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BP Bunge Bioenergia busca sinergias de mais de R$ 1 bi

Postado em 17 de Setembro de 2020

Nenhuma empresa planeja uma fusão esperando que surja uma pandemia logo na esquina. Mesmo assim, a joint venture BP Bunge Bioenergia, que concluiu a união das operações de suas duas acionistas - a petroleira britânica BP e a americana Bunge, gigante do agronegócio - em dezembro, avalia passar bem pelo teste de fogo que tem sido 2020. A empresa espera capturar sinergias, nesta safra (2020/21), de R$ 500 milhões, e vê potencial para o valor superar R$ 1 bilhão.

Em seis meses de safra, a nova companhia, que nasceu com 11 usinas e capacidade para moer 32 milhões de toneladas por safra, está focada em continuar otimizando sua estrutura e sua posição no mercado e em aumentar o uso de sua capacidade, afirma Mario Lindenhayn, presidente-executivo e presidente do conselho da BP Bunge. Por isso, não vê aquisições como prioridade, e descarta, por ora, um IPO.

Dos ganhos operacionais obtidos até agora, os principais são reduções de custos agrícolas e melhoras na parte logística, destaca. No campo, a companhia já reduziu seus custos de plantio em 30% em relação ao ano passado, por exemplo. O número de colhedoras nas lavouras - que, além de custar caro, demandam elevado custo de manutenção - foi reduzido em 20%, enquanto a produtividade aumentou 10%. Nas indústrias, o indicador que mede eficiência na produção, o RTC, subiu 1,5%.

“A mágica foi deslocar profissionais especializados que tínhamos em certas usinas para outras, para fazer um ‘copia e cola’. Aplicamos práticas já existentes e homogeneizamos as unidades”, diz Lindenhayn. A captura integral de sinergias só não deve ocorrer mais cedo porque parte delas depende do ciclo agrícola, como o plantio.

Com a união de processos e, sobretudo, a automação de atividades, houve um corte relevante de pessoal. Atualmente, a BP Bunge Bioenergia emprega 8,9 mil trabalhadores diretos, 1,2 mil a menos que o total que trabalhava para a BP e a Bunge em suas operações sucroalcooleiras antes da fusão.

A companhia também vem registrando ganhos de escala com a logística. Hoje, possui um contrato de escoamento de açúcar com a VLI que a tornou a maior operadora da commodity com a empresa de ferrovias. A joint venture ainda tem direito de usar tanques de etanol de 120 milhões de litros em Paulínia e 15 milhões de litros no porto de Santos da Opla, empresa controlada por BP e Copersucar.

Essa armazenagem à disposição caiu como uma luva para a BP Bunge Bioenergia quando a pandemia chegou e as pessoas pararam de abastecer seus veículos com etanol para ficar em casa. “É extremamente relevante, especialmente em um ano como esse em que o carregamento se mostrou interessante para as empresas que puderam guardar o produto no período crítico de abril e maio”, diz Geovane Consul, CEO da companhia. Apesar das incertezas que ainda rondam a safra atual, a expectativa dos executivos é fechar a temporada 2020/21 com receita entre R$ 5 bilhões a R$ 5,5 bilhões.

Enquanto a pandemia mantém o terreno pantanoso, o grupo pretende voltar seu foco para preencher a parcela de capacidade ainda ociosa, meta que pretende alcançar em até três safras. Na passada, as 11 usinas do grupo processaram 28 milhões de toneladas, 4 milhões a menos que o potencial.

Para zerar a diferença, a empresa planeja investir R$ 1 bilhão por safra nos canaviais, com atenção sobretudo aos tratos culturais, além de até R$ 250 milhões nos gastos com equipamentos e na manutenção de entressafra.

A expansão agrícola, porém, deve ser cautelosa, ressalta Consul. “Não vamos mais buscar cana a qualquer custo, que era a estratégia anterior. Se você não enfrenta problemas como falhas de plantio, se expande para áreas onde a operação custa mais, não traz benefícios”, afirma o CEO, que ressalta que o crescimento da oferta de cana ocorrerá pari passu com a dos fornecedores, que devem continuar respondendo por 30% da cana moída pelo grupo.

Já a robustez financeira para garantir esses investimentos está garantida, asseguram os executivos. A dívida da companhia está em torno de R$ 100 por tonelada de cana moída, abaixo da média do setor. “Mesmo considerando um cenário mais conservador, a situação sugere que teremos geração de caixa positiva, o que permite investimentos”, diz Lindenhayn, ressaltando, porém, que podem ocorrer variações nos preços das commodities e no câmbio, e na demanda.

Para assegurar parte dos resultados desta primeira safra conjunta entre os dois sócios, a companhia já conseguiu fixar o preço de todo o açúcar desta safra e fez também o hedge de 60% da commodity para a próxima temporada (2021/22) e de 30% da seguinte (2022/23). Com o dólar nas alturas, o grupo conseguiu para a próxima safra preços 10% maiores que os da temporada atual e, para o ciclo seguinte, 8% ainda mais altos.

 


Fonte: Valor Econômico