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Brasil deve permanecer no Acordo de Paris, defende INTL FCStone

Segundo análise exclusiva realizada pela consultoria INTL FCStone, os benefícios da permanência do Brasil no Acordo de Paris para o agronegócio nacional mais do que compensam seus custos. "Considerando que o aquecimento global deve ser cada vez mais uma parte essencial da pauta de negociações globais, se o Brasil quiser se manter e até aumentar sua participação em futuros acordos internacionais (comerciais ou de outra natureza) é de suma importância que o país se mantenha como participante do Acordo de Paris e concentre seus esforços no cumprimento da NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) estabelecida para 2025, que é de redução em 37% nas emissões em comparação com 2005", disse a consultoria INTL FCStone em relatório na última quarta-feira (31).

O Brasil se destaca mundialmente pelo respeito ao meio ambiente, tendo registrado desempenho melhor do que países como Estados Unidos e Alemanha, com intensidade de carbono 44% abaixo da média global e mais de 60% abaixo de outras economias emergentes como China e México. "Esta vantagem é resultado, pelo menos em parte, da ampla presença de fontes renováveis na matriz energética nacional, que é a maior do mundo", destacou a consultoria.

No entanto, para que o Brasil continue sendo capaz de reduzir suas emissões e, com isso, atinja a meta estabelecida no Acordo de Paris, é necessário um esforço redobrado para a redução no uso de combustíveis fósseis e a adoção de práticas agrícolas e industriais que levem a menores emissões.

Nesse sentido, o agronegócio brasileiro posiciona-se com estratégia eficiente para o cumprimento destas metas, através de práticas agropecuárias ambientalmente corretas, sendo o setor cada vez mais apto a crescer em produtividade sem aumentar o desmatamento, assim como por meio da produção de biocombustíveis, com destaque para o etanol e o biodiesel. "Para que a meta seja cumprida, precisaremos aumentar ainda mais os volumes gerados destes produtos", observou a INTL FCStone.

O grupo ainda ressaltou que as exportações da agropecuária nacional estariam entre os primeiros que poderiam ser alvo de barreiras não tarifárias caso o país saia do Acordo. Fora do Acordo de Paris, e caso reverta medidas como a moratória da soja e os esforços para a redução do desmatamento, o Brasil deve perder o acesso a importantes consumidores, o que prejudicaria o agronegócio nacional e conferiria vantagem a outros importantes competidores.

O agronegócio brasileiro também pode ser vítima das mudanças climáticas, com a inviabilização de regiões que hoje são produtivas no país. "Se os esforços globais para estabelecer um limite no aquecimento global não forem bem-sucedidos, é possível que o Brasil perca a enorme vantagem que hoje possui na produção agrícola por contar com um enorme território de solo e clima aptos para o plantio", afirmou. Isso porque, com o aumento das temperaturas, parte destas áreas se tornariam inadequadas para a agricultura, enquanto novos territórios poderiam ganhar produtividade em países concorrentes mais próximos dos polos, como Rússia e Canadá. 

Clima em pauta

O Acordo de Paris de 2015 (também conhecido como COP21) foi a culminação de mais de uma dezena de importantes conferências internacionais e décadas de estudos voltados à criação de um mecanismo de cooperação global para o combate ao efeito estufa. Contando com 195 signatários e 182 participantes até o momento, o Acordo é considerado o mais importante marco no combate às mudanças climáticas, tendo como objetivo primário a manutenção da temperatura global em até 1,5°C acima de seu nível pré-industrial.

"Enquanto a presença média na atmosfera do dióxido de carbono cresceu 37% entre 1800 e 2010, a participação do metano mais do que dobrou. É fato que nos últimos 800 mil anos não houve concentração tão grande destes gases na atmosfera terrestre, comparado ao período mais recente", reportou a INTL FCStone, em análise especial.

 


Fonte: INTL FCStone