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Brasil exportará metade da produção de petróleo em 2021

Postado em 17 de Dezembro de 2020

Metade da produção nacional de petróleo será exportada em 2021, segundo projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). De acordo com o Plano Decenal de Energia (PDE), colocado em consulta pública pela estatal, esta semana, a relação entre o volume de óleo bruto vendido no exterior e a produção nacional crescerá gradualmente nos próximos dez anos, dos 42% em 2019 para 65% em 2030.

A EPE estima que os embarques para o exterior totalizarão 1,63 milhão de barris/dia em 2021 e 3,43 milhões de barris/dia em 2030. Para efeitos de comparação, em 2020, no acumulado do ano até outubro, as exportações brasileiras somam cerca de 1,4 milhão de barris/dia, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

“Esse volume expressivo poderá alçar o Brasil como um dos cinco maiores exportadores do mundo, o que elevaria a importância e relevância do país no quadro geopolítico da indústria mundial do petróleo”, cita o PDE 2030.

Esse aumento das exportações acompanha o salto de 88,5% da produção nacional entre 2019 e 2030, para 5,26 milhões de barris/dia. Mesmo com o processo de abertura do refino, no Brasil, a EPE não estima “investimentos significativos na expansão da capacidade de refino” na década, o que também ajuda a explicar as expectativas de crescimento dos embarques de petróleo.

A EPE projeta apenas ampliações de pequeno porte nas refinarias existentes, de forma a adequar o parque nacional à demanda crescente de combustíveis de baixo teor de enxofre. Por outro lado, a entrada de novos operadores no setor deve reduzir a atual capacidade ociosa do parque de refino do país. De acordo com as projeções da estatal, responsável pelo planejamento energético do país, o fator de utilização das refinarias deve crescer nos próximos dez anos, de 75% em 2019 para 83% em 2030.

Apesar desse aumento na taxa, os derivados do petróleo devem perder espaço na matriz energética brasileira, de 38,9% para 35,8%, apesar de se manterem como a principal fonte de energia final. A expectativa é que o país se tornará mais eletrificado, com destaque para a expansão das renováveis e do gás natural dentro da matriz elétrica.

De acordo com o PDE, a geração de energia a partir das fontes solar e eólica deve atingir em 2030 uma fatia de 15% na capacidade instalada contratada para o Sistema Interligado Nacional (SIN), ante os 11% atuais. Juntas, as fontes solar e eólica devem acrescentar 6 gigawatts (GW) de geração centralizada na capacidade instalada contratada no período. A biomassa, por sua vez, deve ter sua participação elevada de 8% para 9%, e as grandes hidrelétricas e 63% para 64% – por meio da modernização de usinas já existentes. As termelétricas devem perder participação, de 14% para 8% e as pequenas centrais hidrelétricas devem se manter estáveis em 4%.

De acordo com a EPE, o crescimento da participação das renováveis na matriz vai gerar necessidade de expansão do sistema de transmissão para ampliar a capacidade de escoamento e de troca de suprimento entre as regiões. A expansão da transmissão para os próximos dez anos prevê investimentos de R$ 89,6 bilhões para a implantação de 37,4 mil quilômetros de linhas, um aumento de 24% na extensão do sistema.

A EPE projeta que uma segunda onda da pandemia de covid-19 pode levar a um crescimento mais lento da demanda de energia elétrica brasileira na próxima década. O prolongamento da crise sanitária pode reduzir a taxa média de crescimento de consumo para 2,9% ao ano entre 2020-2030, com a carga nacional chegando a 84,4 MW médios ao final do período.

Por outro lado, uma maior efetividade das políticas de combate à crise do novo coronavírus poderiam levar a uma alta anual de 4,2% – o que levaria a carga a 100,4 MW médios em 2030. O cenário de referência adotado pela estatal considera uma carga de 93,8 MW médios ao final da década.

Por André Ramalho e Gabriela Ruddy


Fonte: BiodieselBR.com