima safra (2021/22).

Outra alternativa na mesa seria pagamento em dinheiro, mas isso também depende do desconto que a Biosev conseguir com bancos credores para o tamanho do seu endividamento.

De acordo com uma fonte, a joint venture entre Cosan e Shell também não tem a intenção de assumir a parcela de 50% que a Biosev possui no Teag. Controladora da Rumo, a Cosan já possui terminais de exportação de açúcar e grãos no Porto de Santos.

Procuradas, Biosev e Raízen não quiseram comentar o assunto. No último dia 15, o conselho de administração da Biosev, que reúne cinco representantes da trading francesa e outros três independentes, autorizou a diretoria da companhia a avançar nas conversas.

O colegiado também permitiu que, a depender dos resultados, os executivos submetam uma “potencial transação”  ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) - mesmo antes da conclusão das negociações e da celebração dos contratos definitivos.

A informação consta em uma ata da reunião do colegiado que foi publicada na noite da última terça-feira, 26, na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Líder do setor, com 26 usinas de açúcar e álcool, a Raízen está há mais de um ano negociando a compra da concorrente, vice-líder do mercado até a safra passada. A operação se tornou pública em setembro de 2020. À época, a controlada da LDC informou que a operação também estaria vinculada a “discussões com certos bancos credores sobre possível readequação de parte de seu endividamento”.

A aquisição da segunda maior processadora de cana do país pela maior empresa do setor deve reunir em um só grupo mais de 100 milhões de toneladas em capacidade instalada, ou cerca de 15% da moagem de cana do Centro- Sul. Na safra passada, o faturamento da Raízen Energia alcançou R$ 30 bilhões, e o da Biosev, R$ 7 bilhões.

Com 26 unidades de produção (três delas paralisadas), a Raízen deverá elevar sua participação de mercado para 13%, se concluir o negócio. A operação deverá marcar um novo momento de consolidação para o setor, que passou por uma forte crise financeira nos últimos anos.

Ontem, o valor de mercado da Biosev, que possui 5,994% do capital na mão de acionistas minoritários, era de R$ 8,2 bilhões - mais que o dobro do que no início da safra atual.

 


Fonte: Valor Econômico