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Bancos disputam os produtores na Agrishow

O agricultor Jair dos Santos Neto foi para a Agrishow com a missão de renovar parte de sua frota de maquinário agrícola. Acompanhado da esposa, Adriana dos Santos, varreu os estandes do evento atrás de uma boa oportunidade de negócios na compra de uma colheitadeira de grãos, que será usada em sua propriedade rural de 220 hectares em Orindiuva, município de São Paulo que fica cerca de 200 km de Ribeirão Preto, onde a feira acontece até amanhã.

Uma das preocupações do produtor no momento da aquisição era, justamente, as condições de pagamento. Neto optou pela colheitadeira classe 6 Massey Ferguson 9695. O investimento de R$ 970 mil foi realizado a partir da linha de crédito do Moderfrota, que, para a feira, conta com a possibilidade de pagamento da primeira parcela somente em 2019, além de taxa de 7,5% ao ano, pelo prazo de sete anos.

Na iminência do anúncio de um novo plano safra, as instituições financeiras vieram para a Agrishow com valores elevados em crédito pré-aprovado. A AGCO Finance, que financia maquinário Massey Ferguson, levou R$ 700 milhões em crédito pré-aprovado a feira. O valor é cerca de 30% superior ao disponibilizado no ano passado (R$ 550 milhões).

Mesmo com as sinalizações de diminuição de taxas no plano safra 2018-2019 em razão da queda da Selic, a avaliação do superintendente comercial da instituição financeira, Paulo Schuch, é de que não houve retração nas aquisições de máquinas pela possibilidade de melhores condições de financiamento mais adiante. "O que acontece é os agricultores aproveitarem esse momento de safra farta e bons preços para investirem naquilo que precisam", argumenta.

O Santander é outro banco que está com quantidade importante de crédito pré-aprovado – mais de R$ 1 bilhão. Como maneira de atrair público, o banco passou a isentar seus clientes de comissão, ou seja, excluiu a taxa de mercado que incide sobre o valor total da compra (flat 0%). "Isso tem capacidade de diminuir o valor do produto em 2% a 3%. Em produtos de alto valor é muito significativo", argumenta o superintendente executivo de agronegócios, Paulo Bertolane. No Banco do Brasil, maior financiador do setor agrícola, os primeiros dias de feira foram de procura superior em 50% na relação com os primeiros dias de feira do ano passado. "Realizamos ações anteriormente ao evento que impulsionaram a procura, além disso, não estamos cobrando taxa flat e aumentamos os limites de crédito do portfólio investimento", disse.

Como terceira maior fonte de crédito do País, sendo a principal em repasses atrelados ao Bndes, o Sicredi levou R$ 100 milhões pré-aprovados, montante bastante superior aos R$ 33 milhões do ano passado. Por outro lado, o gerente de crédito direcionado da instituição, Silas Souza, lembra que quem adquire maquinário agora é, majoritariamente, quem tem uma necessidade imediata. Como consultor dos associados da cooperativa de crédito, ele recomenda cautela. "Se tem como esperar um pouco, faz sentido aguardar pelo próximo plano", diz.

A partir de parceria com o banco holandês DLL, a empresa israelense de equipamentos de irrigação sustentáveis e de alta tecnologia Netafim lançou o NetaFinance durante a Agrishow. A meta, explica o CEO da empresa para o Mercosul, Alexandre Gobbi, é que o movimento auxilie na expansão de 20% em negócios neste ano. Atualmente, 20% das vendas da Netafim são realizadas por financiamento via Finame. Com o início das operações do DLL, a expectativa é que o NetaFinance concentre sozinho 10% dos negócios já no primeiro ano de trabalho.

Por Carolina Hickmann


Fonte: Jornal do Comércio