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Brasil favorece resultado da Syngenta

Depois de afetar negativamente o desempenho da Syngenta em 2017, o Brasil favoreceu os resultados globais da companhia no primeiro semestre do ano. A empresa, controlada pela ChemChina, é uma das maiores de agroquímicos do mundo.

Ontem, a múlti informou que obteve lucro líquido de US$ 1,229 bilhão no primeiro semestre, 32% acima de igual período de 2017. Na mesma comparação, as vendas subiram 4,8%, para US$ 7,249 bilhões, e o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida) alcançou US$ 1,7 bilhão, alta de 1%.

Após ser adquirida pela ChemChina em 2017, a Syngenta deixou de ser listada em bolsa, mas ontem a empresa admitiu que pode voltar a ter capital aberto, segundo a agência Dow Jones Newswires.

"Foi um semestre difícil, mas, depois de vários anos de muita pressão nos resultados locais, a gente voltou a crescer e a ser o destaque da Syngenta globalmente", afirmou Valdemar Fischer, diretor regional para América Latina da Syngenta, ao Valor. Ele assumiu o cargo que era ocupado por Laercio Giampani e responde pelas operações Brasil e América Latina desde setembro do ano passado.

O Brasil é o segundo mercado da Syngenta no mundo, com um fatia de 20% do faturamento global, só atrás dos Estados Unidos. De acordo com Fischer, a concentração de produtos parados no canal de distribuição – um dos maiores problemas enfrentados pelo segmento no país em 2017 – foi resolvida.

"Não temos nenhum problema de estoque acima dos níveis esperados", disse. Segundo ele, os estoques de produtos da Syngenta na distribuição estão entre 10% e 15% de todos os produtos vendidos pela companhia. No primeiro semestre do ano, a empresa recebeu de volta os produtos que estavam em excesso no canal de distribuição.

"Queremos alinhar o consumo com faturamento. O que é um desafio para nosso setor", afirmou.

Segundo os resultados divulgados ontem, na América Latina, o volume de vendas aumentou 12% no primeiro semestre, para US$ 1 bilhão. De acordo com a Syngenta, o avanço de vendas de agrotóxicos mais do que compensou a redução de vendas de sementes, que foram impactadas pela redução da área de milho da segunda safra – safrinha – no mercado brasileiro.

"As vendas da área de defensivos cresceram 18% na América Latina no semestre, enquanto a área de sementes apresentou uma queda", afirmou o diretor da Syngenta.

Fischer acredita que a venda de agrotóxicos deverá crescer acima do mercado geral no Brasil este ano. "Ano passado nós reduzimos bastante estoque, então em faturamento espero crescer mais que o mercado", disse.

O executivo afirmou, ainda, que mesmo com custos maiores – em decorrência da alta da matéria-prima na China e do petróleo -, as margens foram mantidas no país. "Nossos programas de eficiências internas apresentaram resultados, como o de redução de custos".

O diretor da Syngenta admitiu que as restrições ambientais na China afetam a companhia. "Está havendo falta de matéria-prima. Há produtos que não teremos mais até o fim do ano", admitiu.

Essa menor oferta de matéria-prima combinada e a valorização do dólar ante o real devem elevar os custos de defensivos na safra 2018/19, acrescentou.

No mercado brasileiro, a paralisação dos caminhoneiros atrasou entregas e o estabelecimento de fretes mínimos rodoviários ainda traz incertezas e pode reduzir as operações de troca – barter – da Syngenta. "Podemos ter menos barter do que gostaríamos em função da dificuldade de precificar os grãos", disse.

Por Kauanna Navarro


Fonte: Valor Econômico