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Banco Central derruba projeção de crescimento da economia para 1,6% em 2018

Com a atividade mais fraca e os impactos da greve dos caminhoneiros, o Banco Central (BC) diminuiu a previsão para crescimento deste ano de 2,6% para 1,6%. Foi um forte ajuste, de um ponto percentual, em apenas três meses, que é o intervalo entre os relatórios de inflação do BC.

A paralisação do setor de transporte foi um dos motivos dessa alta. No entanto, ela não comprometeu as expectativas para os preços para os próximos dois anos, que estão menores.

A previsão para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2019 caiu de 4,1% para 3,7%. Já para 2020, a perspectiva passou de 4% para 3,7%. No relatório, o BC disse que o momento prescreve a manutenção da taxa Selic no nível atual. No entanto, o presidente da autoridade monetária, Ilan Goldfajn, esclareceu que a declaração se referia à decisão da semana passada do Comitê de Política Monetária (Copom) e não é uma mudança de orientação. Ele reafirmou que o Banco Central não dará uma sinalização de quais serão os próximos passos da política de controle de preços.

- A sinalização é a mesma da ata (do Copom). Não é o momento de sinalização futura. Temos choques na economia - argumentou Ilan ao lembrar dos efeitos que a alta do dólar e a greve dos caminhoneiros devem ter.

Questionado se o BC - ao não sinalizar o que deve fazer em breve - não contribuía para aumentar o pessimismo dos agentes econômicos, Ilan disse apenas que é preciso entender primeiramente os impactos desses choques na economia.

A taxa Selic está em 6,5%. Alguns economistas trabalham com a possibilidade de ter uma alta do nível dos juros básicos ainda neste ano apesar do nível fraco de atividade.

Na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na terça-feira, o Banco Central não tinha se comprometido com os próximos passos da política de combate à inflação. Agora, após divulgar projeções para os próximos dois anos, a autarquia fala em manter juros. Argumenta que foca nas previsões para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A estimativa para 2019 caiu de 4,1% para 3,7%. Já para 2020, a perspectiva passou de 4% para 3,7%.

Um capitulo do relatório foi inteiramente dedicado a explicar a demora da retomada do crescimento. Os técnicos analisaram os dados dos cinco ciclos mais recentes de recuperação da economia. Quando se considera o consumo das famílias após os cinco trimestres depois do pior momento, o momento atual se parece com os anteriores. O consumo cresceu 3,1% favorecido pelo processo de desinflação, pela geração de empregos, pela reação ainda que moderada do crédito. O BC ressaltou que a recuperação do mercado de trabalho está mais lenta que o comum. Já o investimento mantém o mesmo ritmo de outros períodos pós recessão.

A perspectiva do BC é que os números melhorem daqui para frente. Apesar de diminuir a previsão para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB), a autarquia aposta num ano melhor para a agropecuária, por exemplo. O setor deverá crescer 1,9% no ano. A estimativa anterior era de queda de 0,3%. A melhora na projeção se deve a resultado acima do esperado no primeiro trimestre e à sequência de elevações nos prognósticos para a produção agrícola anual. O ano deve ser bom para a produção de soja, café e cana-de-açúcar, produtos de relevância para o Brasil.

Por outro lado, o BC diminuiu a projeção para o desempenho da indústria de 3,1% para 1,6% por um desempenho aquém do previsto na indústria de transformação e, principalmente, na construção civil.

 


Fonte: Jornal O Globo