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BB vai ofertar mais de R$ 12 bi para pré-custeio

O Banco do Brasil caminha para ofertar mais de R$ 12 bilhões em recursos para o financiamento do chamado pré-custeio da próxima safra, a 2018/19, que começa oficialmente em 1º de julho deste ano. Os financiamentos devem estar à disposição dos produtores rurais em meados de fevereiro.

Há expectativa de que, assim como no ano passado, o anúncio seja feito pelo presidente Michel Temer, que avalia divulgar os recursos em cerimônia no Palácio do Planalto ou em um grande polo do agronegócio.

O montante a ser emprestado pelo banco – líder em crédito rural, com 60% de participação nesse mercado – para o pré-custeio da próxima safra está em linha com os R$ 12 bilhões alocados em 2017 para o mesmo fim na safra atual, a 2017/18, que se encerrá em 30 de junho próximo. Desse valor garantido pelo BB no primeiro semestre do ano passado, e que foi o maior patamar reservado para essa finalidade na história do banco, foram liberados R$ 10,8 bilhões.

O montante superior a R$ 12 bilhões para o pré-custeio da nova safra faz parte dos recursos do Plano Safra 2017/18, que está em vigor e contém R$ 188,3 bilhões anunciados pelo governo em 2017. Esses financiamentos são baseados em fontes de recursos como depósitos à vista e captações com poupança rural.

"Dependemos ainda de ter mais certeza sobre a colheita da safra de grãos neste semestre, a segunda safra de milho pode diminuir. Mas, no geral, a safra de verão será tão boa quanto a passada, e o ritmo de contratações de crédito rural está indo bem. Então decidimos propor um volume acima de R$ 12 bilhões", disse Tarcísio Hubner, vice-presidente de Agronegócios do BB, em entrevista ao Valor. "Possivelmente em fevereiro já devemos oferecer esses recursos ao produtor, afirmou.

O banco público vem numa trajetória de recuperação no segmento de crédito rural depois de perder espaço na safra passada. Enquanto durante a temporada 2016/17 o volume de desembolsos totais de crédito rural junto ao BB teve redução de 18% em relação ao ciclo anterior, na primeira metade da safra atual (julho a dezembro de 2017) já registrou crescimento de 31%, para R$ 43,2 bilhões.

Os financiamentos para pré-custeio rural geralmente são utilizados pelos agricultores para antecipar a aquisição de insumos, como fertilizantes e defensivos, e são tomados no primeiro semestre, a partir de fevereiro, antes de a safra começar. Nos dois últimos anos, o BB até antecipou a garantia desses recursos para janeiro, em estratégia conjunta com o governo. Mas agora a instituição resolveu aguardar e dar mais prazo para os produtores, que desde a safra 2017/18 estão tendo menos prazo para quitar suas operações de custeio – 14 meses em vez de 24 meses, como até 2016/17.

"Se contratarmos uma operação de pré-custeio agora em janeiro, o vencimento final teria que ser março de 2019. Em algumas regiões, a colheita da safra de verão apenas está se iniciando nesse período, como é o caso no Sul, o que poderia gerar dificuldades de liquidação", explicou Hubner.

Como tradicionalmente acontece, os recursos serão destinados tanto a produtores de porte médio, no âmbito da linha Pronamp – que nesta safra estão com taxas de juros de 7,5% ao ano -, como a grandes agricultores, dentro da modalidade de custeio agropecuário, operada a 8,5% ao ano.

O Banco do Brasil também está lançando novas linhas para o setor rural. No fim de dezembro de 2017, o banco criou o "BB Giro", linha abastecida com recursos livres em que o banco aprova um teto de recursos para que o agricultor use para diversas demandas, a uma taxa de juros de 1,42% ao mês para grandes produtores, em vez dos 4% ao mês anteriores.

E prepara-se para ainda no primeiro semestre anunciar o "Custeio Ciclo Total", iniciativa para que o produtor precise fazer contrato de crédito rural apenas uma vez por safra com o banco – hoje é necessário fazer vários, já que é exigido um contrato para cada cultura.


Fonte: Valor Econômico