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“Biosev apresenta uma virada operacional e venda da empresa para a Raízen é boato”, diz CEO da Biosev

Postado em 28 de Agosto de 2020

Juan José Blanchard, diretor-presidente da Biosev, é o entrevistado da jornalista Luciana Paiva, editora da CanaOnline

Em 2017, o argentino Juan José Blanchard, executivo com mais de 20 anos de experiência no setor de commodities agrícolas do Grupo Louis Dreyfus, mudou-se para Ribeirão Preto, no interior paulista, seu objetivo era se familiarizar com uma das atividades do Grupo, a produção de bioenergia. Para isso, passou a vivenciar o dia a dia da Biosev, ramo da Louis Dreyfus que conta com oito unidades sucroenergéticas em atividade, distribuídas nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

A área agrícola não era algo estranho para o executivo da Dreyfus, pelo contrário, engenheiro agrônomo de formação e filho de pequenos fazendeiros na Argentina, Juan sabe a importância do campo para o negócio de commodities agrícolas. E foi pelos canaviais que iniciou sua incursão pela Biosev.

Durante mais de um ano, Juan visitou as unidades da empresa, diariamente ia para o campo e para a indústria. Observou o trabalho realizado, anotou detalhes e, como dizem os especialistas do setor, “conversou com a cana”, soube dela o que necessitava para produzir mais e melhor. Neste seu período de observação levantou os pontos que a Biosev precisava melhorar para se tornar mais eficiente não só no campo, mas no todo.

Em julho de 2018, Juan assumiu o cargo de Diretor-Presidente da Biosev, era a oportunidade de trabalhar cada ponto de melhoria levantado. E foi o que fez. Reforçou o foco de evoluir os processos no campo e nas unidades de produção, destacados como fatores que trazem eficiência ao negócio e contribuem para a melhora crescente dos resultados.

O trabalho já começou a aparecer, a Biosev encerrou a safra 2019/20 com EBITDA ajustado de R$ 1,8 bilhão, um crescimento de 12,9% em relação ao mesmo período da safra anterior. No 4T20, o indicador atingiu R$ 389,7 milhões, com margem EBITDA de 47,1% e EBITDA unitário de R$ 341,2 por tonelada, valores superiores ao 4T19 em 27%, 7,5 p.p e 29,2%.

A receita líquida na safra 2019/20, excluindo-se os efeitos contábeis (não caixa) do hedge accounting da dívida em moeda estrangeira (HACC), atingiu R$ 6,8 bilhões, 7,6% superior à safra passada. No 4T20, o índice atingiu R$ 1,9 bilhão, 47,5% superior ao 4T19.

Com relação à operação, mesmo com a forte geada que afetou os canaviais da Biosev em Mato Grosso do Sul, a moagem registrada na safra 2019/20 totalizou 27 milhões de toneladas. E a produtividade dos canaviais medida pelo TCH consolidado atingiu 82,9 ton/ha, 3,5% superior à safra passada.

VIRADA OPERACIONAL

Na tarde desta quinta-feira, 27, Juan nos concedeu uma entrevista e falou sobre o atual cenário da Biosev.  Em relação aos bons números conquistados, o Presidente da empresa destaca ser resultado de uma virada operacional, que começou pela área agrícola. Os canaviais da Biosev passaram a receber atenção especial na parte nutricional, a adubação de soqueira é praticamente toda feita com vinhaça, seja por aspersão ou localizada. A adoção da adubação foliar também vem conquistando espaço. Atualmente, são aplicados adubos foliares em cerca de 70% das áreas.

Juan apontou outros fatores responsáveis pelo aumento de produtividade dos canaviais da Biosev: a aquisição de máquinas agrícolas com tecnologia de ponta, o uso de drones, de fungicidas que contribuem para o aumento do teor de açúcar, o controle mais eficiente de pragas e plantas daninhas, a renovação de canaviais com rotação de culturas com crotalária e amendoim, a ampliação da Meiosi (método inter-rotacional ocorrendo simultaneamente) e o uso de novas variedades de cana mais produtivas. “Na última safra, alcançamos média superior a 80 toneladas de cana por hectare. Mas podemos mais, por isso, criamos o programa cana 100, com o objetivo de obter canaviais com média na casa das 100 toneladas por hectare”, conta.

A área industrial da Biosev também tem passado por transformações, foram realizados investimentos em caldeiras, centrífugas de açúcar, em processos, e instalação de novas colunas de destilação.  O resultado já aparece. “Reduzimos nossas perdas e na última safra apresentamos ganhos de eficiência de 1,3%”, diz.

Juan destacou a capacidade de flexibilidade das indústrias da Biosev em resposta à rápida mudança do mix de produção de etanol para açúcar. “O mix de etanol na safra 19/20 atingiu 65,3% em razão da maior rentabilidade do biocombustível frente ao açúcar. Mas o mercado mudou, nesta safra o açúcar está mais atraente, alteramos o mix e nossas unidades se adaptaram rapidamente, direcionando muito mais cana para a produção do açúcar”. Ele não pode informar qual o volume de cana está sendo direcionado para o açúcar.

O Presidente da Biosev observa que mais do que a aquisição de tecnologias, o que realmente pesa nessa virada operacional da Biosev é o comprometimento, o envolvimento de seus profissionais para a condução de boas práticas, o alinhamento da equipe em reduzir custos e aumentar a eficiência ao mesmo passo em que se adapta constantemente aos movimentos do mercado e ao desenvolvimento do setor.  

A BIOSE E O RENOVABIO

Juan é um defensor do RenovaBio – nova Política Nacional de Biocombustíveis do Governo Federal, cujo principal objetivo é ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz de transportes brasileira. O Presidente da Biosev salienta que o programa é um mecanimo que eleva a competitividade do etanol, é a posibilidade de o setor contribuir ainda mais para a redução das emissões de gases de efeito estufa no país. Além de estimular a eficiência operacional e a adoção de práticas que aumentam a descarbonização dos canaviais. Neste caso deu como exemplo, a aplicação da adubação nitrogenada, não só utilizando os fertilizantes oriundos da cana como a vinhaça e a torta de filtro, mas também opções como a cama de frango e o chorume do suíno.

Para atender ao RenovaBio, a Biosev concluiu a certificação de todas as suas usinas para o programa. Com essa certificação, a empresa está apta a emitir os CBIOs, créditos de descarbonização, com base nas notas fiscais de compra e venda.

A BIOSEV E AS OPORTUNIDADES DE MERCADO

Juan ressata que a Biosev está empenhada em captar as oportunidades que surgirem. E o que o objetivo não é ser o maior produtor de cana, mas ser eficiente. Em relação à hibernação de unidades do grupo em Mato Grosso do Sul e São Paulo, em decorrência da ociosidade das industrias, o executivo observou que, com o aumento da produção, surge a oportunidade de voltarem a moer. Mas outra opção é aumentar a capacidade das unidades que estão em atividade. A escolha de uma ou outra opção, dependerá da qual for mais rentável.

Nos últimos dias, circula no setor a informação de que a Biosev foi adquirida pela Raízen Energia. Ao ser questionado sobre isso, Juan disse que a Biosev está aberta às oportunidades, à fusão ou Joint Ventrure com empresas que apresentem a mesma sinergia. Porém, não passa de boato essa notícia de que a Biosev foi vendida para a Raízen.

 


Fonte: CanaOnline