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BC prevê PIB de quase 2 dígitos no agronegócio, mas vê força concentrada

O Banco Central melhorou expressivamente a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio neste ano, de 6,4% para 9,6%. Mas o Relatório Trimestral de Inflação reconhece que a força do campo é concentrada no primeiro trimestre do ano e deve se dissipar ao longo dos próximos meses. Mesmo assim, a previsão mais otimista foi mantida.
 
“O crescimento agrícola em 2017 reflete, principalmente, o bom desempenho das safras de fumo, soja, milho e arroz, destacando-se que as três últimas são contabilizadas, majoritariamente, no primeiro trimestre do ano”, cita o documento conhecido nesta quinta-feira, 22.
 
Nele, o BC cita dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que prevê expansão de 52,3% para a produção do milho, 29,3% para o fumo, 18,5% para a soja e crescimento de 14,7% para o arroz.
 
Apesar dos porcentuais exuberantes de crescimento, o próprio documento do BC reconhece que o efeito sobre o PIB é concentrado no primeiro trimestre e, no restante do ano, ganham importância outras culturas com números menos expressivos. “Considerando que essas culturas perderão relevância no cômputo do PIB ao longo do ano, sendo substituídas por outras com perspectiva de desempenhos inferiores, é factível esperar que a maior parte da contribuição positiva direta da safra agrícola para a atividade econômica em 2017 tenha ocorrido no primeiro trimestre”, cita o documento.
 
Entre as culturas com impacto negativo sobre o PIB do setor agropecuário, o BC cita o café que deve ter queda de 8,4% no ano e a cana-de-açúcar com retração de 0,3% em 2017, conforme previsão do IBGE.
 
Sobre o efeito cascata do aumento da produção agrícola, o BC diz que “além dos efeitos diretos sobre o valor agregado da atividade agropecuária, a expansão da safra agrícola exerce desdobramentos positivos sobre a cadeia produtiva”. Mas o mesmo BC reconhece mais uma vez que esse impacto estatístico se concentra novamente no próprio trimestre – sem resultado relevante nos períodos seguintes.
 
De acordo com o modelo usado pelo BC, o choque de 1 ponto porcentual no produto do setor primário “gera, em média, um impacto estatisticamente significativo de 0,05 ponto porcentual sobre a produção do restante da economia no trimestre corrente”. “Porém, não há evidências de que esse mesmo choque tenha repercussões nos trimestres seguintes”, comenta o BC.
 
“Dentre tais efeitos indiretos, destacam-se o impacto do escoamento e da comercialização da safra na demanda por serviços de comércio e transporte; os efeitos positivos sobre cadeias industriais associadas a bens agrícolas; e o impulso da renda agrícola sobre a demanda por outros bens e serviços”, cita o documento. 

Fonte: Estadão Conteúdo